<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576</id><updated>2012-02-02T19:58:00.280Z</updated><category term='genocídios'/><title type='text'>construpintar02</title><subtitle type='html'>projecto de apresentação comentada de pinturas e fotografias do autor Rocha de Sousa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>318</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-1681448034014481904</id><published>2012-02-01T19:10:00.009Z</published><updated>2012-02-02T19:58:00.288Z</updated><title type='text'>A TRAGÉDIA DE MANUEL DE SOUSA SEPÚLVEDA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-OXvCzEAbmNU/TyqeeuRKP7I/AAAAAAAAIm8/HsnqnXpnQpM/s1600/IMG_2608.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OXvCzEAbmNU/TyqeeuRKP7I/AAAAAAAAIm8/HsnqnXpnQpM/s400/IMG_2608.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704546128671424434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;São João &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;era comandado por D. Manuel de Sousa Sepúlveda,&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;nobre fidalgo, bom cavaleiro, bom amigo a amparar os necessitados. O galeão vinha da Índia e nele viajavam também D. Leonor, esposa de Manuel de Sousa, dois filhos ainda pequenos e mais um, bastardo. A bordo seguiam também os fidalgos Pantaleão de Sá (cunhado do comandante), Tristão de Sousa, Diogo Mendes Dourado de Setúbal e Amador de Sousa. Entre os embarcados contavam-se ainda soldados de torna-viagem, o mestre, o contramestre e o piloto da nave, carpinteiros, calafates e guardiães, mulheres, aias e crianças, para além de muitos marinheiros e dos escravos em maior número. A partida verificou.se a 3 de Fevereiro de 1552, data já tardia para melhor navegação.&lt;br /&gt;Por causa dos ventos ponteiros e das ruins velas que traziam, só tarde avistaram o Cabo da Boa Esperança. Manuel de Sousa pediu ao piloto, André Vaz, que se aproximasse mais de terra. A manobra foi cumprida e a perdição parecia anunciada. Foram apanhados por ventos instáveis, muito rudes, e o capitão, conferenciando com o mestre e o piloto, decide, pelos pareceres dados, seguir o conselho de arribar. Tudo se complicou, sem tempo de agir contra, a tempestade soprou furiosa, rasgando e levando velas enquanto uma vaga quebrou o leme apodrecido. Foram tomadas todas as disposições e tarefas, com as madeiras existentes a bordo procuraram fazer um novo leme. E de alguma roupa que traziam nas mercadorias tentaram remendar velas, no maior dos empenhos em chegar a Moçambique. Mas o mastro da proa estava abrindo a nau.&lt;br /&gt;No dia 8 de Junho a ventania, implacável, e também a correnteza, começaram a empurrar para terra a nau já meio desgovernada, aberta e metendo água. Através de uma manchua, remadores exploram a costa e voltam para avisar da existência de uma única praia. Na deriva, quando o galeão passou em frente da praia indicada, foi lançada a âncora e baixado um batel.&lt;br /&gt;Quando o vento amainou, Manuel de Sousa pediu ao mestre e ao piloto que colocassem em terra, juntamente com a sua mulher e filhos e mais vinte homens, o que foi realizado, varando as ondas e alcançando por fim a praia. Esta operação e outras mais acabaram, na réplica, por ser desmanteladas em consequência de um recrudescimento brutal dos ventos e tempestade, perdendo-se outras manchuas e com elas os marinheiros. A nau corre perigo de ser arrastada para o pego e André Vaz embarca gente num batel, salvando quarenta pessoas. Mas a confusão e os destroços lavravam tudo, arrastando náufragos e coisas e meios logísticos. Nesse meio tempo, andava Manuel de Sousa a correr pela praia, a acudir aos náufragos e a encaminhá-los para junto de uma grande fogueira que acendera, tendo em conta o muito frio próprio das terras do Natal.&lt;br /&gt;Quatro horas depois, e a despeito de muitos salvados, o galeão estava desfeito e dele o mar devolvia apenas os destroços.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Tudo é feito então para manter a sobrevivência e planear os meios de arrancar em direcção a Moçambique. Era preciso ficar ali, no entanto, alguns dias. Há cafres vigiando de longe e mais tarde alguns deles aparecem por perto no intuito de trocar uma vaca por pregos. Entre eles, à distância, a recusa instala-se e acaba por gorar a troca.&lt;br /&gt;Manuel de Sousa exorta os homens, pede que não o desamparem, e propõe a marcha pela costa até alcançarem o rio da aguada da Boa Paz, em direcção a Lourenço Marques.&lt;br /&gt;A caminhada, durante cerca de 180 milhas, foi um grande gesto e uma terrível tragédia. Escaramuças com grupos de cafres tornam tudo mais difícil, bem como o achamento e troca de  mantimentos. Portugueses e escravos, muitos eram os que morriam, por exaustão, grupos arrastados e perdendo-se, vitimados pelas feras.  O filho bastardo de Manuel de Sousa também se perde, vinha às costas de um escravo, mas ninguém ousou meter-se pelo matagal e o comandante começa a desgastar-se, do corpo, da alma  e do juízo. Durante dois meses e meio, ora aquela gente se metia pelo sertão em busca de comer, ora varavam rios e se fizeram ao longo do mar, subindo e descendo serras, homens e mulheres e crianças perdidos de fome e de sede. Pausas ensandecidas e compra, com dinheiro do comandante, de vasilhas com água a homens que se arriscavam as perigosas buscas. Há muitos que não voltam, talvez mortos pelos cafres e feras em deriva.&lt;br /&gt;Apesar dos favores de um pequeno rei ali encontrado com o seu povo, Manuel de Sousa não acede aos conselhos de marcha, às incertezas apontadas, ameaçando os camaradas com a espada, o que nada tinha a ver com o seu habitual comportamento, compreensivo e bom.&lt;br /&gt;Atacados e perdidos, os homens de Sepúlveda têm de entregar as armas aos cafres, portugueses e cafres apartados por aldeias, até ao mais grave assalto, cafres querendo as roupas. D. Leonor não se deixa despir, não quer sobreviver assim. Mas quando se vê nua, desamparada, atira-se ao&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;chão, coberta pelos cabelos, e cava uma cova na areia onde se mete até à cintura. Manuel de Sousa, com a mantilha que arranca a uma velha aia cobre D. Leonor. Daí ela nunca mais sairá. Contudo, instado por ela, André Vaz aceita, com alguns homens, rumar na direcção de Moçambique e promete, se tanto conseguir, narrar esta história e alcançar recursos de socorro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/--UbDtpCLU4k/TyqeV6EdC3I/AAAAAAAAImw/qTx4dXbjafU/s1600/IMG_2617.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://1.bp.blogspot.com/--UbDtpCLU4k/TyqeV6EdC3I/AAAAAAAAImw/qTx4dXbjafU/s320/IMG_2617.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704545977220533106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Embora meio destroçado do juízo, Manuel de Sousa ainda cuida de ir ao mato colher frutos para alimentar a esposa e os filhos. Um dia regressa e um dos meninos está morto. Enterra-o. No dia seguinte, ao regressar, encontra morta a sua esposa e o outro filho. Afasta as três escravas que choram sobre o corpo de D.Leonor e senta-se a seu lado. Com o rosto apoiado numa das mãos, sem dizer nada nem chorar, queda-se durante meia hora com os olhos postos na esposa. Depois, com a ajuda das escravas, abre uma cova na areia onde enterra D. Leonor e o filho. Levanta-se, não diz uma palavra, abala, mete-se pelos matagais adentro. Nunca mais ninguém o vê.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-9N4cfmNCt0c/Tyq0fyYIjjI/AAAAAAAAInI/GsWg6Mgqvho/s1600/IMG_2616.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 321px; height: 206px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-9N4cfmNCt0c/Tyq0fyYIjjI/AAAAAAAAInI/GsWg6Mgqvho/s400/IMG_2616.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704570336210095666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Esta narrativa foi colhida, abreviada e adaptada da História Trágico-Marítima, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;segundo a versão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;de Fernando Correia da Silva&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;em memória de uma realidade portuguesa que a bruma dos esquecimentos tem esbatido da nossa cultura. As ilustrações foram feitas digitalmente pelo autor deste blogue&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-1681448034014481904?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/1681448034014481904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=1681448034014481904' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1681448034014481904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1681448034014481904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2012/02/tragedia-de-manuel-de-sousa-sepulveda_01.html' title='A TRAGÉDIA DE MANUEL DE SOUSA SEPÚLVEDA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OXvCzEAbmNU/TyqeeuRKP7I/AAAAAAAAIm8/HsnqnXpnQpM/s72-c/IMG_2608.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8046295326257174655</id><published>2012-02-01T18:49:00.006Z</published><updated>2012-02-02T16:20:11.660Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-DXq6K5t5RDE/Tyq3Xzc0mSI/AAAAAAAAInU/u_4igl5-bRM/s1600/IMG_2608.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-DXq6K5t5RDE/Tyq3Xzc0mSI/AAAAAAAAInU/u_4igl5-bRM/s400/IMG_2608.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704573497594124578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-8046295326257174655?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/8046295326257174655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=8046295326257174655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8046295326257174655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8046295326257174655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2012/02/tragedia-de-manuel-de-sousa-sepulveda.html' title=''/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DXq6K5t5RDE/Tyq3Xzc0mSI/AAAAAAAAInU/u_4igl5-bRM/s72-c/IMG_2608.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2724898491771671024</id><published>2012-01-20T14:29:00.013Z</published><updated>2012-01-20T15:04:40.992Z</updated><title type='text'>DERIVA  ENTRE CARTAZES URBANOS, DESDE UM CERTO RUÍDO A ALGUMA PROVA MINIMALISTA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-mLdjdOsvxYs/Txl7aQ-ZFaI/AAAAAAAAIl0/A0rqCOTMcx4/s1600/IMG_2561.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 369px; height: 377px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-mLdjdOsvxYs/Txl7aQ-ZFaI/AAAAAAAAIl0/A0rqCOTMcx4/s400/IMG_2561.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699722494577546658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-nWrmqElmHNE/Txl7QxODp1I/AAAAAAAAIlo/7z29KSgbfU8/s1600/IMG_2559.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 302px; height: 273px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-nWrmqElmHNE/Txl7QxODp1I/AAAAAAAAIlo/7z29KSgbfU8/s320/IMG_2559.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699722331434493778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-75vsyWDOURI/Txl7H440FhI/AAAAAAAAIlc/FIyW5c5DKyA/s1600/IMG_2562.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 348px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-75vsyWDOURI/Txl7H440FhI/AAAAAAAAIlc/FIyW5c5DKyA/s400/IMG_2562.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699722178874054162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-QZkHDRRhROc/Txl6-P4ZrtI/AAAAAAAAIlQ/Kp5Z0X_lkbM/s1600/IMG_2560.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 241px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-QZkHDRRhROc/Txl6-P4ZrtI/AAAAAAAAIlQ/Kp5Z0X_lkbM/s320/IMG_2560.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699722013247647442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_imgnObWK6s/Txl6yLBJNGI/AAAAAAAAIlE/wzNvFxSoVHc/s1600/IMG_2569.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_imgnObWK6s/Txl6yLBJNGI/AAAAAAAAIlE/wzNvFxSoVHc/s320/IMG_2569.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699721805783708770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-QXldeGmm1VI/Txl6qksYUzI/AAAAAAAAIk4/q3DN7PpL-Ro/s1600/IMG_2570.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 212px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-QXldeGmm1VI/Txl6qksYUzI/AAAAAAAAIk4/q3DN7PpL-Ro/s320/IMG_2570.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699721675236987698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se começarmos a olhar vulgares cartazes do meio urbano (em cima) sabemos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;logo que tais obras são&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;comunicação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;corrente de coisas ou factos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;acessívei&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;s,&lt;span style="font-size:130%;"&gt; em geral, ao nosso reconhecimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se mudarmos do olhar para um nível de percepção mais indagador, explorando o ver em consonância com o nosso entendimento da cor e da forma (factores já experimentados através da pintura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;) &lt;span style="font-size:130%;"&gt;a paisagem das formas pode começar a ser trabalhada por norma em sucessivos registos, cortes, reenquadramentos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Esta deriva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nesse sentido, de cima para baixo, mostra-nos,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;a começar,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;um fragmento de cartaz rasgado sem grande fervor, reenquadrado e aproveitado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nas suas maiores potencialidades plásticas, inclusive após uma rotação de 90º&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;. É um começo que abre janelas operativas que nos permitem, pela contracção ou expansão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obter surpreendentes composições, nas quais é possível instaurar mais ou menos informação, insistir no efeito do ruído, tornar o «quadro» menos prolixo, em aproximação a um certo minimalismo de significação em parte guardada, em parte revelada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2724898491771671024?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2724898491771671024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2724898491771671024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2724898491771671024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2724898491771671024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2012/01/deriva-entre-cartazes-urbanos-e-certo.html' title='DERIVA  ENTRE CARTAZES URBANOS, DESDE UM CERTO RUÍDO A ALGUMA PROVA MINIMALISTA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mLdjdOsvxYs/Txl7aQ-ZFaI/AAAAAAAAIl0/A0rqCOTMcx4/s72-c/IMG_2561.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5508285867474622793</id><published>2012-01-07T15:48:00.007Z</published><updated>2012-01-07T16:37:54.968Z</updated><title type='text'>MORREU O PINTOR JOSÉ CÂNDIDO, HOMENAGEM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-rGlxCAWtm7k/TwhqcCWPOYI/AAAAAAAAIgI/MMYKDb0FnT8/s1600/IMG_2514.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 272px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-rGlxCAWtm7k/TwhqcCWPOYI/AAAAAAAAIgI/MMYKDb0FnT8/s320/IMG_2514.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694918758709016962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pintor e designer José Cândido&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Faleceu hoje, a 7 de JAN de 2012, o pintor e designer José Cãndido, figura de importante perfil nas artes plásticas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e no design de comunicação, área em que desenvolveu um trabalho notável, em simbiose com o desenho e a fotografia, não apenas na prática profissional como no âmbito pedagógico, ao assumir a cadeira nuclear da licenciatura em design na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.  José Cândido era sobretudo um operador de grande domínio gráfico e de clara inclinação, além da pintura, para o domínio que ajudou a implantar no nosso país (colaborando na reforma artística de 76/79) e onde desenvolveu soluções inovadoras. Combateu, com Rogério Ribeiro, Luis Filipe de Abreu e o autor deste blogue, entre outros, pelo desenvolvimento e actualização do  Ensino Superior Artístico, em particular na área do design de comunicação e na sua implementação em Portugal partindo da base «nula» em que nos encontrávamos, mesmo depois do 25 de Abril e contra sucessivos governos em que, nos próprios departamentos do Ministério da Educação, se desconhecia tudo sobre esta disciplina do conhecimento  e se combatia mesmo a formação a nível superior de designers, como já acontecera há muito por toda a Europa. &lt;br /&gt;                                         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-cObIJQ2EusQ/TwhqU6jRiNI/AAAAAAAAIf8/uiupuuMPapk/s1600/IMG_2515.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-cObIJQ2EusQ/TwhqU6jRiNI/AAAAAAAAIf8/uiupuuMPapk/s400/IMG_2515.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694918636357126354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-QrFbnq25Zbw/TwhqMRJm2_I/AAAAAAAAIfw/8fxwPBK0UKM/s1600/IMG_2517.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 232px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-QrFbnq25Zbw/TwhqMRJm2_I/AAAAAAAAIfw/8fxwPBK0UKM/s320/IMG_2517.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694918487804664818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-EdGr6anJiWc/TwhqFCmUhaI/AAAAAAAAIfk/3KyAFKa9v7g/s1600/IMG_2518.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 232px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EdGr6anJiWc/TwhqFCmUhaI/AAAAAAAAIfk/3KyAFKa9v7g/s320/IMG_2518.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694918363639481762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Cândido abriu, com Rogério Ribeiro, o caminho a um Instituto do Design no país e procurou estudar as questões ligadas ao design e a diversos níveis de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;formação&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ou de relação técnica, científica e artística com problemáticas afins. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Foi das primeiras pessoas a denunciar&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;os preconceitos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;que as próprias Escolas de Arte cultivavam, na esteira de uma caduca concepção sobre a natureza da arte, alimentada até longe no século XX (entre nós) e só desfeita com alguns institutos privados e a criação de Faculdades de Belas Artes em Universidades de Lisboa e do Porto, nas quais se articularam licenciaturas do domínio das artes plásticas com as ligadas às disciplinas de índole artístico e científico do design.&lt;br /&gt;Interrogado por Victor de Almeida acerca destas questões considerou fecunda a relação do design com a pintura e a escultura, sobretudo pela metodologia. «O design - disse - tem uma filosofia muito própria. Aliás a minha definição de design passa por ser ele como que a filosofia no projecto. Vem da tomada de consciência até ao utilizador». A consciência do espaço e dos seus objectos. A sabedoria de os projectar adequadamente e de os utilizar de forma idêntica, com propriedade.&lt;br /&gt;José Cândido desenvolveu mais as suas capacidades gráficas, pela escrita do desenho e pelo projecto de design do que o trabalho da sua formação inicial, na pintura. Mas a a sua pintura, ultimamente, tinha vindo a crescer, a renascer, associando em si diversos modos de formar, à luz da cultura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Além do mais, José Cândido era um espírito aberto e tolerante, colega leal e pessoa serena, de bom humor. Nunca me senti iludido pela sua amizade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5508285867474622793?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5508285867474622793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5508285867474622793' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5508285867474622793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5508285867474622793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2012/01/morreu-o-pintor-jose-candido-homenagem.html' title='MORREU O PINTOR JOSÉ CÂNDIDO, HOMENAGEM'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-rGlxCAWtm7k/TwhqcCWPOYI/AAAAAAAAIgI/MMYKDb0FnT8/s72-c/IMG_2514.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4605905339217836127</id><published>2012-01-03T17:19:00.002Z</published><updated>2012-01-03T17:49:38.202Z</updated><title type='text'>EM MEMÓRIA DA NATUREZA MORTA ENTRETANTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-wslMMhOQDtE/TwM4-a-uPsI/AAAAAAAAIfM/LsbZZGduqpg/s1600/IMG_2504.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 316px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-wslMMhOQDtE/TwM4-a-uPsI/AAAAAAAAIfM/LsbZZGduqpg/s400/IMG_2504.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693456998971883202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;                                                         &lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);font-size:85%;" &gt;pintura digital de rocha de sousa&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A natureza morta que entretanto se cultiva é a que lembra muitas das grandes mutações verificadas no século XX ao nível dos meios de exprimir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e dos géneros&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;revisitados a partir das épocas passadas. A imagem aqui reproduzida, referente a uma pintura digital de pequenas dimensões, inscreve-se&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;na linha&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;estética da modernidade e no sentido global da arte entretanto produzida, tendo como referente objectos e composição das naturezas mortas que evoluíram pelo século XX. Não se trata de imitar frutos e objectos, entre jogos compositivos sobre uma mesa ornamentada por outros elementos, toalhas, vidros, artefactos de certo quotidiano&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Na linha da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mobilidade visual &lt;/span&gt;em parte instaurada com o cubismo, os artistas daquele tempo revolucionaram as formas tradicionais da pintura sem as negar por completo e criaram novos pontos de vista para a dinâmica das composições&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Os tampos das mesas, na natureza morta comum, sofreram diversos tipos de rebatimento, tudo se reconfigurava em função de um olhar movente e até à mistura, no mesmo quadro, de aspectos do visível captados de diferentes olhares.&lt;br /&gt;Aqui há mais do que um rebatimento, tendo em vista projecções no plano horizontal e viragens parciais ou completas de objectos que tanto se podem decifrar em autonomia como assentes no suporte, vistos em plongé, tomados e lado ou colocados sobre a paisagem dos suportes verticais. Penas ou perdiz suspensos à esquerda, ao alto, ou logo caroço de corpo de ave, lembrança da música, bem como as carnes porcinas, à direita. Uma vasilha exposta, panejamentos, as sombras verdes de vários tipos de folhagem, dentro ou fora do domínio da culinária. Não é muito mais do que isto, apesar da surdez tonal e da vida lumínica das coisas em volta de um negro que sobra das várias operações no trato pictórico: pode tratar-se de uma ideia de expansão ou de compressão, o tempo faz suspeitar o movimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4605905339217836127?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4605905339217836127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4605905339217836127' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4605905339217836127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4605905339217836127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2012/01/em-memoria-da-natureza-morta-entretanto.html' title='EM MEMÓRIA DA NATUREZA MORTA ENTRETANTO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wslMMhOQDtE/TwM4-a-uPsI/AAAAAAAAIfM/LsbZZGduqpg/s72-c/IMG_2504.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8385568612078265607</id><published>2011-12-28T11:07:00.005Z</published><updated>2011-12-28T13:30:19.982Z</updated><title type='text'>CORPOS DESCONHECIDOS DENTRO DA PAISAGEM</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-z27Y71JG3sg/Tvr5fx0BfGI/AAAAAAAAIfA/sWiuLPFjjiI/s1600/IMG_2503.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 396px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-z27Y71JG3sg/Tvr5fx0BfGI/AAAAAAAAIfA/sWiuLPFjjiI/s400/IMG_2503.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691135403478842466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                           &lt;span style="color: rgb(255, 204, 102);"&gt;pintura                                      &lt;span style="color: rgb(255, 204, 102);"&gt; digital sobre papel | Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 204, 102);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 102);"&gt;Não há diabo que chegue às paredes de pedra desta paisagem nem mestres do espaço que saibam como chegar bem perto dos montes, estes corpos sem nome. Então como se olha para uma pintura assim e se desenrola as suas aparências na complexidade do ver? Muitas vezes, no sonho da consciência, o apropriação de cada olhar tende a não desaparecer da mobilidade envolvente, tende a fixar-se na percepção visual, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 204, 102);"&gt;coisificando ou corporizando &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 102);"&gt;a imagem vista. É por isso que obras como esta, pintadas ao computador, e parecendo integralmente peças de cavalete, sobre tela, nos convocam para estranhas viagens no subconsciente, puxando fios e trajectos estranhos, atravessando duas dimensões para o domínio da perspectiva, para a distância impossível que desafia os nossos passos, o tempo, a distância sem marcas, apesar das duas partes que nos avisam de um céu terroso, com nuvens de pedra, e montes em baixo, talvez menhires, talvez afinal um sopro de certa gente de outrora, modelações empíricas como na Ilha da Páscoa ou aproximações megalíticas, de grande escala, aos deuses obscuros que povoavam um céu rastejante e pousavam por ali, devagar, ao jeito dos gigantescos mamíferos alados do tempo em que o homem ainda rastejava numa procura incerta da sobrevivência. Um dia chegou a dominar o território, esta estranha simulação de montanhas, expressão ou arte de alguém anterior ao próprio tempo após o primeiro glaciar, chuvas diluvianas a modelar rochas e lamas, lodos e lagos com margens curvas, máquinas de ninguém atravessando o céu por cima da rocha enfim modelada, musgos surgindo, a brisa e a luz dourada, depois a sombra e uma noite  meio castanha, blocos rolando e tombando como velhos balões rasgados e cada vez mais amolecidos antes de atingirem o chão com um fragor explosivo, factos de outras visitas os planetas no acaso de trajectórias impensáveis. Esperem, monstros amigos, pelas máquinas: faltam milhões de anos para elas atravessarem as montanhas com túneis rangentes. Esse será o tempo cego das civilizações, ou aquelas que moviam pedras de 14 toneladas pelo encantamento de um simples dedo, erguendo pirâmides avassaladoras, ou as que se faziam entre guerras imensas, que tudo devastavam em largos espaços onde a vida acabaria convertida à grave pausa dos mais remotos insectos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-8385568612078265607?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/8385568612078265607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=8385568612078265607' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8385568612078265607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8385568612078265607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/12/corpos-sem-nome-dentro-da-paisagem.html' title='CORPOS DESCONHECIDOS DENTRO DA PAISAGEM'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-z27Y71JG3sg/Tvr5fx0BfGI/AAAAAAAAIfA/sWiuLPFjjiI/s72-c/IMG_2503.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4891776110119683344</id><published>2011-10-23T17:56:00.013+01:00</published><updated>2011-11-27T16:17:02.424Z</updated><title type='text'>UMA EUROPA SEM GUERNICA NEM SENTIMENTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-HJdZPLiuYGE/TtJibQFdxGI/AAAAAAAAIdc/h-KIyPqFk6Q/s1600/MANCHASa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 279px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-HJdZPLiuYGE/TtJibQFdxGI/AAAAAAAAIdc/h-KIyPqFk6Q/s400/MANCHASa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679710300381496418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-gYASrJRLGmY/TtJOSQDQA8I/AAAAAAAAIdE/IeDOMLv5ZpA/s1600/IMG_2437.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 231px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-gYASrJRLGmY/TtJOSQDQA8I/AAAAAAAAIdE/IeDOMLv5ZpA/s400/IMG_2437.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679688155520828354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;nem Guernica nem sentimento | Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, de facto este desenho não se inspirou na Guernica, de Picasso, mas também não foi pensado num total esquecimento dela. A povoação que ajudou a gerar aquela famosa pintura sofreu um ataque brutal, em formação geométrica, pela força aérea da Alemanha de então, a Lufthansa, tendo ficado arrasada. Uma tal tragédia ocorreu sob o signo do treino e da geometria da quadrícula. Nada restou. Ou melhor: restou a memória da vida anterior e do próprio silêncio de gemidos ao fim do bombardeamento, os destroços, os rostos devastados. Seja como for, e depois da guerra que Hitler perdeu às mãos dos Aliados, num farrapo de doença e teimosia, porventura suicidando-se, a Alemanha, ajudada pelos próprios recém-inimigos, lambeu metodicamente as suas feridas e logrou reconstruir o seu corpo e organizar o seu território. A despeito do muro, o Muro de Berlim, que a União Soviética, descontente com a brandura e o poder do Ocidente, ergueu naquela cidade, atravessando-a com a mais simbólica das fronteiras, a fronteira intransponível, dois blocos gigantescos e adversos. Assim fraccionada, Berlim ofuscou as mentes do desenvolvimento e do consumo, a Ocidente, e tornou-se escassa e dominada a Oriente &lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';" &gt;—&lt;/span&gt; era aí chamada República Democrática Alemã, ironia das palavras, metamorfose dos conceitos, talvez dos princípios, determinação dos russos. E assim o mundo foi vivendo, de um lado e do outro, num medo paranoico à medida que ambos os blocos se municiavam de bombas atómicas e mísseis intercontinentais. Ninguém, afinal, era capaz de minimizar Hiroshima e Nagasaki.&lt;br /&gt;O século XX foi a época em que tudo isso aconteceu e em que os países se organizaram como democracias, sob o chapéu capitalista e a social-democracia, vivendo, em todo o caso, risonhas esperanças de futuro: assim, uma reconstruída Alemanha acabou por absorver a RDA, integrando-a e reunificando-se. Aconteceu depois a queda do Muro de Berlim (durante a Perestroika) e a Alemanha intensificou decisivamente a sua influência a todo o espaço do continente.&lt;br /&gt;As crises do crescimento, embora encobertas ou disfarçadas, foram absorvendo a melodia doce daquela Primavera que até a Portugal chegou. Acabara a guerra colonial e o triunfo do 25 de Abril de 74 abriu o país ao manejamento dos Estados Unidos da América e da própria Europa, sobretudo quando se criou a ideia da união nesse último espaço, outrora tão torturado, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;império&lt;/span&gt; falhado no projecto de Hitler, e se instituíu outra força, uma força monetária, a moeda euro, extensível progressivamente a toda a Europa. Os grandes organismos institucionais, Parlamento Europeu, Comissão, entre outros, tudo foi posto a funcionar com um febril pragmatismo de medidas e reorganização das próprias configurações produtivas dos países aderentes. Portugal empolgou-se e lá foi arrecadar os euros dos subsídios compensatórios, tendo, nessa mesma linha, perdido sectores tradicionais e tão importantes como parte das pescas, quase toda a agricultura, muita indústria que afinal nos completava em definição.&lt;br /&gt;Não está de boa saúde, esta Europa a que pertencemos, com euro e tudo. Apesar das boas esperanças de Jacques Delors, o prosseguimento do novo, grande poder, alinhado pela globalização, suas virtudes e seus defeitos, não se consolidou no século XXI com a devida consistência, solidariedade e plural sentido de coesão. Uma crise financeira internacional, com génese numa derrocada no interior do capitalismo americano, encheu o tal mundo global de vários &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tsunamis. &lt;/span&gt;Os países que se tinham endividado na base de confiança que a a União Europeia parecia suscitar, bem depressa se viram cercados por avisos à navegação e medidas ou ameaças de derrocada. Portugal ensandeceu. No meio do oceano agitado, e com a queda de países como a Irlanda e a Grécia, Potugal, já ensandecido, continuou a viver na ilusão libertária do país das maravilhas, enchendo-se de casas, iates, carros de alta cilindrada, autoestradas em detrimento da via férrea, camiões Tir fumegando como lagartas de sul a norte, ao largo do mar salgado que nos defendera de tanta escassez e menoridade territorial. Os partidos políticos ainda não passaram da fase de aprendizagem da democracia e enchem o parlamento de gritaria e diversos tipos de insulto: estar na oposição é estar cegamente contra, estar no poder é ter cegamente razão. Tendo pedido a ajuda  do FMI, uma, duas, três vezes, o país acabou agrilhoado à mais feroz das austeridades, método (dizem os entendidos) que permitirá equilibrar as finanças e relançar a economia. A Grécia, em pior situação, encheu-se de conflitualidades de rua, e os grandes da Europa (Alemanha e França, cujas dívidas iniciais foram engolidas) desataram a descrever ameaças de expulsão do euro, embora alguma parte dos parlamentares de Bruxelas se inclinassem para medidas estruturais e de fundo, capazes de reverem em parte  os tratados, redimensionando as dívidas soberanas, reforçando um fundo de ajuda e meios de recapitalização do enviesado sistema bancário. Isto estava ontem na forja, depois de um namoro tempestuoso de Sarkozy e Angela Merkel, sempre feito de reuniões a dois e decisões de fundo, absurdas, sem consulta nem do Parlamento Europeu nem da Comissão. Merkel passeia em todos os cenários dessa Utopia enquanto Delors sorri com amargura. Portugal, primeiro tratado como lixo periférico, ganhou alguns pontos com a execução do Orçamento de Estado, com a resposta ao Memorando da Troika (FMI), recbendo alguns elogios. Elogios que o vento leva depressa. Elogios que soçobram ao azedume de Merkel que insiste em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cacarejar&lt;/span&gt; pela necessidade imperiosa de punir todos os que prevariquem na dívida e na escassa resposta aos problemas entretanto criados. A Alemanha, que beneficiou de fundos internacionais para renascer da derrota na Última Grande Guerra, parece estar longe de ter uma visão abrangente e dinâmica da Europa, atropelando muita gente com a resistência que a França e outros copiam. Se a reunião dos G-20, na próxima quarta feira, não tiver proveitos determinantes, o euro entra na sombra e os tais países periféricos têm a miséria pela frente. Mas os males podem ser maiores e a agressividade dos desprotegidos, afundados pelos novos impérios, lentos impérios, pode acentuar-se. Que a Alemanha não beba a cicuta dessa taça e aceite que as culturas convivam, que a história seja possível, que a dignidade seja reconhecida aos humildes. Acabaram as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vanitas. &lt;/span&gt;As imagens&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;emergentes são outras, bem as vimos em Atenas, Roma, Madrid e em mil cidades, num só dia, por todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-eFRvmEBubMs/TqRHs2yNxeI/AAAAAAAAIY4/PDJqcKSleTY/s1600/IMG_2169.JPG"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-9-W-aO0FKQ0/TqWMq8MfRPI/AAAAAAAAIZQ/0T3fqhLDJdY/s1600/IMG_2173.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 304px; height: 156px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-9-W-aO0FKQ0/TqWMq8MfRPI/AAAAAAAAIZQ/0T3fqhLDJdY/s400/IMG_2173.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667090375456539890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-uVsnkmMqCAs/TqWM1f_gGdI/AAAAAAAAIZc/G0aC2n03Dpg/s1600/IMG_2174.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 142px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-uVsnkmMqCAs/TqWM1f_gGdI/AAAAAAAAIZc/G0aC2n03Dpg/s400/IMG_2174.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667090556864436690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4891776110119683344?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4891776110119683344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4891776110119683344' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4891776110119683344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4891776110119683344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/10/uma-europa-sem-guernica-nem-sentimento.html' title='UMA EUROPA SEM GUERNICA NEM SENTIMENTO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HJdZPLiuYGE/TtJibQFdxGI/AAAAAAAAIdc/h-KIyPqFk6Q/s72-c/MANCHASa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5496114995536499431</id><published>2011-10-15T14:04:00.014+01:00</published><updated>2011-10-16T13:01:09.100+01:00</updated><title type='text'>OBRA LITERÁRIA E PLÁSTICA DADA EM LIVRO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;AS COISAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;                           E AS PALAVRAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;autores&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                         rocha de sousa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;maria João gamito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-sSsXvYvx-lE/TpmRTOLdWaI/AAAAAAAAIXE/Wlyr47zUpcs/s1600/IMG_2128.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 303px; height: 345px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-sSsXvYvx-lE/TpmRTOLdWaI/AAAAAAAAIXE/Wlyr47zUpcs/s200/IMG_2128.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663717765804808610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Voltemos a Sísifo. É difícil fechar os olhos e decidir morrer. A lâmpada da Guernica continua acesa&lt;/span&gt; no tecto do mundo. E entre as pedras todas, amontoadas, sem que algumas delas nos pertençam por destino, há sempre o fragmento paradoxal do recomeço, o detalhe e o apelo que conduzem à escolha. Um resto de memória. A simulação da permanência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sísifo seremos nós, à espera da palavra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a encosta, a planície, breves dunas, e a praia deserta. Viajando entre a espuma esponjosa da maré e do declive das areias além, olha-se na perpendicular, na direcção das nossas próprias marcas, e o que vemos são coisas. Estão ali desde o início do mundo, sem deuses nem homens, à espera de um rosto, de um nome. Ou da imagem da imagem delas (coisa sobre coisa) para que a palavra lhes dê sentido e as faça destino &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;recomeço substantivado, ficção pelas memórias, o visível e o dizível inventando-se como amanhãs possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta exposição começa com uma escolha «ao acaso» e o encontro pensante (mas consciente de Sísifo) de duas pessoas diferentes, cujo trabalho por vezes  reúne e as obriga à «semelhança» das conclusões. É um facto trivial, quotidiano, sem mistério nenhum, mas dificilmente determinável na assinatura individualista dos objectos/projectos que os operadores da cultura nos propõem à meditação e à posse.&lt;br /&gt;Perante coisas sem nome &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; tudo o que parte da planície chega ao cume do continente para regressar ao anonimato&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;   põe-se o problema da nomeação feita e partilhada colectivamente. As coisas, enquanto aparência absurda, desafiam a paixão solitária: na invenção de riscos, de símbolos gráficos, de símbolos fonéticos, princípio estrutural de quem somos no centro de um mundo que obviamente nos excede.&lt;br /&gt;De facto, ao artista não basta a descoberta solitária. Há sempre um dia em que ele se interroga com os outros homens: «Estas são as minhas palavras. Quais são as palavras dos outros?» A meio da encosta, entre dois recomeços, a solidão pensa-se assim em termos de solidariedade &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e a aventura de cada nomeação, embora mais difícil, torna-se mais fecunda. A urgência da fala passa pela soma do esforço em conjunto (hoje sobretudo): trata-se de saber o valor das individualidades na consonância possível das reflexões, a par dos individualismos trágicos que a História nos aponta (esplendorosamente) após cada recomeço na ficção do futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa quem escreveu as imagens e quem desenhou os textos? É preciso dar o exemplo da humildade no acto de partilhar as memórias como o corpo de ficção. Eis o que se tenta aqui, através de um esforço de conjunto provavelmente pouco experimentado num espaço social onde, à escassez do risco e da convivência serena, se contrapõem rótulos e vulgares equívocos. Quando se pensa em conjunto, moderando para uma área comum (de nitidez) o apetite individual por afirmações definitivas, chega-se sempre a uma escolha nova. E é então que se entende melhor como nenhuma escolha é de «acaso»; ou que as coisas nomeadas, partindo da descoberta de um único objecto, se multiplicam em ferro, madeira, calcário, desertos e barcos, casas e cidades &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; outra vez o lugar  das marés, retorno por fim assumido como acto poético e não como derrota de solidões indizíveis.&lt;br /&gt;Portanto ninguém assinará esta introdução: nenum dos dois autores dos objectos todos, nem uma terceira pessoa avalista institucional de méritos alheios. Se a pedra volta, de novo e apenas, para o lugar das marés, é talvez legítimo concluir que as vozes deste discurso, após a conquista de uma consonância ou de uma ideia comum, também têm no oceano da vida lugares próprios, entre a individualidade inalienável e a tarefa universal de Sísifo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a pedra, entre textos e imagens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;1+1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-3vI1n-3Hvpc/Tpm_9UH5B1I/AAAAAAAAIXU/u3G65APQ31o/s1600/DSC05218.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-3vI1n-3Hvpc/Tpm_9UH5B1I/AAAAAAAAIXU/u3G65APQ31o/s320/DSC05218.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663769066489841490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A todo &lt;span style="font-size:100%;"&gt;o comprimento da praia, entre brandos rumores de espuma e vozes devolvidas&lt;/span&gt; pela falésia, um olhar preso à areia é um longo «travelling» sobre coisas sem valor concreto de uso &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; por isso intemporais, por isso invariavelmente disponíveis. A maré dilata-se e encobre tudo, falsos cristais, restos de vida oceânica. Barcos de madeira esperam, com olhos egípcios imóveis. E os petroleiros passam silenciosamente nas rotas do mundo, colando-se ao horizonte da distância.&lt;br /&gt;Pela manhã, a praia cresceu como os corpos vivos &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; mas deserta de tão cedo, apenas o rumor da espuma e agora a imobilidade monumental da falésia. De novo a descoberto, sob o olhar lateral que se move, milhares de coisas diversas: conchas brilhantes de súbito raríssimas, pedras roladas que lentas sedimentações marcaram com faixas argilosas, desenhos impossivelmente naturais que o nosso imaginário reinventa todos os dias, sombras também. Olhar suspenso, paralelo ao solo, pedras e pedras e pedras deslizando, intervalos sem medida, pequenos cristais entretanto. Passam cintilações de carcaças frágeis onde já existiu vida invertebrada, nervuras de plantas aquáticas, rios de sal correndo nas fracturas abertas entre milhões de outras pedras em miniatura.&lt;br /&gt;Dentro do mundo há sempre a maqueta do  mundo.&lt;br /&gt;Na distância, petroleiros laterais e longínquos sempre.&lt;br /&gt;E então a pedra &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; outra, vulgar, nem redonda nem facetada, acidente natural no espaço de todas as singularidades. Contudo, quando a retiramos do côncavo de areia onde permaneceu, o que resta do seu próprio rasto é um vazio  indecifravelmente desconfortante. Coisa sem  nome, só pedra, sedimento milenário de um pó a que não sabemos atribuir a palavra última. Coisa, antes de tudo, ou talvez primeiro instrumento de uma reconstrução: coisa de remeter (apenas e de novo) para o lugar das marés.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;_______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 204, 102);"&gt;Os textos publicados acima, e a fotografia e o desenho, constituem a abertura e o primeiro capítulo&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 102);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 204, 102);"&gt;de um livro catálogo da exposição aqui referida. Há mais uma dezena de capítulos, sempre balanceados entre o texto e o desenho ou vice-versa, numa espécie de realismo gráfico que se reinventa na deriva da escrita. Ambos os autores reivindicam ambas as coisas. Muitos livros sobraram, leves, pequenos, graciosos e ponderados. Se alguém os quiser adquirir pode aceder a este blogue, solicitando, pelos meios usuais, a versão completa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5496114995536499431?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5496114995536499431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5496114995536499431' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5496114995536499431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5496114995536499431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/10/de-uma-exposicao-as-palavras-e-as.html' title='OBRA LITERÁRIA E PLÁSTICA DADA EM LIVRO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-sSsXvYvx-lE/TpmRTOLdWaI/AAAAAAAAIXE/Wlyr47zUpcs/s72-c/IMG_2128.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-9066480370485722125</id><published>2011-10-06T13:19:00.007+01:00</published><updated>2011-10-06T14:44:59.974+01:00</updated><title type='text'>ATRAVÉS DUM VER DIFUSO, A INVENÇÃO DO VER</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-JkaT6bqDevA/To2d64dZBOI/AAAAAAAAIVo/LrkE5fdrAeE/s1600/IMG_2075.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 311px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-JkaT6bqDevA/To2d64dZBOI/AAAAAAAAIVo/LrkE5fdrAeE/s400/IMG_2075.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660353941588215010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-0Rxi0O8xh-4/To2d0d4yoLI/AAAAAAAAIVg/QZRr5EyZc8c/s1600/IMG_2077.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 308px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-0Rxi0O8xh-4/To2d0d4yoLI/AAAAAAAAIVg/QZRr5EyZc8c/s400/IMG_2077.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660353831376167090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fotografias de Rocha de Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é a primeira fez que isto me acontece: um olhar súbito, difusa a sensação que resolve o ver, e logo uma coisa mudando para outra, sem que o espaço em volta se esclareça. De um lençol silencioso e branco, algo acontece no trajecto óptico até ao cérebro, difusamente, selecciona-me ruídos, manchas, um vago xadrez pendurado em contra-luz. Nada se passa depois disso: vejo as flores na varanda e os trabalhos no prédio do outro lado da rua, eternos. Então é tudo nítido, HD, mas os olhos parecem sensíveis a essa luz e acusam em ardor tal propriedade, as pálpebras ficam vermelhas no rebordo e as pestanas colam-se umas às outras. Não é um caso de cegueira, como alguns poderão pensar com o lençol branco e a branca cegueira do Saramago. É sobretudo a resposta ao excesso de real que me envolve, desde os velhos papéis que nunca mais conseguirei ler (porque são demais e amarelados) aos livros em pilha, depois de atravancarem a estante. Esse ciclorama de lombadas e de obras caídas, aparentemente mortas umas sobre as outras, eis a resposta da mobilidade visual, tarde na vida, quando os olhos são assaltados pelo excesso de experiências próximas, ruídos brandos e ruídos nenhuns, um sonho, uma vontade de entregar a face ao tecido branco, liso, silencioso e fresco. Talvez para dormir. Talvez para pensar melhor.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-9066480370485722125?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/9066480370485722125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=9066480370485722125' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9066480370485722125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9066480370485722125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/10/atraves-de-um-ver-difuso-invencao-do.html' title='ATRAVÉS DUM VER DIFUSO, A INVENÇÃO DO VER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JkaT6bqDevA/To2d64dZBOI/AAAAAAAAIVo/LrkE5fdrAeE/s72-c/IMG_2075.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5709440496507887509</id><published>2011-09-12T09:33:00.050+01:00</published><updated>2011-09-23T18:04:06.782+01:00</updated><title type='text'>AS SOMBRAS DEPOIS DE REVISITADA A CASA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-g5haVDezCG0/Tm3RoCU2_LI/AAAAAAAAIQ4/ejNu3Y1uMvA/s1600/IMG_1974.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 159px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-g5haVDezCG0/Tm3RoCU2_LI/AAAAAAAAIQ4/ejNu3Y1uMvA/s200/IMG_1974.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651403593169173682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-6LqWeY1XFNo/Tm3QNGwm9qI/AAAAAAAAIQo/BXztrjR4UHk/s1600/IMG_1971.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 151px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-6LqWeY1XFNo/Tm3QNGwm9qI/AAAAAAAAIQo/BXztrjR4UHk/s200/IMG_1971.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651402030991210146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cidade do sul, queimada pelos anos incandescentes,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;entra por aqui o vento inteiro, bandeiras esquecidas no tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-UBcWVLifBJk/Tm9keclUsrI/AAAAAAAAIRY/laauuGHZSr0/s1600/IMG_1973.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 218px; height: 168px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-UBcWVLifBJk/Tm9keclUsrI/AAAAAAAAIRY/laauuGHZSr0/s200/IMG_1973.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651846531604853426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janelas abertas para a rua,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tantos silêncios acesos na lembrança,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o vento devagar pela manhã pálida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tristemente calados há muito os sinos das fábricas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-zXBaEv4zrI4/Tm99qfcfSpI/AAAAAAAAIS4/L83UnrNMZAs/s1600/IMG_1967.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 218px; height: 167px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-zXBaEv4zrI4/Tm99qfcfSpI/AAAAAAAAIS4/L83UnrNMZAs/s200/IMG_1967.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651874226322229906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-YFXzxRMNqgQ/TnH81wkHIjI/AAAAAAAAITw/LSjjdOXF9F0/s1600/IMG_1965.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 215px; height: 169px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-YFXzxRMNqgQ/TnH81wkHIjI/AAAAAAAAITw/LSjjdOXF9F0/s400/IMG_1965.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652577007826313778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janelas abertas para a rua,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;idade das flores e das casas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ruínas de velhos quintais, cortiça ardida há quanto tempo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-6FAzoVjZiXg/TnH99xNSGKI/AAAAAAAAIUA/peJAN7mUxuE/s1600/IMG_1969.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 214px; height: 167px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-6FAzoVjZiXg/TnH99xNSGKI/AAAAAAAAIUA/peJAN7mUxuE/s400/IMG_1969.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652578244949579938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Trabalh&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a as &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;agulhas e a lã, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;malhas sobre malhas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ou evocação das antigas tecelagens em tear&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Cidad&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;as flores e da casa velha,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;janelas ab&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ertas para a rua,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;somas e somas de silên&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;cios tantos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tudo para relembrar, ao contrário das horas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;os passos pensados em direcção à luz, a casa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-tcuXz_U8HXE/TnH61tnQKbI/AAAAAAAAITo/Yy6fgTFS1tk/s1600/IMG_1962.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 210px; height: 168px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-tcuXz_U8HXE/TnH61tnQKbI/AAAAAAAAITo/Yy6fgTFS1tk/s400/IMG_1962.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652574808010926514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Tudo para relembrar ao contrário das horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Textos sem história, silêncio, penumbra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vidas a meio, devaneios, alegrias e filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-_RZYIZgQkQE/Tm-AAWhtZvI/AAAAAAAAITA/5vTmpEZdlZA/s1600/IMG_1970.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 209px; height: 161px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_RZYIZgQkQE/Tm-AAWhtZvI/AAAAAAAAITA/5vTmpEZdlZA/s200/IMG_1970.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651876800908584690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gavetas cheias de coisas breves,&lt;br /&gt;papéis rasgados, velhos casacos de malha,&lt;br /&gt;belos artesanatos da vida em casa, serões, luares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-_ANetN7d6A4/Tm-DYV119iI/AAAAAAAAITI/TJVW_qSntqY/s1600/IMG_1964.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 210px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_ANetN7d6A4/Tm-DYV119iI/AAAAAAAAITI/TJVW_qSntqY/s200/IMG_1964.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651880511576340002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;As horas ao contrário, as agulhas e as lãs,&lt;br /&gt;malhas sobre malhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Famílias inteiras fugindo para a distância&lt;br /&gt;e o tempo visitando a casa toda&lt;br /&gt;como se fosse pela primeira vez,&lt;br /&gt;visita a visita,&lt;br /&gt;ao contrário das horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-A1wltHrca74/Tm3NI71IzMI/AAAAAAAAIQY/NU1wi0J1asw/s1600/IMG_1975.JPG"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 201px; height: 254px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-A1wltHrca74/Tm3NI71IzMI/AAAAAAAAIQY/NU1wi0J1asw/s200/IMG_1975.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651398660803054786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fragmento, com  evocação&lt;br /&gt;de planos  de &lt;br /&gt;«A Casa Revisitada»&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 102);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;e recolha do texto da banda&lt;br /&gt;sonora, que sublinha,&lt;br /&gt;em murmúrio, por evocações&lt;br /&gt;e falas de sopro, os sonhos&lt;br /&gt;vividos ou  construídos&lt;br /&gt;na orla da consciência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5709440496507887509?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5709440496507887509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5709440496507887509' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5709440496507887509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5709440496507887509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/09/as-smbras-depois-de-revistada-casa.html' title='AS SOMBRAS DEPOIS DE REVISITADA A CASA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-g5haVDezCG0/Tm3RoCU2_LI/AAAAAAAAIQ4/ejNu3Y1uMvA/s72-c/IMG_1974.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-9172851604226133461</id><published>2011-08-29T17:30:00.012+01:00</published><updated>2011-09-06T14:28:44.760+01:00</updated><title type='text'>NEM LONGE NEM PERTO, A ALMA DA GENTE</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-vfOBTo4IHjU/Tlu_Aq7sNOI/AAAAAAAAIJ0/vkdTT0BGCd4/s1600/IMG_1917.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 191px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646316576084604130" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-vfOBTo4IHjU/Tlu_Aq7sNOI/AAAAAAAAIJ0/vkdTT0BGCd4/s400/IMG_1917.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;composição foto e colagem de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lusofonia, quer queiram quer não:&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;ela vem de longe e revê-se nos corpos de hoje&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Li hoje, deslumbrado, um dos mais belos documentos sobre Portugal e o Brasil, sobre os desvios da História e as mitologias ou sarcasmos inúteis que tantos teceram acerca de viagens e gentes, face a face na distância dos continentes e dos sonhos ganhos ou perdidos. É um texto de Miguel Sousa Tavares, no Expresso, uma lição testemunhal perante os erros, equívocos, vários ritos antigos e modernos, a par de muitos esmagamentos da verdade intrínseca da história lusófona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«...as relações Portugal-Brasil, nos últimos 150 anos, são um interminável jogo de ioiô, em que, quando um está em cima, e vice-versa, com ciclos de emigração, económica ou política, cruzados ao sabor da situação interna de cada um de nós. Dir-se-ia então que o desdém e a fútil superioridade com que aqui recebemos esses brasileiros que vieram ocupar os trabalhos que os portugueses já não queriam foi uma espécie de ajuste de contas tardio na forma como os brasileiros receberam os portugueses que para lá foram em massa desde o último quartel do século XIX até às primeiras décadas do século XX. Injustiça paga com injustiça: nós ficamos agora a dever aos brasileiros grande parte da construção das auto-estradas, hospitais, Expos, com que, imbecilmente, imaginamos ter conquistado para sempre a modernidade e o progresso; e, antes, eles ficaram a dever os ciclos do café e da borracha da Amazónia, o que não teria sido possível, por ausência de mão de obra, sem a impressionante emigração portuguesa &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';" &gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;que teve, como contrapartida, a ruína do interior de Portugal.» Miguel Sousa Tavares trata bem a história do padeiro, personagem que invadiu por completo o imaginário do brasileiro: emigrantes que desenvolveram a indústria da panificação e geriam as respectivas lojas e sobre os quais os brasileiros idealizavam seres de pé descalço, trepando pela riqueza acima e explorando o povo em épocas de crise. A ideia da perfeição do Brasil e de tanta mistura devem colidir com a realidade histórica e ontológica do mundo e dos seres: em boa verdade, a perfeição é impensável e o que importa é sabermos qual a nossa relação com os lugares a que pertencemos. Miguel considera-se inteiramente do Brasil e de Portugal, o que é uma boa medida para a sensatez que nos vai faltando. Ele diz-se muito irritado com «as críticas mútuas e redutoras com que tantos portugueses e brasileiros se entretêm, como se com tanta mistura de sangue e de sémen, tanta aventura e tanta desgraça em que andámos envolvidos, uns com os outros, os vícios e fraquezas de cada um nunca tivessem passado ao outro.» Não terão os brasileiros sido também portugueses e os portugueses também brasileiros, pelo menos até 1882?&lt;br /&gt;Diz Miguel Sousa Tavares:«1808», de Laurentino Gomes, sobre a chegada da corte de D. João VI ao Brasil: um panfleto doentiamente antiportuguês, sem preocupação de enquadrar a história no seu contexto e onde só interessa o lado negro da aventura joanina. Parece, segundo o autor, que, com a estada da corte portuguesa, os "brasileiros" descobriram, estupefactos, a porcaria urbana, a corrupção, o compadrio e o desgoverno (tudo coisas que, como se sabe, foram extintas em todo o Brasil há muito). Ora todos sabemos que D. João VI era um atrasado mental e que D. Carlota Joaquina era uma ninfomaníaca sevilhana permanentemente ocupada em conspirar contra o próprio rei ou marido.» Havia disso em todas as cortes europeias, fruto, também de problemas de consanguinidade e pelas regras arbitrárias dos próprios sistemas monárquicos da época.&lt;br /&gt;«D João VI foi bem melhor soberano no brasil do que foi em Portugal. Reformou a cidade do Rio de alto a baixo, abriu os portos brasileiros ao comércio internacional e instalou um verdadeiro Estado &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';" &gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;que levou daqui por inteiro &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SAfont-family:'Calibri', 'sans-serif';" &gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;onde antes apenas havia capitanias e mandantes locais. O seu grande erro foi não ter tido a visão de perceber que a capital do Império devia estar no Brasil e não em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-9172851604226133461?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/9172851604226133461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=9172851604226133461' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9172851604226133461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9172851604226133461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/08/nem-longe-nem-perto-alma-da-gente.html' title='NEM LONGE NEM PERTO, A ALMA DA GENTE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vfOBTo4IHjU/Tlu_Aq7sNOI/AAAAAAAAIJ0/vkdTT0BGCd4/s72-c/IMG_1917.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5756787200789747715</id><published>2011-08-26T18:07:00.016+01:00</published><updated>2011-08-26T20:03:14.083+01:00</updated><title type='text'>EVENTUAL PARTÍCULA DO INVISÍVEL E DA MORTE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-6lkx208Oxeg/Tlfcrpwpk2I/AAAAAAAAIJk/Iy0Ez1N7vcA/s1600/IMG_1885.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 220px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-6lkx208Oxeg/Tlfcrpwpk2I/AAAAAAAAIJk/Iy0Ez1N7vcA/s400/IMG_1885.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645223300434596706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-jlC-YgQwecc/TlfcfmgVH5I/AAAAAAAAIJc/k0dZ6gVNuxI/s1600/IMG_1887.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-jlC-YgQwecc/TlfcfmgVH5I/AAAAAAAAIJc/k0dZ6gVNuxI/s400/IMG_1887.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645223093402410898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagens ao espelho, corpos, estou a olhar&lt;br /&gt;um cadáver de cada vez, nus, frios e hirtos.&lt;br /&gt;como vítimas estranhas jazendo no espaço frio da morgue&lt;br /&gt;ou na cortante madrugada, sacudida de ventos finas areias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espelhos multiplicam-se, os corpos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos eles, primeiro, foram  expulsos do mar&lt;br /&gt;pela maior vaga alguma vez vista naqueles dias.&lt;br /&gt;Todos eles, depois, vomitam peixes,&lt;br /&gt;morrendo sem forças, ao procurarem expulsar da boca&lt;br /&gt;grandes porções de areia em papa e pequenas conchas prateadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, e da reanimação imaginária como possível,&lt;br /&gt;estavam mortos os homens, como os peixes,&lt;br /&gt;bocas abertas, areia até aos dentes;&lt;br /&gt;os olhos fixos, os corpos já inchados,&lt;br /&gt;entretanto patéticos, inúteis, sombrios, inquietantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se arredou da tarefa dura de cavar aquelas bocas.&lt;br /&gt;Ninguém se apercebeu das coisas vindas nas colheradas enviesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/--jCbOtfCvfs/TlfcPt_FTuI/AAAAAAAAIJU/yjxd2pbq85s/s1600/IMG_1889.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 172px;" src="http://1.bp.blogspot.com/--jCbOtfCvfs/TlfcPt_FTuI/AAAAAAAAIJU/yjxd2pbq85s/s400/IMG_1889.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645222820532539106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cobertos por mantas até ao queixo, aqueles homens,&lt;br /&gt;permaneciam ocultados dos filhos, mal de ver,&lt;br /&gt;e os próprios filhos talvez nem imaginassem os pais ali,&lt;br /&gt;apenas feitos de bocas entaipadas por areia húmida.&lt;br /&gt;Alguns filhos eram rapazes de estudos,&lt;br /&gt;já só percebiam dias de férias, a baba de cada pai, o prato da açorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhavam, apesar disso, numa curiosidade mórbida mas de fascinação,&lt;br /&gt;as bocas abertas e erguidas, quase tapadas de areia,&lt;br /&gt;quase fingindo um grito em vias de soltar-se do fundo&lt;br /&gt;e na hora terrível em que tudo estivesse limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando as mulheres, já  perto da garganta,&lt;br /&gt;deixaram de esgaravatar tão malvada areia&lt;br /&gt;e entornaram água para dentro das bocas rígidas,&lt;br /&gt;os moços, ansiosos, quiseram levar aquela matéria, a baba das ondas,&lt;br /&gt;além  desses pequenos e subtis grãos das praias,&lt;br /&gt;os quais isolavam em descoberta debaixo de uma grossa lente&lt;br /&gt;e logo os perdiam de vista ao adestrado dos gestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-IQOxoDRiMJg/TlfbyQAZzhI/AAAAAAAAIJM/trTlTsliD_E/s1600/IMG_1890.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-IQOxoDRiMJg/TlfbyQAZzhI/AAAAAAAAIJM/trTlTsliD_E/s400/IMG_1890.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645222314268806674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A sua esperança residia no facto de haver ali, entre fios de algas&lt;br /&gt;e os restos da massa, ligando areia e sufocação,&lt;br /&gt;como breves sinais, porventura sempre a escapar-se,&lt;br /&gt;sinais cuja natureza entretanto, e afinal, mantinha invisíveis&lt;br /&gt;outras coisa que não fossem porventura, e apenas, partículas da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-hBThCFt8EJI/Tlfrv_mqA9I/AAAAAAAAIJs/coVRAgbLjGo/s1600/IMG_1893.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 187px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-hBThCFt8EJI/Tlfrv_mqA9I/AAAAAAAAIJs/coVRAgbLjGo/s200/IMG_1893.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645239867692155858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 204, 51);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 204, 51);"&gt;fotografias de Rocha de Sousa com a participação encenada de Miguel Baganha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5756787200789747715?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5756787200789747715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5756787200789747715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5756787200789747715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5756787200789747715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/08/eventual-particula-do-invisivel-e-da.html' title='EVENTUAL PARTÍCULA DO INVISÍVEL E DA MORTE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6lkx208Oxeg/Tlfcrpwpk2I/AAAAAAAAIJk/Iy0Ez1N7vcA/s72-c/IMG_1885.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4554187675374085837</id><published>2011-08-18T17:33:00.008+01:00</published><updated>2011-08-18T18:11:42.386+01:00</updated><title type='text'>PELA ESPUMA DOS DIAS OU O BANHO A BRINCAR</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Y52Vz-aWyps/Tk1AIaLC2OI/AAAAAAAAIFU/SqdBH7W83Rg/s1600/IMG_1839.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 331px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y52Vz-aWyps/Tk1AIaLC2OI/AAAAAAAAIFU/SqdBH7W83Rg/s400/IMG_1839.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642236421373876450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sem vontade de nada, para nada, nado na banheira cheia.&lt;br /&gt;Braços estendidos ao lado do corpo,&lt;br /&gt;ondulando para cima e para baixo,&lt;br /&gt;ora devagar, ora mais depressa,&lt;br /&gt;flocos de espuma com a lógica da sua leveza&lt;br /&gt;a descer, lentas, como pedaços de nuvens rendadas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora formou-se tanta espuma&lt;br /&gt;que o teu corpo até pode esconder-se:&lt;br /&gt;aí ficas por instantes, a respiração suspensa e os olhos fechados&lt;br /&gt;contra o ardor desse mundo de brincar,&lt;br /&gt;dedos depois em voltas de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água e o sabão escorrem pelo corpo já torto,&lt;br /&gt;respira e abre os olhos,&lt;br /&gt;ao contrário escorres tu antes de poderes ver,&lt;br /&gt;antes de poderes abrir a boca, Antes de soletrares o real&lt;br /&gt;limpo da espuma dos prazeres breves, Vidros, mármores e cromados.&lt;br /&gt;Um espelho cheio de bruma, sem ti, coberto de espuma e perfume.&lt;br /&gt;E rios árcticos como rachas estampadas no Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, desta vez és tu quem quer sair da submersão,&lt;br /&gt;agarrar o cromado e a torneira em falta,&lt;br /&gt;procurar a âncora pendurada já sem argola nem sinal.&lt;br /&gt;Sem nenhum prumo auxiliar no escuro da espuma,&lt;br /&gt;nem espelho em volta na volta da moldura solta.&lt;br /&gt;E um pé desliza para longe, o outro também,&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;a cabeça a cravar-se na pedra e no metal atrás,&lt;br /&gt;onde se aquece a vida e a chuva&lt;br /&gt;quando nos molha de acordares.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Ficas imerso e acompanhado desse ruído borbulhante&lt;br /&gt;no súbito silêncio da tua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhas para mim, emergindo, mas já não olhas de verdade&lt;br /&gt;e a tua boca começa a encher-se de espuma&lt;br /&gt;como se estivesses a engolir nuvens.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4554187675374085837?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4554187675374085837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4554187675374085837' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4554187675374085837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4554187675374085837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/08/espuma-dos-dias-ou-o-banho-brincar.html' title='PELA ESPUMA DOS DIAS OU O BANHO A BRINCAR'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Y52Vz-aWyps/Tk1AIaLC2OI/AAAAAAAAIFU/SqdBH7W83Rg/s72-c/IMG_1839.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8704601229878854577</id><published>2011-08-16T17:13:00.015+01:00</published><updated>2011-08-17T15:37:26.120+01:00</updated><title type='text'>NEM SONHO NEM BRISA, O ACORDAR DA IMAGEM</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-zgfQ6_DJ5ZQ/TkqYlGaWMdI/AAAAAAAAIFE/jQ-Mz8a-Uoo/s1600/IMG_1829.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 124px; height: 190px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641489246378668498" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-zgfQ6_DJ5ZQ/TkqYlGaWMdI/AAAAAAAAIFE/jQ-Mz8a-Uoo/s200/IMG_1829.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-8R_78DkGMzU/TkqYTp9nzcI/AAAAAAAAIE8/Yf5Gy7e54ak/s1600/IMG_1830.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 116px; height: 200px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641488946684218818" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-8R_78DkGMzU/TkqYTp9nzcI/AAAAAAAAIE8/Yf5Gy7e54ak/s200/IMG_1830.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-8R_78DkGMzU/TkqYTp9nzcI/AAAAAAAAIE8/Yf5Gy7e54ak/s1600/IMG_1830.JPG"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-8R_78DkGMzU/TkqYTp9nzcI/AAAAAAAAIE8/Yf5Gy7e54ak/s1600/IMG_1830.JPG"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;    ***************&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem sonhos nem o efeito da brisa sob os véus da janela suposta entre as pálpebras ainda inchadas. Imagens sim, podemos falar delas, imagens que se libertam, a todo o custo, da realidade à qual porventura estão ligadas. Fotografias? Também, porque não? Os cisnes passam perto delas, numa semelhança de diferenças, mas as penas ou são ilusórias ou se perderam entre ancoragens, amarrações ou no desfazer dos laços. A fotografia finge tanto como a pintura, chega a fingir que é sombra a sombra que afinal a habita desde há muito. Seria, possível, no desfazer desse fingimento, iluminar de forma lenta cada parte destas ondulações, fios, tecidos, ou penas desfocadas, tornando cada vez mais claro o acordar destas imagens? Talvez como se nos fosse dado o talento de recriar o visível, bolhas de pano molhado emergindo da escuridão, o mistério do invisível abrindo-se num jogo matinal de aparecimentos. Apesar  das concavidades ainda insondáveis e das aparências obscuras que tenderem a permanecer ali até ao rodar do dia, horas perdidas da tradução em escrita das previsibilidades de cada brilho, de cada bordado dentro ou atrás dos fios, estampagem, inércia dos artifícios ornamentais. Lembro-me de ter chegado aqui, um dia pela manhã, deslumbrando-me com a suave claridade que começava a aparecer nas janelas, atrás da respiração lenta e calada dos painéis finos, transparentes, que sempre velavam a objectividade excessiva das coisa aparecendo na grelha de madeira pintada de branco, branco  mas na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;delicada cinza&lt;/span&gt; dos panos tradicionais que nos protegiam do ardor da luz os olhos transitando, a espreitar de lado. Mas agora não sei se vou voltar a este amado lugar, curvas do tempo e do visível meio desfeito, casa revisitada, amada, onde os portas diziam os seus versos do fundo das estantes e muitos testemunhos da antiguidade cobravam o seu lugar arqueológico nos intervalos das palavras. Candeias árabes, moedas rústicas das nossas primeiras dinastias, o ouro belíssimo que D. Fernando mandara cunhar, o estudo comparado das religiões  e das almas, almas a cores, como as torturadas aparições em «Julieta dos Espíritos», de Fellini, ou as mutações malabaristas dos fantasmas fabricados pelos espiritas brasileiros, em nome da ciência, rostos na sombra, desfocagens de meninas vestidas de branco, um sopro do Além agitando a vela solitária, na quase noite carregada de murmúrios. Aqui, os espíritos, são os esplendorosos rostos dos meus avôs paternos, beleza da feição antiga, marcas de fungos num canto inferior. Mas talvez me concedam a força voltar aqui no próximo ano, abrir estas janelas, passar os cortinados sedosos pelas mãos crispadas de frio, oh, isso não sei. A porta bate, com o vento. De súbito, pousando na calçada, um pequeno  pássaro confunde o frio com o medo. Imobiliza-se para se fingir morto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_TFdkEsm4O0/TkqYIk-qhFI/AAAAAAAAIE0/oNunTw6Nt6c/s1600/IMG_1834.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 400px; height: 227px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641488756367852626" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-_TFdkEsm4O0/TkqYIk-qhFI/AAAAAAAAIE0/oNunTw6Nt6c/s400/IMG_1834.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-4OyA9YeEAZA/TkqX_0QqQLI/AAAAAAAAIEs/QyqOJBlea7g/s1600/IMG_1833.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 400px; height: 219px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641488605851041970" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4OyA9YeEAZA/TkqX_0QqQLI/AAAAAAAAIEs/QyqOJBlea7g/s400/IMG_1833.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-cU49aHL3Ktk/TkqX1nm1R4I/AAAAAAAAIEk/ZmwinstCDCM/s1600/IMG_1831.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 400px; height: 228px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641488430655686530" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-cU49aHL3Ktk/TkqX1nm1R4I/AAAAAAAAIEk/ZmwinstCDCM/s400/IMG_1831.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;fotografias de Rocha de Sousa&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-8704601229878854577?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/8704601229878854577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=8704601229878854577' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8704601229878854577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8704601229878854577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/08/nem-sonho-nem-brisa-o-acordar-da-imagem.html' title='NEM SONHO NEM BRISA, O ACORDAR DA IMAGEM'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zgfQ6_DJ5ZQ/TkqYlGaWMdI/AAAAAAAAIFE/jQ-Mz8a-Uoo/s72-c/IMG_1829.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5607639447873692730</id><published>2011-08-04T15:25:00.016+01:00</published><updated>2011-08-06T11:37:15.179+01:00</updated><title type='text'>NASCER PARA CRESCER, CRESCER E MORRER</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-KVcfgMO2274/Tjqv-rb1w9I/AAAAAAAAIEc/oNXcTjvq420/s1600/IMG_1801.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 136px; height: 169px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637011374953841618" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-KVcfgMO2274/Tjqv-rb1w9I/AAAAAAAAIEc/oNXcTjvq420/s200/IMG_1801.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 138px; height: 320px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637011191741611522" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-i0g-C47_NYU/Tjqv0A6o_gI/AAAAAAAAIEU/U7tjUfj6Vks/s320/IMG_1805.JPG" border="0" /&gt;Ninguém sabe quando nasce, nem porquê nem para quê. Conscientes de tanta coisa em volta, a fecundação, os fetos sangrentos, os meninos já toldados da melancolia e da dúvida esperam, no canal gelatinoso da vida, o momento da chegada. Antes a penetração, perto do acaso, num certo ovário, de uma certa mulher, de uma certa família. Trazendo consigo um karma de vida e saudade, na certeza da morte, branco de estímulos, excepto a força ardente do oxigénio nos pulmões e o modo como o tocam, tão diferente da sua aconchegada placenta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após algum tempo de maternidade e de urgência das tetas, lavado e vestido, o menino cresce. E é nessa altura, como se disse atrás, que os sentidos se perturbam, se interrogam, diante de coisas sem nome, embora as pudesse pisar e sujar nelas as pequenas mãos do emergir da idade da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 320px; height: 268px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637010780724507426" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yjZOrHTyAnM/TjqvcFwhsyI/AAAAAAAAIEE/Za0IONHgTMs/s320/IMG_1804.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Sentado num ponto alto, já homenzinho como ouvia dizer as vizinhas, o Carnaval apanhou-o a descer sobre o universo da família, uma grande cara junto de si. O menino não era mais  do que um balãozinho pousado na cabeça do seu irmão, um homem já grande, esse sim, capaz de o levar às cavalitas e de se embrenhar, entre as estrelas do céu, nos ombros e cabeça do &lt;em&gt;outro, o anterior, o irmão. &lt;/em&gt;Verdadeiramente, ninguém se conhece nessa altura, começa-se a brincar, a ver e aprender coisas dos adultos. E então o menino pensava: não posso andar sempre neste homem-cavalinho. Andarei pela mão. Andarei pelos lagos do jardim. E ele afastar-se-á um pouco, anos depois. O menino foi um dia à Escola: era no número 33. Valeu-lhe a sorte, porque quando chegou à idade da tropa, ganhou o nome numérico de 333, a conta que Deus fez, e começo de estudos mais difíceis. Tinha acabado o estudos de Belas Artes quando, no quartel onde se encontrava, o convocaram para a guerra que deflagrara em Angola. Era uma guerra de que ele não sabia nada, porque, enquanto menino, menino mesmo, levara a ouvir relatos da Grande Guerra, e viu cinema, e leu revistas, e começou a pressentir que lhe havia de calhar um calhau daqueles. Lá foi para Angola, em 61, num navio aparelhado para transportar três mil homens. Ele estava melhor servido, na zona habitável e não nos porões ataviados com altas e triplas camas de madeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aqui em baixo, por volta dos 20 anos, cá está o menino depois da metamorfose, fotografado solitariamente no Colonato do Vale do Loge. Ainda faltava tempo, mas, fosse qual fosse a indignidade daquela guerra dita colonial, houve longas aprendizagens, o corpo cheio de vitalidade, grandes «tempestades» de medo em lenta guerrilha e longos minutos de pacificação, assim, exactamente como o menino homem se olha e parece dizer: ainda aqui estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; width: 263px; height: 320px; text-align: center; display: block; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637007266861557842" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-tZfvs0qopPo/TjqsPjmUKFI/AAAAAAAAID8/n9lkLzorPro/s320/IMG_1808.JPG" border="0" /&gt;                                                                               &lt;span style="color: rgb(204, 204, 255);"&gt;auto-retrato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Voltou noutro barco, tendo beneficiado de uma rendição individual por estar nomeado para o liceu D. João de Castro. O barco parecia ser todo para ele. À noite, num dos decks, via filmes e sonhava com a família. Contra tudo o que decorria aqui e além, foi ali que ele viu pela primeira vez um filme fascinante, «A Sede do Mal», de Orson Welles. Nunca mais se desligou das artes visuais e da escrita, que é feita de letras e palavras e frases, pintando também o  mundo, visualizando a guerra de há pouco e os jardins em volta de lagos, num país longínquo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5607639447873692730?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5607639447873692730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5607639447873692730' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5607639447873692730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5607639447873692730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/08/nascer-para-crescer-crescer-e-morrer.html' title='NASCER PARA CRESCER, CRESCER E MORRER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KVcfgMO2274/Tjqv-rb1w9I/AAAAAAAAIEc/oNXcTjvq420/s72-c/IMG_1801.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-151488712295201073</id><published>2011-07-15T14:46:00.007+01:00</published><updated>2011-07-15T15:55:16.938+01:00</updated><title type='text'>A  LEVE E CLARA ARGUMENTAÇÃO DO SENSÍVEL</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-cNcrmYhMV6g/TiBF67_6XhI/AAAAAAAAIDE/aFNhiBzNKgg/s1600/IMG_1476.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 329px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-cNcrmYhMV6g/TiBF67_6XhI/AAAAAAAAIDE/aFNhiBzNKgg/s400/IMG_1476.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629576413053607442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-THGhEVdIFTU/TiBFZ6bqAHI/AAAAAAAAIC8/W5Nywr6EYFI/s1600/IMG_1483.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 126px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-THGhEVdIFTU/TiBFZ6bqAHI/AAAAAAAAIC8/W5Nywr6EYFI/s200/IMG_1483.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629575845697421426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-hbXVObIwEno/TiBFNw9b4wI/AAAAAAAAIC0/aRTWVMBfh4s/s1600/IMG_1474.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 124px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-hbXVObIwEno/TiBFNw9b4wI/AAAAAAAAIC0/aRTWVMBfh4s/s200/IMG_1474.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629575636996317954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pinturas de Isabel Sabino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;visível&lt;/span&gt; é um fenómeno complexo da nossa natureza, por vezes relacionável com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;invisível&lt;/span&gt; ou a denegação do real. Vimos aqui, não há muito tempo, um notável conjunto de obras de Isabel Sabino, cuja poética e cuja estética se podem evocar, em perfeita coerência, com as actuais peças, o melhor que conhecemos na ordem rapidamente esquecida da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pintura anacrónica. &lt;/span&gt;Havia&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;naquelas obras talvez um segredo, da pintura ou do real ou dos conceitos algo paradoxais que atravessavam as cenas de um provável jardim, espaço revisitado na óptica do humano mas a perder-se, inútil, na espessura pouco encorpada do seu abandono ao vazio. Após um eventual &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desastre, &lt;/span&gt;as ausências sucederam-se e as imagens que podíamos contemplar traziam em si uma inefável relação entre a morte e a beleza.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Associemos esta espécie de paradoxo à famosa sequência do fotógrafo, em Blow-Up: julgando ver e fotografar uma cena de amor, o seu dom operativo, na manipulação dos negativos, revelou-lhe que a sequência antecipava um crime. Uma hipotética cena de amor torna-se&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;no grão fotográfico de uma cena de assassinato. Há algo de parecido com o mistério da&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; piscina,&lt;/span&gt; nos anteriores trabalhos de Isabel Sabino e o seu actual &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;jardim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;«Aguarelando» sem rebuço através de tintas acrílicas, Isabel parece fazer aquilo que é recorrente  nos ginásios, exercícios de aquecimento, coordenando a mancha, a gestualidade e a minúcia de uma aventura de ambíguo destino. Há mais experiências destas, por vezes paradoxais ou despojadas de algum  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;assunto &lt;/span&gt;sustentando um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tema.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Se olharmos para as obras que abrem o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;após estas (fotografia convocada para várias sustentabilidades)&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;a luz é nitidamente m ais afirmativa, de uma poética fresca, apelando a todos os elementos&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;figurativos para essa solidez matinal, entre plantas e leves construções, que podem lembrar composições cénicas, porventura mesmo cinematográficas, de certas escritas da arte britânica, diluições brumosas, quase sem sombras, onde tudo parece recuperado de um património cultural já aberto, lúdico, sem crispações. São, além do mais, um belíssimo uso da pintura representativa para investigar todos os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;géneros &lt;/span&gt;dela. A embriaguez expositiva do século XX tem tudo a ver com isto: porque, quanto mais se desmanchava por dentro e por fora de si própria, aproximando-se do seu motor invisível, mais espectáculo produzia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem título&lt;/span&gt;, mas ruidosamente&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, ou elegendo &lt;/span&gt;estruturas&lt;span style="font-style: italic;"&gt; mínimas, &lt;/span&gt;tintas solitárias&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, &lt;/span&gt;sempre em volta de uma descoberta verdadeiramente decisiva, por implosão ou imagem minimalista. O facto é que, sempre depois das contas, nada que mudasse o mundo aconteceu de facto sob a brutalidade dos experimentalismos todos, mega suportes, rias singelas.&lt;br /&gt;Voltemos a Isabel Sabino no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;País das Maravilhas. &lt;/span&gt;Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lugares &lt;/span&gt;para os quais ela nos convida são imediatamente admiráveis: são paisagens de sítio nenhum. A autora quer aspirar ao aprazível e ao jogo de encenar figuras e objectos naquela paz silenciosa. Há aqui uma pintura representativa mas não mimética nem académica. Então, damo-nos conta de que o tempo já passou por ali, nódoas, rachas nas paredes, chão fino de quase nada, partes de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;puzzle &lt;/span&gt;que Isabel, pensando o lugar, o ser e o ver, reboca para um tempo humanista que tende a recuperar o céu. Brincando. Numa leve e clara argumentação do sensível. Um mundo narrado assim, enquanto a pintora aponta atmosferas brancas, líricas, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«debaixo das folhas das árvores voando pétalas amarelas e verdes ou violetas», &lt;/span&gt;as flores do nosso imaginário.&lt;br /&gt;__________________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do artigo «Sem paisagem, na paisagem» cuja publicação no JL falhou por um incidente técnico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-151488712295201073?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/151488712295201073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=151488712295201073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/151488712295201073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/151488712295201073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/07/isabel-sabinosem-paisagem-na-paisagem.html' title='A  LEVE E CLARA ARGUMENTAÇÃO DO SENSÍVEL'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-cNcrmYhMV6g/TiBF67_6XhI/AAAAAAAAIDE/aFNhiBzNKgg/s72-c/IMG_1476.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4147140557085188673</id><published>2011-07-12T10:46:00.002+01:00</published><updated>2011-07-13T15:46:52.700+01:00</updated><title type='text'>QUADRO ENQUADRADO NO QUADRO DO ERÓTICO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-2y0Qss2Cfcc/ThxtnfuvqII/AAAAAAAAICs/Abqw86BWb2M/s1600/IMG_1605.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 314px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-2y0Qss2Cfcc/ThxtnfuvqII/AAAAAAAAICs/Abqw86BWb2M/s400/IMG_1605.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628494159606163586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;veja depois de ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;As obras  de arte, respeitados os direitos de autor, são por vezes &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;material &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;para novas derivas. O conceito de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;remake&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt; integra a resolução de uma obra inspirada de perto noutra, por vezes muito perto da fonte, noutros casos distanciando-se para o domínio da metáfora, do simbolismo, agarrando na forma e no conteúdo uma parte do fio condutor do que terá sido apenas uma boa narrativa, mais ou menos despojada de valores ontológicos e na prática das escritas óbvias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Esta imagem, foi publicada com outra função nas revistas, sobretudo em termos de publicidade, perto de uma fragrância corporal ou erótica. Podemos reparar que o  que o aquecequecimento da cor e de um aperto do enquadramento, são factos que sublinham o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido &lt;/span&gt;e a ideia de corpos que se enlaçam e sentem para além da sua aparência. Se esta ligeira metamorfose permitiu alterar contexto e conteúdo, aprofundando com alguma nitidez e plasticidade o clima erótico, há &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;casos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt; em que o proceocedimento representativo, meio oculto, torna o apelo da imagem nos levam mais longe ao limbo do desejo, porventura reconfigurando os estímulos  do imaginário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4147140557085188673?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4147140557085188673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4147140557085188673' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4147140557085188673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4147140557085188673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/07/quadro-enquadrado-no-quadro-do-erotico.html' title='QUADRO ENQUADRADO NO QUADRO DO ERÓTICO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2y0Qss2Cfcc/ThxtnfuvqII/AAAAAAAAICs/Abqw86BWb2M/s72-c/IMG_1605.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2248894396783881493</id><published>2011-07-11T16:32:00.000+01:00</published><updated>2011-07-11T17:07:00.484+01:00</updated><title type='text'>ORA DEUS NÃO PARTE PEDRA, O HOMEM  SIM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-_XKLNbl-v4U/ThsYuXDYKeI/AAAAAAAAIB8/YB69xMNXOvI/s1600/1482736.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 258px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-_XKLNbl-v4U/ThsYuXDYKeI/AAAAAAAAIB8/YB69xMNXOvI/s400/1482736.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628119344070797794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Exemplo de calçada à portuguesa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta velha arte, que alguns associam a inspirações espirituais, é estruturalmente uma forma de tratar o ambiente, de fazer arte, como vemos em&lt;a href="http://rochasousa.blogspot.com/2011/07/pedras-da-calcada-vindas-da-mao-humana.html"&gt; certos desenhos&lt;/a&gt;&lt;a href="http://rochasousa.blogspot.com/2011/07/pedras-da-calcada-vindas-da-mao-humana.html"&gt; &lt;/a&gt;de Paula Prates. E nós mesmos temos ensaiado. Prates desenha de forma quase naturalista e sintetiza composições pictóricas com uma base semelhante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2248894396783881493?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2248894396783881493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2248894396783881493' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2248894396783881493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2248894396783881493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/07/ora-deus-nao-parte-pedra-o-homem-sim.html' title='ORA DEUS NÃO PARTE PEDRA, O HOMEM  SIM'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_XKLNbl-v4U/ThsYuXDYKeI/AAAAAAAAIB8/YB69xMNXOvI/s72-c/1482736.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-3523736938532988051</id><published>2011-07-11T12:03:00.000+01:00</published><updated>2011-07-11T12:04:51.843+01:00</updated><title type='text'>ONTEM AO ENTARDECER, O CÉU ROMPEU-SE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-Atno1CN2O9E/ThrYvofJtMI/AAAAAAAAIBs/D4T4K02LQP0/s1600/014.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 273px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Atno1CN2O9E/ThrYvofJtMI/AAAAAAAAIBs/D4T4K02LQP0/s400/014.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628048997186385090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não esperava nada, suponho que no fundo do meu inconsciente se formava a  imagem de um céu a romper-se, vazio de nada depois. Hei-de cogitar  sobre esta percepção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-3523736938532988051?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/3523736938532988051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=3523736938532988051' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3523736938532988051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3523736938532988051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/07/ontem-ao-entardecer-o-ceu-rompeu-se.html' title='ONTEM AO ENTARDECER, O CÉU ROMPEU-SE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Atno1CN2O9E/ThrYvofJtMI/AAAAAAAAIBs/D4T4K02LQP0/s72-c/014.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2427926791359540540</id><published>2011-06-17T14:44:00.000+01:00</published><updated>2011-07-10T13:57:08.062+01:00</updated><title type='text'>ARTE PODE DIZER A VERDADE PELO EMBUSTE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q03m4ETFjM4/TftbztIP9XI/AAAAAAAAH-8/CJArX9RdFPE/s1600/IMG_1517.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 315px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619185903920477554" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q03m4ETFjM4/TftbztIP9XI/AAAAAAAAH-8/CJArX9RdFPE/s400/IMG_1517.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; fotografia de Miguel Baganha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Digamos que a arte não é uma coisa nem um conjunto de coisas. Mas o que serão as coisas sem a arte para as sonhar ou dizer, aceitando nomes, silhuetas, desperdícios?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em boa verdade, essas junções, corpos nomeados e mortos por uma simples alcunha, nada disso nos escapa, entre paradoxos e cataratas da memória, um fio de nostalgia, um sentimento de surpresa. Vou pela rua e deixo que o meu olhar se assuma &lt;em&gt;voyeur&lt;/em&gt;, aconchegado aos reflexos das montras e aos riscos de uma vandalização pueril. Foi por isso que tive de parar, fazendo uma volta de pequenos passos, da direita para a esquerda, a fim de reconstruir o que as minhas sensações mal haviam indagado no campo tão contingente de percepção visual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retocado o ponto de vista, acertei o vértice das lajes que formavam o passeio: os botins de senhora, azuis pardo, tacões bem esguios, jaziam, bem perto da parede mas arrumadamente quase em ângulos rectos através da orientação dos canos, um adoçado à parede, pouco erudita, e o outro, descendo na minha direcção, lado esquerdo, paralelo ao primeiro, ou quase, e o outro, descendo na minha direcção, lado esquerdo, paralelo ao primeiro, ou quase, enquanto as pontas das botas, cada uma para seu lado, naturalmente à esquerda e à direita alta, garantiam a saúde do &lt;em&gt;design &lt;/em&gt;proposto, mas não tinham alcançado um perfeito e oriental alinhamento, fosse ele qual fosse, com o desenho dos ângulos das lajes, rectos, de bicos voltados para nós, dois completos e um pequeno triângulo sobejamente atrás da bota mais além. Sinais curtos, de cima para baixo (doze, pelo menos) eram a modernidade instrumental do sopro, assim, cadilhos breves, chovendo sobre a irónica composição instaladora que se completava em baixo. Ali, no ponto de vista que resgatou uma particular imagem do devaneio quotidiano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas isto não é nada disto, obviamente, ou pode não ser. Primeiro, porque as botas de senhora não são restos sarcasticamente abandonáveis. Segundo, porque o desenho angular ou modular do chão em pedra está longe de formar um suporte irreparável para as coisas «&lt;em&gt;abandonadas».&lt;/em&gt; Terceiro, há uma distância mais ou menis previsível entre o tempo do lançamento dos &lt;em&gt;sprays&lt;/em&gt; e o resto.Assim, podemos admitir dois aproveitamentos transitórios das coisas como coisa&lt;em&gt; em si.&lt;/em&gt; Donde a fotografia passa ao nível do &lt;em&gt;fait-divers&lt;/em&gt; e as botas terão em breve o &lt;em&gt;seu dono.&lt;/em&gt; Sociologi- camente, podemos citar, nesta &lt;em&gt;instalação,&lt;/em&gt; um retrato do quotidiano do século XX (ou mesmo XXI), ocasional ou propositado, que acabará por reflectir, conforme o nosso juízo, o despudor do consumo e a visão redutora da utilidade dos equipamentos urbanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;__________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com base em excertos de obras de Foucault, este pequeno ensaio de indagação sobre a coisa vista repõe o problema da percepção, do real e do visível, da representação e da aparência, da instalação e do embuste. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2427926791359540540?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2427926791359540540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2427926791359540540' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2427926791359540540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2427926791359540540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/06/pela-arte-se-finge-o-que-pode-ser.html' title='ARTE PODE DIZER A VERDADE PELO EMBUSTE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Q03m4ETFjM4/TftbztIP9XI/AAAAAAAAH-8/CJArX9RdFPE/s72-c/IMG_1517.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5325486914657061600</id><published>2011-06-02T13:21:00.000+01:00</published><updated>2011-06-02T18:02:36.019+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='genocídios'/><title type='text'>IMAGENS DE GENOCÍDIOS CONTEMPORÂNEOS</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hMdIQUhzOIY/TeeKdruc82I/AAAAAAAAH-w/AA9FMpLSnpo/s1600/IMG_1462.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 204px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613607703099011938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-hMdIQUhzOIY/TeeKdruc82I/AAAAAAAAH-w/AA9FMpLSnpo/s400/IMG_1462.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;strong&gt; entre os conflitos que ainda hoje estão a começar um pouco por todo o mundo, evocam-se&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; genocídios que marcaram o século XX e que nos despertam para o futuro, tendo em vista o que há bem pouco tempo ocorreu em vártios pontos do globo, a fragmentação do que foi a juguslávia e o horror em certos países africanos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;como aconteceu no Burundi, 800.000 mortos que não tiraram o sono aos europeus, nem perto da linha que tanto atrai a NATO para a Líbia.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 385px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613607169559552722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-QsdBy1wxeTU/TeeJ-oIu4tI/AAAAAAAAH-o/arJmI1durp0/s400/IMG_1459.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;Ontem, ao entardecer, entre coisas indevidas por todo o chão, havia gente no passeio, entardecendo, murmúrios de gente que nem movia os lábios, gente curvada, pisando as folhas, passos lentos. Ao entardecer, ontem, eram velhos aliviados do peso da vida sem rumor nem temor por isso. Eles ladeavam, em deriva, a ideia da morte e os lugares dos mortos para sempre. Lugar negro. Passo a passo. Perdidas as sandálias no chão invisível, e nem sequer se dava por um fio de matéria pisada, passo a passo, pés descalços entretanto, as pernas nuas sob o manto das horas acabadas. Horas acadas assim, até a brisa se confundir com o bafo das meias palavras no curto pisar das folhas, passos quase longe, um riso curto de si mesmo. Chegaram então as luzes. Ou surgiram miniaturais no horizonte crispado. Era um cerco de luzes parando os passos, retorno torneando os que estavam ficando, temor no urmor vindo dos lados todos. Os que vinham em silhueta, vinham sem olhos, todos cegos entra a venda contra as pálpebras e a mordaça nas bocas, porque as falas também dão a ver, ver sobretudo por cima daquele rumor abrangente, a crescer, vasto círculo aumentando o seu espaço para negar a natureza do seu centro onde se viam, finalmente as populações emigradas. desatentas, temendo coisas estranhas e muito mais inquietantes do que o relento das noites. Ouviam-se ordens rápidas e ríuspidas, de longe, de perto, em volta, luzes afinal cegando quem estava livre de ver. De súbito, uma imensa e rangente trovoada rompeu o espaço, rente às cabeças apertas pelas mãos. Era um som a rolar atrás de uma chuva de estilhaços ou mais de cem mil tiros soltando-se em rajadas sem parar, rente, laminatmente, como a grande foice do Apocalipse. E a luz começou então a tremer, com tanto fogo e tantas sombras, gente de súbito irreconhecível, parecia tropeçar, desistir da corrida, ferida, e já ali perto montes e montes de mortos, atirados sem ordem no acaso dos casos, sobre moribundos que procuravam renascer, clamado, impróprios, pelas mães que já ninguém sabia quem eram. Que foi isto? Quem nos quer tanto mal? Arcanjos de asas pretas, diziam duas velhas já de luto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;______________________________&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5325486914657061600?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5325486914657061600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5325486914657061600' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5325486914657061600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5325486914657061600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/06/imagens-de-genocidios-contemporaneos.html' title='IMAGENS DE GENOCÍDIOS CONTEMPORÂNEOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hMdIQUhzOIY/TeeKdruc82I/AAAAAAAAH-w/AA9FMpLSnpo/s72-c/IMG_1462.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2457285608686586095</id><published>2011-05-13T19:08:00.000+01:00</published><updated>2011-05-14T16:05:35.744+01:00</updated><title type='text'>O MANDANTE E O MATADOR, AO ANOITECER</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2TrIrbwVvCs/Tc11fkte5mI/AAAAAAAAH9o/-3c1OBj5rA4/s1600/IMG_1375.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 289px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606266296436975202" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2TrIrbwVvCs/Tc11fkte5mI/AAAAAAAAH9o/-3c1OBj5rA4/s400/IMG_1375.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Tenho ordem para matar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Engoli uma pedra esta manhã.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Pão de pedra, passos na hora.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Achei coisa de engolir depressa, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;os passos partindo, nocturnos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Mas depressa a coisa ficou presa na garganta, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;nem pão nem pedra.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Falta-me o ar,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;bebo água que logo retorna, inútil.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Meto os dedos na boca,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;empurro o pão para o estômago,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;pão ou talvez pedra.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;É pedra, certamente,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;mas incha como pão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;e eu julgo estar prestes a vomitar, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;entre pausas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Deixo-me cair de joelhos, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;apoiando o queixo no cano da arma engatilhada.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Que vem por aí, que respiração é esta?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606266031387048866" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lxH2a-Mg-PI/Tc11QJUp-6I/AAAAAAAAH9g/13tVuZcaNrs/s320/IMG_1378.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;A arma engatilhada, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;os meus pés já enviesados&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;arrastados pelo chão.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;De joelhos, sobre calhaus redondos e pretos,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;a lua acesa por cima &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;da minha cabeça tombada.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606265792491239842" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-z9yKeXAHLWk/Tc11CPXdOaI/AAAAAAAAH9Y/XI_VNDPugz8/s320/IMG_1377.JPG" border="0" /&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Tenho ordem para matar,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606265491830378706" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-j3PTq4xmWnw/Tc10wvUUkNI/AAAAAAAAH9Q/0zUpaOS8XMQ/s320/IMG_1376.JPG" border="0" /&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Duros, os calhaus nos joelhos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Dura, e já imensa, a pedra&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;tomando conta das minhas entranhas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;É urgente, raios, partir a pedra seja como for&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;e vomita-la.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;Agoniado como nunca,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;curvo a espinha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;forçando o vómito&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;num urro interminável&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;&lt;strong&gt;como se me rasgasse em sangue&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;&lt;strong&gt;e a pedra solta-se, de súbito, ao contrário:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;na avidez de me salvar accionara o gatilho,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;e centenas de mais pedras entraram-me pela boca aberta&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;num estoiro imenso:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;o tiro a que eu estava mandado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;cumpria-se assim, invertido,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;num brutal desmando.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 401px; DISPLAY: block; HEIGHT: 241px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606265114339239474" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-HVhkJe9l-Zo/Tc10axDa5jI/AAAAAAAAH9I/s4THdc-ZzOA/s400/IMG_1379.JPG" border="0" /&gt;&lt;em&gt; versos de rocha de sousa e fotografias de maria jawaa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2457285608686586095?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2457285608686586095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2457285608686586095' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2457285608686586095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2457285608686586095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/05/o-mandante-e-o-matador-ao-anoitecer.html' title='O MANDANTE E O MATADOR, AO ANOITECER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2TrIrbwVvCs/Tc11fkte5mI/AAAAAAAAH9o/-3c1OBj5rA4/s72-c/IMG_1375.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-642898255786232151</id><published>2011-04-26T09:35:00.000+01:00</published><updated>2011-04-26T14:58:54.355+01:00</updated><title type='text'>UM MILAGRE INDUZIDO COM  SAPOS E RATOS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599890869645073234" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-qPu881fCvqU/TbbPE5Il21I/AAAAAAAAH8M/OtOd4AEdWVY/s320/IMG_1322.JPG" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 199px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599890619785865554" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ADwjeA_LSH8/TbbO2WVg6VI/AAAAAAAAH8E/29YnQfYuZpU/s200/IMG_1312.JPG" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599890459553806818" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-x0Fs8XSHgDA/TbbOtBbNueI/AAAAAAAAH78/XC2P6QyrhLM/s200/IMG_1314.JPG" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 197px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599890274119150770" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-DmEvmNbt5Bw/TbbOiOoJbLI/AAAAAAAAH70/AlFzKADCKCY/s200/IMG_1316.JPG" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 140px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599890008959554882" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-BtmqsL7vAB8/TbbOSy1LFUI/AAAAAAAAH7s/pv9KnZlfvtg/s200/IMG_1317.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 346px; DISPLAY: block; HEIGHT: 349px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599817256757834322" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-jI2nUe9Lqek/TbaMIDwnMlI/AAAAAAAAH68/MuwQrtndaBQ/s400/IMG_1319.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desandavam os céus no início da tarde.&lt;br /&gt;Um sapo fora arrastado até ao tampo da mesa.&lt;br /&gt;Deixou-se esticar e crucificar na madeira seca&lt;br /&gt;e adormecer com o perfume do clorofórmio.&lt;br /&gt;Cortaram-lhe o peito, fazem ranger a matriz do osso,&lt;br /&gt;e várias pinças puxaram, em simetria, o manto da pele,&lt;br /&gt;afastando para cada lado as duas abas da caixa torácica,&lt;br /&gt;e daí a pouco jé se via o pequeno coração a bater,&lt;br /&gt;grande pulga arroxeada, aos saltos, viva,&lt;br /&gt;e ninguém sabia dizer donde vinha aquela energia,&lt;br /&gt;quem segurava o ritmo e reforçava magias&lt;br /&gt;com o fim de o observar vivo.&lt;br /&gt;O olho do saber,violando a sua privacidade,&lt;br /&gt;recebera apenas orientações para observar o pulsar da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o coração parou&lt;br /&gt;e ninguém mais o conseguiu reanimar,&lt;br /&gt;alguém disse, sem a menor compaixão:&lt;br /&gt;podemos estudar na mesma,&lt;br /&gt;mal se imagina quantos ratos cobaia falecem por dia,&lt;br /&gt;carregados de tumores implantados,&lt;br /&gt;intoxicados por vacinas em análise,&lt;br /&gt;as fémeas esventradas aré ao seu pequeno útero,&lt;br /&gt;sós como nunca,&lt;br /&gt;e assim sempre usadas, para, entre outras veleidades,&lt;br /&gt;permitirem ulteriores trabalhos, não para confirmar a morte,&lt;br /&gt;mas para que deles se refaça, à escala dos homens,&lt;br /&gt;o milagre da ressurreição. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-642898255786232151?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/642898255786232151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=642898255786232151' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/642898255786232151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/642898255786232151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/04/o-milagre-redentor-dos-sapos-e-dos.html' title='UM MILAGRE INDUZIDO COM  SAPOS E RATOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qPu881fCvqU/TbbPE5Il21I/AAAAAAAAH8M/OtOd4AEdWVY/s72-c/IMG_1322.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4363955217376843924</id><published>2011-04-10T18:59:00.000+01:00</published><updated>2011-04-21T22:12:16.616+01:00</updated><title type='text'>VIAGENS E GENTE NUM INQUIETO ACONTECER</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3Qwhl83Vd0I/TaHwXLKtpUI/AAAAAAAAH4s/hZdi7bZ4uJg/s1600/IMG_1275.JPG"&gt;&lt;img style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 261px; display: block; height: 400px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594016493096248642" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-3Qwhl83Vd0I/TaHwXLKtpUI/AAAAAAAAH4s/hZdi7bZ4uJg/s400/IMG_1275.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 51);"&gt;LANÇAMENTO DO LIVRO: DIA 16, 18 h, Hotel Real Palácio,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 51);"&gt;rua Tomás Ribeiro,115 LISBOA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;Os meus apelos sempre foram de orientação pluridisciplinar, quer quando lia semanalmente «O Mundo de Aventuras», riscando, pelas horas de silêncio, perturbadoras bandas desenhadas, quer quando escrevia, numa velha &lt;em&gt;remington&lt;/em&gt; de meu pai, histórias mais ou menos tristes, entre postais ilustrados de palácios em ruínas. Fui, desde cedo, um amador de paixões e um fabricante de brinquedos alternativos. Haverá em breve oportunidade de ler este livro e reflectir sobre os modos diversos através dos quais a vida de certa gente (uma família inteira, por exemplo) se concentra e dissolve em planos de imagens inquietantes, a maior das nossas aprendizagens, sem métrica, matemática ou redutores automatimos. Há aqui, de certa maneira, histórias de vida, o enlace da nossa falsa inocência (em meninos) com a palpitação do desenho e do sonho, a chegada da razão e da consciência. Fio de escolhas, aliás, entre a infinidade das percepções enganadoras e os encobrimentos de uma privacidade inalienável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;Todos me foram dizendo, desde a adolescência, que os meus talentos apontavam para a pintura, embora eu soubesse que essa indiciação se confundia concretamente com outras viagens, outras famílias, um gostoso artesanato de escritas e leituras na base de Júlio Verne e Flamarion. Marte tinha canais, sim senhor, a Lua vivera um tempo de mares e continentes. Mal sabia eu que os telescópios desse tempo estavam apetrechados com grossas lentes para congénitas miopias. Não reparem no alinhavo destas notas. E devo dizer-vos que a fala deste texto, ao iniciá-lo, voa por uma sugestão mansa &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%; color: rgb(255, 204, 255); font-family: trebuchet ms; font-size: 100%;"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 204, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 255);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Vá devagar, mãe, como naqueles dias em que tudo parece lento, a chuva, até os sonhos, os seus passos.&lt;/strong&gt; Ora esta tentativa de começar um filme doméstico, porventura tocado de impressivas memórias, acontece cerca de trinta anos depois dos longínquos dias dedicados à praia, solidões arenosas e gente ainda rara. O tempo, nesta obra, ocorre a quem escreve em termos de descontinuidade, porque, em idades adiantadas, só se pode calcular maturidades dedilhando comovidamente os laços antigos, sob a memória das equações ainda erradas mas já fascinantes. Por isso é que a mãe Maria morre numa data absurda, já a guerra se aproximava do fim e já a pastosa aprendizagem do desenho com paus de carvão, diante de cabeças em gesso, me segredava que esse deixara de ser o caminho do futuro. E um dia, perdido num comboio quase vazio, em que o tempo parecia lento e dissipado, a melancolia que Angola me cravara no peito atravessou comigo todo o Alentejo meio deserto, apesar de sinalizado, de longe em longe, por casinhas espalmadas no alto das colinas, donde os cães desatavam a ladrar contra a grande «anomalia» da máquina a vapor, fumegante, porventura ameaçadora, rolando majestática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;Uma simples frase retirada do corpo deste livro, pode gerar sentimentos, gritos para nada, sentimentos que atravessavam a história e pareciam decidir por ordem os devaneios festivos ou vidas e mortes ao acaso: &lt;em&gt;Maria, descida à terra, abraçando os ossos que diziam ter sido retirados da urna já pôdre onde meu pai fora colocado e na qual se desfizera como no poema em que ele dizia ter o corpo preso à terra e via a sua alma voando de mundo em mundo. &lt;/em&gt;Como se vê, este livro é sobre um acontecer inquieto, arrancado à terra, à vida e à morte da família, onde se convoca pela arte os desentendidos destinos humanos, entre grandezas efémeras e gente mastigando desordenadamente, no limite do absurdo, a sua difícil condição humana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;Incapaz de perceber e viver a cidade grande, a verdade é que nas Belas Artes, ao contrário do que diziam vozes iníquas, nada nem ninguém me furou os olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4363955217376843924?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4363955217376843924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4363955217376843924' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4363955217376843924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4363955217376843924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/04/talvez-viagens-e-gente-num-inquieto.html' title='VIAGENS E GENTE NUM INQUIETO ACONTECER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3Qwhl83Vd0I/TaHwXLKtpUI/AAAAAAAAH4s/hZdi7bZ4uJg/s72-c/IMG_1275.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4647110037640112981</id><published>2011-03-17T19:19:00.000Z</published><updated>2011-04-21T22:08:19.236+01:00</updated><title type='text'>POR UM LIVRO QUE SE ENCOBRE A SI MESMO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-bNDZPfznlKM/TYJfIBKn_EI/AAAAAAAAH3c/xOYReZBRdxE/s1600/IMG_1180.JPG"&gt;&lt;img style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 262px; display: block; height: 400px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585131079249427522" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bNDZPfznlKM/TYJfIBKn_EI/AAAAAAAAH3c/xOYReZBRdxE/s400/IMG_1180.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt; &lt;em&gt;Este é um livro de desencanto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Palavras convocadas pela autora deste livro e com quem mantenho uma correspondência de reflexão e partilha de experiências, assim mesmo, num longo encontro que se tem mantido sempre no espaço virtual de uma distância carregada de viagens imaginárias, cada um de nós fazendo o impossível puzzle de nos conhecermos sem nos olharmos face a face. É um caso de reflexão. E a leitura desta obra fez-me sonhar com espaços e nostalgias que tantas vezes me assaltaram quando estive em Angola, numa guerra destituída da verdadeira história e à qual dediquei um livro. O afecto que partilhamos tem uma parte da sua natureza nesta revelação de um ao outro, contemprâneos e desconhecidos, fábula entretanto desenvolvida na obra escrita de cada um de nós. Todos os meus livros destes últimos têm sido lidos e avaliados pela Jawaa, uma voz certa e melódica tanto no seu blog como na passagem pelo sentido daquilo que escrevo, artigos, textos para livros, livros e ilustrações, memória da pintura que fui fazendo e através da qual trocamos opiniões sobre o mundo, o homem, a consistência ou inconsistência do ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Iria Augusta Cardoso é uma daquelas pessoas que se viram forçadas a abandonar Angola, em Setembro de 1975, na ponte aérea pela qual se garantiu o transporte de milhares de potugueses de Luanda para Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Escrevi algumas linhas sobre o livro «Memória do Esquecimento» na impossibilidade de ir ao seu lançamento. Olhei muitas vezes para este desenho a cores, uma memória de outras narrações, fruto sensível e conceptual de alguns trechos que Iria me concedeu sobre a sua vida em Angola. O livro tinha sido terminado e eu, num repentismo encantatório, desenhei digitalmente aquela imagem, tanto quanto poderia parecer-se com a outra, com a verdadeira, e porventura numa África menos azul e mais baça pela humidade no ar quente, atrás de florestas e anharas, bichos supostos que assumem o mito, pois a pureza e a secularidade das famílias passa mais pelos pássaros, plantas, flores, borboletas, lentos rios a perder-se no horizonte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;«Se o &lt;em&gt;tempo é o nosso pior inimigo, &lt;/em&gt;frase bem conhecida de Albert Camus, talvez se possa compreender melhor como qualquer &lt;em&gt;esquecimento &lt;/em&gt;só acontece ao certo quando nos for possível ou inevitável dissipar partes da memória, ou toda ela. Mas, tanto quanto podemos avaliar, os acontecimentos narrados neste livro situam-se num tempo e num espaço onde, além da memória do real, há também, ou sobretudo, referências a factos &lt;em&gt;verdadeiros.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;A beleza desta obra, a sua força poética e a memória dos próprios sonhos, vogam acima dos espaços, por cima do mundo, resulta de olhares que olham aqui e além, e nos traduzem a voz interior de uma espécie de omnisciência &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%; color: rgb(153, 153, 255); font-family: trebuchet ms; font-size: 100%;"&gt;— &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;narração sem contornos aritméticos, ou lógicos, ou sequenciais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Os factos, as imagens, podem esfumar-se mas não perdem, contudo, o contorno da verdade. Nem eles se apagam na sua condição histórica, passando apaziguadoramente à condição de perda, nem as eventuais fracturas de algumas cenas já brancas impedem a nossa travessia pelo sentido das coisas e dos seres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;do amigo, outra vez, João Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4647110037640112981?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4647110037640112981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4647110037640112981' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4647110037640112981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4647110037640112981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/03/voz-de-um-livro-que-se-encobre-si-mesmo.html' title='POR UM LIVRO QUE SE ENCOBRE A SI MESMO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-bNDZPfznlKM/TYJfIBKn_EI/AAAAAAAAH3c/xOYReZBRdxE/s72-c/IMG_1180.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4205400578617573188</id><published>2011-02-17T18:07:00.000Z</published><updated>2011-02-17T19:29:45.486Z</updated><title type='text'>QUANDO DEUS USA A EUTANÁSIA EM SOLIDÃO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ccl1Wp84__A/TV1kd0UkiyI/AAAAAAAAH2A/4i7E72UpdlU/s1600/IMG_1064.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 290px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574722377178450722" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ccl1Wp84__A/TV1kd0UkiyI/AAAAAAAAH2A/4i7E72UpdlU/s400/IMG_1064.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#cccccc;"&gt;oito anos de morte em profunda solidão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O país dorme no cansaço da crise. Como já envelhecera em famílias ordeiras sob o eufemístico rigor de Salazar. A morte era tratada em litúrgica beleza, triste ou trágica, por famílias que acompanhavam as floridas encenações em horas de espera ou marcha, velando os defuntos como se ainda estivessem dormindo, daí a pouco prontos para uma espécie de ressurreição pacificante. Os velhos morriam a tempo e horas, após os últimos martírios, por vezes inconscientes sob os efeitos da morfina, aplicada sempre que possível e aconselhável, líquido administrado no instante mais terminal de todos, ou na espera dura, derradeira, para que o fim concreto do acamado pudesse depender apenas da decisão &lt;em&gt;divina.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Com o avanço da medicina e a ordem pública do Serviço Nacional de Saúde, os idosos tornaram-se cada vez mais velhos, embora alguns ganhem o &lt;em&gt;benefício&lt;/em&gt; de passar os cem anos, juntando a memória do tempo monárquico aos ventos da República, ao 25 de Abril e a estranhas inovações entre as escolas e os hospitais, entre as finanças e as esmolas do Estado aos mais deprimidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Mas há bons sinais que antecedem as marcas da perda, crises nacionais e internacionais, entre as tinyas sujas mas niveladoras da globalização, algo que um dia acabará com os países, as histórias, as culturas, apenas para dar forma a um enorme&lt;em&gt; bingo&lt;/em&gt;, sem rosto nem identidade verdadeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;E falando nocamente em sinais, devemos reflectir o mais possível nos mortos solitários, casos de outrora mas também, impensavelmente, de agora, achados aqui e além, por vezes nove anos depois de se haver partido o fio da vida. Quem é esta gente? Que anunciação pode atingir-nos desta maneira, ao lado das estradas e dos carros de luxo, das cidades atulhadas, das emigrações aterradoras, reinventando por mar aquelas, nos anos 60, as que os portugueses assumiam a salto, sonretudo para França. Alguns morriam por lá, mas não, apesar de tudo, ao abandono. E deixavam em Portugal uma casa de bonecas, todas parecidas umas com as outras, simbiose de culturas, o gado recolhido em baixo, a escada exterior, a ben-aventurança no piso superior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Na fotografia aqui inserida, em baixo e depois de um corpo morto (pintura), corpo descomposto de uma pobre avó sem pertences nem filhos nem netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cVK-VENgwTI/TV1kWORcNcI/AAAAAAAAH14/aQfgZLZUJDk/s1600/IMG_1067.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 309px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574722246705690050" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-cVK-VENgwTI/TV1kWORcNcI/AAAAAAAAH14/aQfgZLZUJDk/s400/IMG_1067.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;lugar e apoio aos solitários idosos foto de Adriano Miranda&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Um jornalista sádico legendou a fotografia, na base de uma citação institucional, esta frase&lt;/span&gt;: &lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;o ideal é que os idosos se mantenham no seu ambiente, desde que acompanhados por estruturas de apoio.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;É como falar na defesa do inquietante património destes fantasmas. Alguns responsáveis desta área da organização social falam de idosos que se encontram autónomos e a viver nas suas casas, tristes e sós. Perto de 40% dos idosos sobrevivem nessa condição um resto de vida, em casa, com mais de 65 anos de idade e auito-sequestrados (ou doentes) durante mais de oito horas por dia, admitindo, em certos momentos e de viva voz, que se sentem todo o tempo tristes e deprimidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Villaverde Cabral, do Instituto de Envelhecimento da Universidade de Lisboa, fala da «urgência» (talvez uma urgência imanente que vai escapando cada vez mais aos gritos mutilados do género humano) e aponta a necessidade de meios e métodos para amparar este fenómeno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;«É pena que tenha de haver casos trágicos como este para que a opinião pública tome consciência do problema cada vez mais frequente do isolamento em que vive uma grande parte dos idosos.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O Sistema, ao contrário, é que criou condições geradoras do mo do como estas mortes acontecem. Porque os vizinhos (opinião pública) sempre e depressa ajudaram os lugares habitados e a narrativa da vida não acontecia apenas e por acaso na televisão. A solidão que leva a estas mortes sem qualquer chamamento é o ramo perverso do abandono sistemático das pessoas sem meios que talvez se entreguem, exangues, ao último prato de fome. Lá fora, depois do deserto do país, saltita a cultura meridional do consumo e do crescimento. Qual crescimento. Que indecência é essa de imaginar tampões da apoio antes que os cães desatem a correr pelos quintais e venham devorar os próprios humanos seus companheiros? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Fechem depressa as catedrais do consumo, em papelão e publicidade interminável. Visitem os que não precisam de prémios nem de descontos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Entre as notícias sobre este assunto, destam-se seis casos de descobertas de pessoas mortas em casa, sozinhas, algumas («desaparecidas») há muito tempo. Augusta Martins, 95 anos, Rinchoa, Sintra, foi encontrada morta após 9 anos. Em Matosinhos, um homem morto assim, só foi encontrado após instantes protestos dos vizinhos. Cantanhede: um reformado do Exército, 71 anos, esteve morto, durante três meses, em casa. Amadora: Ex.PSP, Ernesto Henriques. esteve morto em casa dez dias. Ourém: Corpo de homem de 67 anos encontrado em Ourém. O laconismo da notícia começa a ser significativo. Faro: Um homem de 65 anos morreu sozinho na sua habitação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Quantos mais casos haverá por este país fora, fruto de uma sociedade onde ascmunidades se desfizeram e a pressa de antecipar o futuro conduz as pessoas a comportamentos alucinatórios e a esquecimentos como estes. Há sítios onde muitas portas fechadas desde há anos, habitação de vizinhos que foram perdendo o rosto, vão certamente ser abertas com mais frequência. É que uma decente organização civilista pode passar a encontrar, em casas e lugares, mais vivos do que mortos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4205400578617573188?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4205400578617573188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4205400578617573188' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4205400578617573188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4205400578617573188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/02/quando-deus-usa-eutanasia-em-solidao.html' title='QUANDO DEUS USA A EUTANÁSIA EM SOLIDÃO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ccl1Wp84__A/TV1kd0UkiyI/AAAAAAAAH2A/4i7E72UpdlU/s72-c/IMG_1064.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7284127316671364489</id><published>2011-01-31T11:50:00.000Z</published><updated>2011-02-07T16:41:29.242Z</updated><title type='text'>A PARTILHAR COM NOZOLINO UM VER DORIDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUalX-6XMrI/AAAAAAAAHzY/9BnPrSBxUX0/s1600/IMG_1011.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 295px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568319820733559474" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUalX-6XMrI/AAAAAAAAHzY/9BnPrSBxUX0/s400/IMG_1011.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUalSIWYh8I/AAAAAAAAHzQ/PikLSz-0AGA/s1600/IMG_1010.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568319720187791298" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUalSIWYh8I/AAAAAAAAHzQ/PikLSz-0AGA/s400/IMG_1010.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;fotografias de Paulo Nozolino&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Tocado pela excelente entrevista de Clara Ferreira Alves ao fotógrafo português Paulo Nozolino, revendo alguns &lt;em&gt;nocturnos de minha autoria&lt;/em&gt;, fiquei submetido a esta &lt;em&gt;escrita&lt;/em&gt; da imagem fixa e sabendo, mais uma vez, que tudo isto se desmorona com a indiferença geral e as soluções recreativas proliferando um pouco por toda a parte, forma de abortar todos os renascimentos da lucidez e do gosto, banalizando às liturgias do consumo as grandes formas de pensar que marcaram o século XX. «Nozolino, como acentua Clara a propósito deste artista, é um dos mais inteligentes e lúcidos fotógrafos do mundo e do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;mundo&lt;/span&gt; que ele escolheu fotografar. Não &lt;em&gt;é &lt;/em&gt;um lugar poético e terminal que nos é descrito numa linguagem de secura e beleza perigosas.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;strong&gt;CFA, &lt;/strong&gt;contornando a brevidade de um almoço com Paulo Nozolino, preferiu falar com o artista na casa dele, «uma conversa no estúdio feita de cigarros e um copo de água. Paulo Nozolino &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; como a fotografia que faz. Não há desperdício nem erro. Não há indolências»&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Tendo em conta o seu prestígio internacional e o extraordinário currículo de Nozolino, gerado em muitos lugares e partes do mundo, CFA indaga: Porque é que voltaste?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«Porque estamos condenados a padecer aqui.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Porquê padecer? Isto é a tua casa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«Não, isto é o lugar em que eu nasci. Calhou. Uma pessoa só se apercebe onde está por volta dos &lt;span style="color:#cccccc;"&gt;15 anos. Antes, é a infância. Filho único, a falar sozinho, a brincar sozinho. Cromos, normal. Liceu Francês, Liceu Camões.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;A bela e simples viagem ao longo da vida deste homem cujo olhar tem produzido excepcionais percepções do mundo, felizmente «aprisionadas» na fotografia, é-nos dada pelo texto exacto de &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;CFA&lt;/span&gt;. Ali ficamos a saber que Nozolino, descendente de portugueses, tem italianos na sua genealogia, e houve também piratas genoveses que faziam tráfico de escravos para Cabo Verde O avô era de Cabo Verde. Era militar. Tenho sangue italiano, sangue negro, sangue judeu»&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;«Ouvia música. Dylan. Quando ouvi "Like a Rolling Stone" (tinha uns 10 anos) foi um choque brutal.»&lt;/em&gt; Nozolino fala da voz de Dylan, o som &lt;em&gt;mono&lt;/em&gt;, um som fabuloso. Diz que ouviu aquilo sem saber como se chamava. Depois dessa primeira vez, só encontrou essa referência três anos depois. Era uma descoberta marcante. Em redor, naquele tempo, havia pouca informação sobre todas essas coisas, literatura, poesia, artes plásticas, cinema. Tudo tão pouco que não podia ser só isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«Política? Era tabu em casa. Só sabia que não queria estar na Mocidade. Tinha um grande amigo no liceu Camões, o único que parecia interessado nas coisas de que eu gostava.»&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;strong&gt;CFA: e a ameaça do serviço militar? A guerra de África?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Apanhei um período de grande turbulência e mal-estar com a minha vida em Lisboa. Como é que se pode ver o "Easy Rider" no Império e vir para a rua e ver a Fonte Luminosa? Eu queria aquela estrada. Sair.» &lt;/em&gt;Paulo Nozolino confessa que começou a beber e decidiu estudar pintura, fazendo um curso rápido nas Belas Artes. Mas é então &lt;em&gt;que escolhe &lt;/em&gt;a fotografia. &lt;em&gt;Uma namorada fotografada com a primeira máquina. Um corte na relação dela. Acabou por perdê-la na Almirante Reis. Nunca mais a viu. Não estava tudo perdido. «Não se perder&lt;/em&gt;&lt;em&gt; tudo, pode guardar-se alguma coisa do que se viveu. Não estava tudo perdido.»&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Londres?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«Eu queria sair daqui. Quanto antes. O meu pai ajudou-me muito. No London College of Printing aprendia-se tudo, desde as artes gráficas à impressão. Apesar das ajudas, sobreviver fez de mim porteiro de noite, "sex shops», imensas coisas, andam por aí. Mas acho que sim, que foram os melhores anos.»&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Partilha casa com Sic Vicious.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Paulo Nozolino numa experiência terminal. O grupo. Ambiente insalubre. Era um &lt;em&gt;squat.&lt;/em&gt; Mudavam de um lado para o outro. Partiam objectos de casas abandonadas em King's Road, mesas e cadeiras, para alimentar a sua própria lareira. Paulo declara que nunca fotografou esse espaço inominável. A droga segurava as pontas. E a primeira máquina que teve, a sério, foi uma &lt;em&gt;Nikon.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;&lt;em&gt;«Na escola aprendi coisas técnicas e nas galerias aprendi o resto. A fotografia americana encheu os olhos e a mente de muitos de nós. Mas pensei em coisas diferentes. E entretanto a fotografia imperava, os meios americanos também. Abundavam os estímulos e as contradições de gosto.»&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Apesar da importante tradição inglesa, das modalidades praticadas pelos americanos, além do fotojornalismo, a verdade, reconhece Nozolino que nessa altura  - &lt;em&gt;«Eu não sabia o que queria fotografar. Nos primeiros cinco anos andei à deriva. Muitas horas de câmara escura. A realidade não existe, o que existe é o que fica no filme». &lt;/em&gt;(aqui devia haver um link para o Blow-Up). &lt;em&gt;«Da nota à frase final, o mais importante é a edição. Não queria que ficassem coisas que já tinha visto. E queria coisas que fossem um bocado eu, ou mesmo muito eu».&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;CFA, a fotografia como espelho?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«Sempre achei que a fotografia é muito pessoal. Na escola era empurrado para coisas concretas. Jornalismo, moda, publicidade.» Era como uma recruta em que a mínima ordem se tem de cumprir. Mas quem se prepara como um soldado ganha alguma coisa com isso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;«O McCullin regressou sempre à guerra. Até poder. Agora fotografa paisagem. Fico arrepiado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;quando penso nele e no seu carisma. Ainda me passou pela cabeça ir para o Vietnam».&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;CFA, Tens vivido em movimento, mas a fotografia tem, em ti, uma qualidade de quietação inquietante. Mas não pode haver silêncio. E como se recusa, entre as explosões que nos cercam, o movimento?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;«Isso já tinha sido tão bem feito pelo Cartier-Bresson. O instante decisivo. Eu queria um anti-instante decisivo. O momento da contemplação. (...) O movimento que nos atira ao contrário do real, obriga-nos a desejar, até ao desespero, parar e contemplar. Compreendi que havia coisas que não podiam ser fotografadas em movimento». &lt;/em&gt;Ele diz: é preciso sentar no passeio, pousar as máquinas e ficar a olhar para a mesma coisa durante meia hora. A contemplação. A mobilidade de que me falam é outra coisa: é saber que &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;isto está aqui e estará aqui para sempre.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 330px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568319265949394914" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUak3sLgp-I/AAAAAAAAHzI/VD6nR8BMS80/s400/img_7865.jpg" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;fotografia de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt;Aqui, e antes de tudo, preciso pedir desculpa por assumir esta partilha, na semelhança e na diferença. Nozolino é um fotógrafo altamente reportado, experimentado, e que se deslocou por esse inquietante território a que se chama &lt;em&gt;internacionalidade. &lt;/em&gt;Eu sou um professor universitário aposentado, crente no valor do esforço e da prática &lt;em&gt;multidisciplinar.&lt;/em&gt; A pintura seca depressa e imobiliza-se, mas pode ficar com indícios de uma decisiva e descobridora&lt;em&gt; mobilidade visual. &lt;/em&gt;Trata-se de uma arte absorvente e que o século XX desmultiplicou, recriou, dividiu em breves e grandes certezas. Mas isto não faz com que rejeitemos a coisa &lt;em&gt;pressentida&lt;/em&gt;, um rosto que passa por nós à janela de um autocarro e sobre o qual logo ficamos cientes da sua perda para sempre. Há fotógrafos que são caçadores desse instante suspenso ou do que resta dele, desfocado. O mundo é muitas vezes impróprio para a contemplação, mas tornar contemplável um instantâneo daquele rosto são milagres da fotografia e do cinema. Por vezes, na fotografia, o rosto olha-nos, incisivo, e mal percebemos que ele &lt;em&gt;ia&lt;/em&gt; em movimento. A mobilidade visual serve-se das artes do espaço e do&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204);" &gt; tempo para conceptualizar o real, para lhe arrancar os ângulos secretos e as impossibilidades da percepção. Que fazia o fotógrafo, em «Blow-Up»? Movia-se silenciosamente como os caçadores que esperam enquadrar uma figura na mira ou os fotógrafos tornar eterno um instante, reabrir as formas avassaladoras e justamente pela &lt;em&gt;edição.&lt;/em&gt; A provável descoberta do fotógrafo no filme de Antonioni tem a ver com a desmontagem do real para o contemplar, entre partes, o que nunca vemos com os olhos. O espelho é um breve engano. O cachimbo de Magritte é a declaração peremptória de que o real é impossível, ou melhor, é sempre mais, é sempre outra coisa, escapa-nos perante a obliquidade das distâncias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 332px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568318627669263394" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUakSiZqxCI/AAAAAAAAHzA/vSAe3vGeT8Q/s400/img_7868.jpg" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;fotografia de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;Oiçamos de novo Paulo Nozolino:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;Tudo é perecível, a coisa e a imagem, a pessoa e o suporte.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt; Não fases fotografia digital?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;«Não existe. Justamente, existe a contemplação e haver uma prova de contactos, com 36 fotografias que contam uma história, eu andei aqui, dobrei esta esquina, almocei aqui, dormi aqui, isso fica.»&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;br /&gt;Controvérsia pode gerar linhas divergentes, paralelas, cruzadas, sobrepostas. Nesse caso, uma delas é invisível, deixa de existir. Mas a linha recta, precisa, ao longo do papel, pode ser &lt;em&gt;uma figura &lt;/em&gt;contemplável ou a fortuita aparência de algo que esconde o próprio tempo. A menos que nos movamos para a esquerda e para a direita, encontrando todas as linhas anteriores. Esse tempo cinematográfico, gráfico também, não se gera por completo no olho nem na objectiva da câmara fotográfica: &lt;em&gt;é um conhecimento, através da mobilidade visual, dos equívocos da percepção e da representação.&lt;/em&gt; A alma de uma fotografia (um retrato, por exemplo) ressuscita de memórias anteriores, pode revelar dinâmicas ou colocar-nos a olhar para o fundo dela. Foi assim que descobri o &lt;em&gt;ser&lt;/em&gt; dos meus pais num retrato institucional de família. Desse quase impen&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;sável resgate resultou um livro: «Talvez Imagens e Gente de um Inquieto Acontecer» Essa também é uma forma de ultrapassar o perecível e alcançar no futuro um testemunho da verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 372px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568317133130898370" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUai7iz9G8I/AAAAAAAAHyg/gheJxrQ3oQI/s400/IMG_7867.JPG" /&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;fotografia de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;Os restos de um registo centenário são, apesar de tudo, uma permanência. E a mudança de enquadramento de uma mesma coisa, torna-a outra, sendo esse um dos pontos base da mobilidade visual. A fotografia que vemos aqui já esteve na nossa retina de outro modo. E parecia diferente ou mesmo outra coisa. As nossas bases para esta relação com o real são um ponto essencial da nossa formação, do nosso saber e do nosso ser. Os pontos que assinalam olhares nossos por esse espaço fora são muitas coisas. Um gesto. O amor na memória. A casa onde vivemos é uma base indispensável à nossa estabilidade mental: viajamos até ao Oriente e, quando voltamos, a casa é como um ser vivo e comovente, sentamo-nos e (eventualmente) choramos. Nozolino conta a sua experiência em Berlim. «Há lugares no nosso trajecto pelas coisa que nos deixam feridos. A descoberta do Holocausto levou-me para trás. É então que se compreende o que significa essa coisa terrível de invadir, ocupar, matar pessoas, conquistar. Arrumar tais realidades, ultrapassar o horror que deixaram entre nós, essa é uma tarefa importante da literatura.» Com ela e o cinema, Tarkovski faz-nos ouvir os poemas do pai. É isso a vida. «A verdade é o modo como eu interpreto o mundo. Essa experiência é essencial, o nosso sofrimento, a vida». _______________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;Este post decorre da entrevista assinalada acima, da acutilância de Clara Ferreira Alves e das próprias experiências do autor na pintura, literatura, cinema e acção docente. Só conheci Paulo Nosolino muito tarde, mas as nossas vidas, diferentes, foram contudo paralelas no tempo, no espaço, em certos padecimentos da alma, na espera, enfim, de não ser preciso desfechar um tiro na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,204,204)"&gt;RSousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7284127316671364489?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7284127316671364489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7284127316671364489' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7284127316671364489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7284127316671364489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/01/partilhando-com-nozolino-um-ver-dorido.html' title='A PARTILHAR COM NOZOLINO UM VER DORIDO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TUalX-6XMrI/AAAAAAAAHzY/9BnPrSBxUX0/s72-c/IMG_1011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4041338827141785652</id><published>2011-01-06T17:03:00.000Z</published><updated>2011-01-07T11:57:18.191Z</updated><title type='text'>LONGA TRAVESSIA ENTRE A MORTE E A VIDA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TSYID8gP0-I/AAAAAAAAHyU/MkcaC4VingY/s1600/IMG_0932.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559139653909468130" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TSYID8gP0-I/AAAAAAAAHyU/MkcaC4VingY/s320/IMG_0932.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 191px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559138175556969234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TSYGt5Ni4xI/AAAAAAAAHx8/6puC8ge66co/s320/IMG_0933.JPG" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;fotogramas de NOSTALGIA, de Tarkovsky&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;Estas duas imagens pertencem a dois instantes do longo e belíssimo travelling do filme NOSTALGIA, da Tarkovsky, num lugar vazio de banhos, lugar que o autor transfigura para uma sequência quase ritual ou litúrgica, a prece por alguém, a promessa de alguém, terrível travessia sobre pedras, restos de água, detritos de lata, na condição processional que é, só por si, e também, figuração do sacrifício e da esperança que a chama de uma vela transportada pelo personagem se mantenha contra a brisa do tempo indefinido. Duas vezes a chama se apaga, três&lt;br /&gt;vezes o &lt;em&gt;penitente&lt;/em&gt; recomeça. Ele ainda &lt;em&gt;nos &lt;/em&gt;explica, com os edos, que &lt;em&gt;à terceira é de vez&lt;/em&gt;, superstição das pessoas, propiciação da esperança e da perpetuidade do fogo em partilha com a água.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;Num silêncio nem absoluto nem puro, o homem mostra-se o grande inventor de todos os ritos e todos os mitos, com os quais procura exprimir-se para melhor se conhecer. A grandeza desta cena de Tarkovsky é, só por si, um filme completo, talvez a história de um Sísifo triunfador, exactamente quando conseque atravessar todo o espaço inominável, sempre com a chama acesa, numa delicadeza difícil de sustentar, e cujo sentido ontológico nos vem declarar a permanência dos elementos vitais, o fogo e a água.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;É porventura trágico viver-se numa época em que o objectivo deste inabalável discurso da travessia entre a morte e a vida, um renascer construído com tal metáfora, não voltará a ter equivalente no cinema de amanhã, aquele que se aproxima, tecnológico e autista, lúdico e impensável, como uma grande onda capaz de engolir cidades inteiras, sem direito a &lt;em&gt;restos&lt;/em&gt;, algo que talvez aponte um futuro onde a beleza ensurdecedora das obras de Tarkobsky não passrá de património arqueológico, devoradoramente investigado por alguns sábios cujo interesse reside, com efeito, em demonstrar que o homem do século XX já era um ser pensante, para o qual a filosofia vogava nas palavras e nas imagens, apenas tornando visível a profundidade confusa de todos os genocídios. Os cientistas que procuram o passado e as suas grandezas, talvez antecipações do futuro, índicações da morte irrevogável, saberão concluir que nunca mais haverá as Grécias de um tempo restrito, o silêncio significante de NOSTALGIA, porque se terão fechado as fábricas onde o pão se fazia contra o silêncio, à superfície e no abandono. A verdadeira &lt;em&gt;performance&lt;/em&gt; do homem não está em Deus, está, como Tarkovsky nos mostra, nele mesmo, pela Arte. Toda a transparência do ser está na singeleza ímpar deste rito, feito para lá do vazio, sempre através da água e do fogo, que muito poucos meditarão com esta exacta grandeza, daqui a cem anos, já sem arte nem sonhos, apenas de frente para a orgia espectacular, no crepúsculo da imagem do fogo bruxeleante e no pântano onde a água desaparece. Será um tempo em que, inexplicavelmente, cada vez mais, milhares de pássaros caiem do céu, sem razão nem ruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 403px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559137236045018450" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TSYF3NQcNVI/AAAAAAAAHx0/lmScONOJYDo/s320/IMG_0937.JPG" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;foto de Rocha de Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4041338827141785652?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4041338827141785652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4041338827141785652' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4041338827141785652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4041338827141785652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2011/01/longa-travessia-entre-morte-e-vida.html' title='LONGA TRAVESSIA ENTRE A MORTE E A VIDA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TSYID8gP0-I/AAAAAAAAHyU/MkcaC4VingY/s72-c/IMG_0932.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-423573298544282677</id><published>2010-12-20T17:09:00.000Z</published><updated>2010-12-20T17:57:50.394Z</updated><title type='text'>DECIDIR O LIMITE TERMINAL DO SOFRIMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TQ-PKOBCCEI/AAAAAAAAHwU/QCpf6VtPxow/s1600/IMG_8986.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 352px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552814271294998594" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TQ-PKOBCCEI/AAAAAAAAHwU/QCpf6VtPxow/s400/IMG_8986.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;foto de rocha de sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;A questão da vida &lt;em&gt;é &lt;/em&gt;questão da morte. Só a morte significa a vida. Albert Camus, em O MITO DE SÍSIFO, escreve: «Só há um problema filosófico. o suicídio.» Se estivermos perante um suicídio &lt;em&gt;por nada, só porque sim, porque basta, &lt;/em&gt;mais nos interrogamos sobre o &lt;em&gt;sentido&lt;/em&gt; da vida. E muito dificilmente aceitamos que o sentido da vida é ela &lt;em&gt;não ter sentido nenhum.&lt;/em&gt; Que o próprio homem pode &lt;em&gt;decidir&lt;/em&gt; contra a vontade de Deus. Pode pensar: estou em sofrimento e não sei porquê nem para quê. O absurdo desse sofrimento pode iluminar-se com as minhas próprias mãos, pelo livre arbítrio, através da porta de um suicídio dignificante. O problema de decidir sobre a morte, dignifica a indignidade de um sofrimento sem fim, como o de Prometeu agrilhoado, é um problema que respeita à consciência e ao poder que Deus nos legou. A eutanásia, como forma de superar uma dor ignóbil, o prolongamento de uma falsa vida vegetativa, atravessada por breves instantes de consciência no horror da total dissolução da carne, é verdade iluminada, é escolha do limite no limite, é o acto supremo da solidariedade. Só as situações extremas, tantas vezes ilustradas pela guerra, podem explicar o apelo o apelo à morte ajudada. Há situações de combate em que uma baixa súbita, completa, coexiste com a baixa por ferimento não imediatamente mortal mas sem a menor possibilidade de retorno: coloca-se um garrote na perna esfacellada e o que resta dela morre em poucos minutos, fora da consciência. Ao longo de uma hora, o garrote já não trava o fim e há no interior do corpo hemorragias irreversíveis, submetendo o paciente a dores insanáveis, à perda da fala, à proximidade da morte minuto a minuto. Restam dois companheiros com confortam o moribundo, com risco da própria vida e com as comunicações rádio cortadas, incapazes de&lt;em&gt; administrar o tempo e o tempo de aproximação das forças contrárias.&lt;/em&gt; O vivo quase morto atravessa um brevíssimo instante de consciência e exprime aos outros, com os olhos, que lhe cerrem as pálpebras. Carregados de ideias feitas, a força inibitória de certos lugares comuns, ainda hesitam muito tempo. Há duas opções neste caso anti-natura: eles acaam com o sopro de vida do companheiro claramente condenado ou eles esperam, procurando perceber se o companheiro já morreu ou ainda não, dúvida que os mata aos três com o rebentamento de um morteiro ali mesmo, dentro desta mistificação da vida, do heroísmo, em pleno &lt;em&gt;espaço do absurdo.&lt;/em&gt; Em muitas situações em que o dilema se coloca, em casa, nos hospitais, na solidão, a eutanásia tem o sentido da bem-aventurança dignificante. Quando alguém se encarniça sobre um semi-morto, administrando-lhe fluidos de efeito curto, não eternizável nem curador, esse alguém renega a força da razão e o sentido da medida, do tempo, do limite moral&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-423573298544282677?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/423573298544282677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=423573298544282677' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/423573298544282677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/423573298544282677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/12/antecipar-o-limite-terminal-do.html' title='DECIDIR O LIMITE TERMINAL DO SOFRIMENTO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TQ-PKOBCCEI/AAAAAAAAHwU/QCpf6VtPxow/s72-c/IMG_8986.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5186847441372607325</id><published>2010-11-23T10:55:00.000Z</published><updated>2010-12-05T13:53:01.484Z</updated><title type='text'>OLHOS NOS OLHOS, OLHARES INTRANSITIVOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TOuhUKaLBwI/AAAAAAAAHuc/YT3FQES1bwA/s1600/IMG_0417.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 358px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542701134173112066" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TOuhUKaLBwI/AAAAAAAAHuc/YT3FQES1bwA/s400/IMG_0417.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;Ninguém pode escrever o não limite de todas as teias. Desde os teus dedos finos, do teu olhar límpido, à barba encrespada do meu rosto. Olhas inteira para mim, tanto tempo depois, e já não encontras os sinais que animava a tua própria vida. Não sei se esta forma de estar anuncia a brevidade do tempo que me resta: tu olhas e também não sabes, sobretudo porque a tua vida só agora começou: passos destinados, saltos, os ombros em cruzeta, sem medo, vogando por cima da água turva, a retina e o sexo, vais com elas, as tuas amigas, quando eu ainda tinha essa idade e te pedia um bocado do capote por causa da chuva. Tu entras sempre nos meus livros que não chegam a ninguém, ficas apenas próximo do meu coração de trapos, deixo-te a vida completa de personagem amada, close-up do meu beijo escondido, quem eras? Eu sou quem descortinas, na sombra do último acto da vida, olhos baços, ardendo, tu atrás da retina e a palpitar num cinema primeiramente mudo, a cidade, o véu dentro da cidade, a coroa de rosas brancas a desprender-se mal dos teus cabelos finos, lá fora o fantasma da noiva e a música de uma só nota, fingindo motores, cais, a dor das partidas marítimas. Se morreste, não sei, mas se morreste foi injusto, terrivelmente cedo. Estou aqui para te substituir, só, a pensar em letras e palavras, mil palavras para a imagem de Ana Orwell morta, história dos crimes em todas as ditaduras, histórias que me contaram em surdina num recanto de bebidas em Buenos Aires. Não dançavas o tango, eu também não, mas agora ainda penso que talvez não tenhas sido tu a vítima daquelas noites, osso na vala dos outros, resgte em lágrimas agora, ao ver-te na fotografia que revela o sentido do teu olhar e encobre o resto. Nunca mais terei sobre mim um olhar como esse. Fico à espera não sei de quê, dedilhando palavras ao acaso, olhos no teu olhar suspenso. Fico à espera, ossos, memória, quase submerso no pântano da náusea. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 292px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542700836056367138" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TOuhCz1mgCI/AAAAAAAAHuU/eB6RZ96UBrQ/s400/IMG_0802.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffcccc;"&gt;&lt;strong&gt;olhares intransitivos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5186847441372607325?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5186847441372607325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5186847441372607325' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5186847441372607325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5186847441372607325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/11/olhos-nos-olhos-limite-de-todas-as.html' title='OLHOS NOS OLHOS, OLHARES INTRANSITIVOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TOuhUKaLBwI/AAAAAAAAHuc/YT3FQES1bwA/s72-c/IMG_0417.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-3719053711376277494</id><published>2010-10-11T18:19:00.000+01:00</published><updated>2010-10-11T19:23:06.156+01:00</updated><title type='text'>ODE À SAGRAÇÃO DAS PALAVRAS PERDIDAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLNHT3aJitI/AAAAAAAAHsw/4McOc6z0WD4/s1600/IMG_0481.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 197px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526839574330444498" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLNHT3aJitI/AAAAAAAAHsw/4McOc6z0WD4/s400/IMG_0481.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Deus escreve-se agora de outra forma, &lt;strong&gt;d&lt;/strong&gt;EUS. Ninguém sabe quais as letras que são dignas, uma, duas, ou quatro ou três. Escritas que remontam ao século XX, a cidade entre datas, rasgões uns após os outros e muitos mais a montante, god, meus, quatrocentos e setenta e oito há dias, armas aperradas, barreiras e ruas e descolagens sábias, outras vorazes, curtas, incompletas. Nada disso releva da verdadeira vida quotidiana, manhã com nuvens assim, arrendadas, arroba, margem de um rio desconhecido entre barragens, &lt;strong&gt;d &lt;/strong&gt;de deus, zeus, Odan num sítio lembrado por Camus, junto ao mar, gaivotas, não pombos, gente morta, jornal. Cada tira de papel descola-se ao vento, enrolada nos dedos, devagar, como aquela nuvem suja de Outono, tempo cuja caligrafia passa por dentro da chuva em Novembro, letras enlameando o chão, bocados de papel e cola endurecida, risos, rio, rombo, o barco feito de palavras em garamond, velho do velho Armindo, &lt;strong&gt;16&lt;/strong&gt;, cliente amputado do t e do e, agora arrastadamente senil, a vender castanhas, pobre barco sem &lt;strong&gt;b&lt;/strong&gt;, B grande, Caixa Alta, mais algarismos soterrados num rasgão, fundo negro e pasta para colar rolos de papel. Por baixo das linhas horizontais, corte sobre corte, há serviços propostos, &lt;strong&gt;três&lt;/strong&gt;, um &lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;, uma haste de &lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;, dobras penduradas, enoveladas, entre mais descolagens rasgadas, grandes letras em baixo, incompletas, indecifráveis, por cima talvez ARRECADAÇÃO, um buraco até ao fundo da parede metálica, esquina que &lt;strong&gt;deus&lt;/strong&gt; dobrou como qualquer homem invisível, os carros devagar, pardos, passando a diesel, Godot ou a palavra GOS, pode ser gostei, gostava, gostaria, rasa a parede cinzenta, entre buracos, vinte ou trinta camadas de cartazes, imensos, molhados, tardios, morrendo sobre letras salvadoras e nem sequer uma garatuja de meninos nascendo moços, zonzos de jogar o múmero ou a letra imprevisíveis para milhões de pessoas encobertas, passos, pernas inventadas malogradamente magras, pontas de um R meio escondido que impede perceber onde acaba a palavra ali começada, substituída, coberta com mais conceitos publicáveis, pública forma, Agosto ardendo, mais cola. Outono e as folhas empurradas, secas, sobre as pedras de calcário cúbicas, não escritas, pensadas, olvidadas, aqui se escreve e aqui se descreve, se desgasta e resgata, hoje sobre ontem, manhã, amanhã, deus rimando com zeus ao lado dos meus intransmissíveis sonhos. A cidade está morta. Deus ficou à espera. Ninguém sabe como descolar de nós esta dor vagarosa no limite da cegueira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;_____________________________________________________________  &lt;/em&gt;&lt;em&gt;imagem: fotografia e técnica mista, de Rocha de Sousa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-3719053711376277494?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/3719053711376277494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=3719053711376277494' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3719053711376277494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3719053711376277494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/10/ode-sagracao-das-palavras-perdidas.html' title='ODE À SAGRAÇÃO DAS PALAVRAS PERDIDAS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLNHT3aJitI/AAAAAAAAHsw/4McOc6z0WD4/s72-c/IMG_0481.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2164108196457540792</id><published>2010-10-10T14:03:00.000+01:00</published><updated>2010-10-10T16:03:39.783+01:00</updated><title type='text'>O LUGAR DO TROLHA DEPOIS DO ALMOÇO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLHPoEhxvtI/AAAAAAAAHsI/EyoIW54ZkiA/s1600/IMG_0473.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 333px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526426505077440210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLHPoEhxvtI/AAAAAAAAHsI/EyoIW54ZkiA/s400/IMG_0473.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt; o lugar e o tempo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Depois do trabalho da manhã e após um almoço avinhado na tasca ali perto, o trolha senta-se aqui, numa rua atulhada de casas velhas e novos automóveis. Deixa-se cair pesadamente no sofá-&lt;em&gt;maple,&lt;/em&gt; saca o seu tabaco da bolsinha pendurada ao peito e puxa a carteira amolgada das mortalhas de papel. Carrega de fios de tabaco o leve rectângulo bem escolhido do maço, guarda tudo para ficar apenas senhor dos meios elementares com os quais começa a enrolar um cigarro, devagar, os olhos baixos, os pés cruzados em repouso sobre o asfalto. Para fecho desta acção, corre a língua húmida a todo o comprimento da faixa de papel. Enrola um pouco mais, amaciando o cilindro imperfeito com os dedos em espátula, e só então remexe as coisas que tem no bolso da camisa meio enlameada das urgências do trabalho. Assim, respirando com avidez, recosta-se no assento e acende o cigarro preso entre os lábios. Até parece que metade dele arde logo às primeiras chupadelas. Mas não é bem assim: o que &lt;em&gt;explode&lt;/em&gt; no início é a parte anterior da mortalha não obstruída pelo tabaco e ele sabe disso muito bem. Porque não liga, parece dormir, o chapéu tombado para a esquerda, num deslizamento sobre a cabeça suada, e assim continua a puxar o fumo, gesto lúdico que acende a ponta do cigarro e nem deixa perceber o volume de ar implicado, nem mesmo quando o homem abre a boca em taça e empurra com a garganta, para cima, a nuvem que engolira profundamente. Este ritual vai durar cerca de meia hora e, pelo menos, mais um cigarro, entre cuspidelas de alívio atiradas ao lado, no asfalto. Nos dias de frio ou de chuva, torna-se mais difícil permanecer muito tempo naquele lugar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O trolha, já pesado, moído da vida e do esforço do trabalho, vai quase sempre para casa após o turno da tarde, ajoujado por utensílios, um casaco, o saco dos pratos e do tacho, alguma compra mitigada em honra do jantar quente. Sente, cada vez mais, o corpo todo dorido, tempo depois também o fundo do peito, uma dor no fim de cada aspiração do ar, ideia de limpeza do fumo que ele imaginava depositado na ponta dos pulmões, semana após semana, a nuvem se calhar pesada demais para subir. E a tosse começou assim, julgava ele, pela vontade de ajudar a nuvem de fumo a fazer de balão, a soltar-se da boca aberta como num longo grito de dor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A tuberculose voltava ao bairro, o trolha sabia disso e pensou no seu cansaço, na sua tosse, no vício que o tabaco instalara em si, mortalha após mortalha, um ardor na língua, um gosto supersticioso de morder a &lt;em&gt;ferida&lt;/em&gt; com o veneno do fumo, embora também calculasse que tal cura podia matar o doente. E que fazer, todos os dias, ao alvorecer, daí a pouco no transporte operário, sardinhas em lata, amolecidas pelo trajecto feito aos solavancos, uma hora para lá, duas horas ao contrário, visto que o retorno era feito nos transportes públicos, dois autocarros, o primeiro durante cerca de quarenta minutos, e o outro, sem contar com a espera, mais ou menos vinte minutos. O trolha tossia, envergonhado, para um lenço sujo, onde já vira uns fiozinhos de sangue. Pensava, sentado na rua, no &lt;em&gt;maple &lt;/em&gt;encarnado, que o seu corpo estava doente, imaginando coisas dos bronquios ou da garganta, e algum reumático daqueles dias húmidos suspenso dos altos patamares do edificio em construção. E pensava mais: pensava que podia andar envolvido com qualquer mazela dos pulmões, morrera-lhe um tio em pouco tempo, atravessado por forte pneumonia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O homem, zonzo, carregado de tabaco e vinho, chegou a ponderar uma ida ao hospital. E se me internam? Se tenho algum padecimento difícil de curar, que exige muito repouso mesmo depois do internamento? Ele tinha e não tinha razão. A falta de contratos rigorosos e justos havia de ter consequência  laminar no desconto do salário por cada falta ao trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Que raio é que eles querem da gente?, perguntava o trolha a si mesmo, sentado ao lado da lata de pedras, que levaria mais tarde para separar bem a horta do quintal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Chamava-se Armindo, este homem básico, apenas bizarro pela forma como se habituara a descansar depois do almoço naquele sofá velho, abandonado junto à calçada, que nunca fora removido pelos hipotéticos serviços camarários. E afinal, lateralmente contra a corrente de trânsito, foi ali mesmo que o Armindo adormeceu para logo morrer. Levaram-no os bombeiros no outro dia, quando alguém percebeu que o desgraçado dormira ali, sem se mexer, a noite inteira, o chapéu rolado até meio da rua. Chamava-se Armindo e vivia só.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLHMC_VXhQI/AAAAAAAAHsA/SGoHZU8n7FU/s1600/IMG_0475.JPG"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526422569493169410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLHMC_VXhQI/AAAAAAAAHsA/SGoHZU8n7FU/s200/IMG_0475.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;fotografias de Rocha de Sousa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;O texto não pretende resgatar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;qualquer &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;neo-realismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;É apenas uma reflexão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;sobre o lugar e o tempo&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2164108196457540792?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2164108196457540792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2164108196457540792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2164108196457540792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2164108196457540792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/10/o-lugar-do-trolha-para-depois-do-almoco.html' title='O LUGAR DO TROLHA DEPOIS DO ALMOÇO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TLHPoEhxvtI/AAAAAAAAHsI/EyoIW54ZkiA/s72-c/IMG_0473.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-663092049596960355</id><published>2010-09-24T16:15:00.000+01:00</published><updated>2010-09-26T18:36:22.640+01:00</updated><title type='text'>OBRA DE DEUS ECOGRAFADA NASCEU MORTA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TJ-D3ViwKFI/AAAAAAAAHqU/-S4rGpZ2C5Q/s1600/IMG_0424.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 198px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521276654878468178" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TJ-D3ViwKFI/AAAAAAAAHqU/-S4rGpZ2C5Q/s320/IMG_0424.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fotomontagem pouco antes do infausto acontecimento&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Alísia foi mulher na altura própria, tinha um corpo agilizado e fresco na forma já sensual, coxas flamejando a precocidade da sua avisada saúde, e usava então os cabelos compridos, sempre soltos. A sua vida na Universidade veio a desenrolar-se com clara naturalidade. Pertencia a uma geração do tempo do Erasmos, das viagens que atravessavam a Europa, dos casamentos emplumados e brancos e míticos, ancorados nos portos nupciais ou depressa em casa, já feita a partilha dos corpos, por vezes com filhos vindos das primeiras entregas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;As famílias, na classe média, esboroavam-se pelas lisboas da concentração defeituosa, mas Alísia, mesmo depois de casada, ainda podia abraçar os pais, alguma avó, primos e primas do engenho genealógico. O marido jogava bem o jogo dela, depressa saltaram barreiras, o primero filho, por exemplo, que era oferta do sangue e representação da família na lembrança do mesmo enlace.&lt;br /&gt;Eduardo e Alísia retomaram trabalhos e estudos, como se nada de preocupante tivesse acontecido. A família ajudava-se em certas horas de ausência, as irmãs, os filhos, essa comunidade cujas raízes subiram do fundo do tempo, regulares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;E um dia, em pleno jantar da irmã mais velha, Alísia levantou o corpo mal borrifado de vinho, fez um ar sério na direcção da rapariga, e disse:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Sabes, Maria, este jantar não é só para saudar o teu aniversário: serve também para te dizer que vais ter mais um sobrinho. Está aqui, dentro de mim, já a crescer, e peço que façamos votos para que tudo aconteça por bem.&lt;br /&gt;Um ano depois dessa alegria materializada em festa, depois também da precoce cerimónia do baptismo, o ritmo da vida do casal estabilizou numa espécie de velocidade de cruzeiro, entre o trabalho, a família, os projectos cuja dinâmica já lhes concedera coisas e favores. Mas isso envolvia a ideia de um segundo filho, gravidez tentada, preparada, assumida quando os sinais acusaram esse princípio dentro do seu habitat de metamorfose.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;A barriga de Alísia foi crescendo e ela dava por si, reclinada na sala, a sentir uma gostosa turbulência dentro do seu corpo, pontapés de que toda a gente falava, a pele do ventre dia a dia cada vez mais esticada, começando a formar balão, e um rosto placido de mãe, seguro, aberto às amenidades dos encontros. Houve momentos, apesar disso, sob os imperativos da espera, em que Alísia sentiu alguma impaciência, afagando a barriga para se aquietar com as respostas daquele ser entretanto diagnosticado no senso da ecografia. Por agora não é menino nem menina, dizia a médica a sorrir. Porquê? Porque não está em posição para se ver sem qualquer dúvida; e este feto parece caprichoso no comportamento dentro da sua bolsa. Alísia ficou um pouco ansiosa mas não exprimiu essa impressão a ninguém. Decidiu passear mais pelo bairro, quase todas as tardes. Ficava, com frequência, a olhar os meninos do parque que ali fora instalado, e deixava a mão deslizar distraidamente pelo volume redondo do seu ventre. Vigiava (quase sem o saber) a presença lúdica daquela vida a que se sentia ligada por estranhos laços, algo cujo sentido não era capaz de relacionar com o emergir da maternidade, com esse transporte para uma outra dimensão, a ideia do privilégio ou de bemaventurança. Se calhar tinha um sentimento mais social e comunitário, embora terno, da sua relação com o filho e o próprio papel que ele viesse a desempenhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Neste percurso natural e contudo bem complexo, Alísia, ao sentar-se no jardim, pensava cada vez mais na sua responsabilidade enquanto mãe e ser cívico. E, dia a dia com maior acutilância, a sua mão apalpava a barriga. Num dos dias da primeira semana do sexto mês, depois de observar com bonomia os gestos das mães estimulando e zelando pelos filhos no parque das brincadeiras, Alísia julgou perceber, de repente, que algo se passara no seu ventre. Procurou respostas mas o filho parecia adormecido. Um dia, dois dias, e o alarme biológico fê-la pensar na existência de qualquer mutação naquela enorme bolha de vida secreta que tinha sido, até então, o palpitar da sua gravidez. O marido ainda tentou sossegá-la, podia ser apenas a característica de uma fase. Pois sim, dizia ela, mas isso não nos deve impedir de sondar o estado do nosso filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Marcaram uma ecografia para a manhã do outro dia e apresentaram-se à médica com a maior naturalidade possível. Sentiu algum incómodo?, perguntou ela a Alísia. A moça encolheu os ombros: Não, não senti nada, talvez tenha sentido de menos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;O exame foi demorado, a médica concentrava-se o mais que podia, criando alternativas de visionamento e usando, por fim, apenas o estetoscópio, sempre a mudar as áreas de escuta. Depois de uma ligação ao amplificador, e olhando o registo horizontal no monitor, a médica acabou por desligar tudo, limpando, com algum desencanto, o ventre de Alísia. Afinal era uma menina, disse a médica num murmúrio, sem perceber que adiantara a notícia. Era? Sim, minha querida, lamento ter de lhe comunicar que a sua filha, por razões incertas, faleceu há algum tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Alísia foi então, no hospital, submetida a uma provocação expulsiva do feto, com a química habitual usada em casos semelhantes. Teve de esperar mais desta vez para um parto absurdo, uma espécie de paradoxo. Quando a resposta do corpo começou a chegar, e apesar dos preceitos de circunstância, Alísia viu-se compelida a ajudar o mais possível a que Deus acabasse a sua obra incompleta. Um parto assim, doloroso em dois sentidos, pela vida e pela morte, é um acontecimento humilhante, que reforça tantas das perguntas expressas por homens e mulheres em torno dos seus casos, das suas frustrações ou desistências. Alísia sentiu que tudo terminara, embora soubesse que terminara vários dias antes. A Natureza não tem consciência moral. E os erros da sua pulsação estão quase todos fora do nosso conhecimento racional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cccccc;"&gt;Alísia, pálida mas segura da sua &lt;em&gt;inocência&lt;/em&gt;, teve de ficar retida no hospital para que nenhuma sequela a afectasse, com melhor explicação e igualmente nenhuma justeza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-663092049596960355?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/663092049596960355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=663092049596960355' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/663092049596960355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/663092049596960355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/09/deus-ecografico-acabou-nascendo-morto.html' title='OBRA DE DEUS ECOGRAFADA NASCEU MORTA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TJ-D3ViwKFI/AAAAAAAAHqU/-S4rGpZ2C5Q/s72-c/IMG_0424.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7153088562006142032</id><published>2010-08-27T14:32:00.000+01:00</published><updated>2010-08-27T19:59:13.760+01:00</updated><title type='text'>DO DILÚVIO ÀS LAMAS ASSASSINAS E ETERNAS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/THfDDYyno7I/AAAAAAAAHnA/0k6E-rcIsx8/s1600/IMG_0320.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510087132072879026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/THfDDYyno7I/AAAAAAAAHnA/0k6E-rcIsx8/s400/IMG_0320.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;cheias diluvianas no Paquistão&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não sobra tempo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;para limpar toda esta lama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Donde vem tanta água, tanta lama,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;agora que as ondas do mar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;foram devolvidas ao oceano?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez do céu mudado em metano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A demorada persistência dos fumos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;parecia clamar pela chuva como salvação &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e alguém respondeu a isso com mais lumes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chuva de lama, enfim, a cair sobre a terra, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre cada serra,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e milhões de pessoas vivas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;assim sepultadas, sofridas,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ou submersas, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;imersas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;no pântano imenso&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;em que o mundo se tornara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oratória do medo mais intenso, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;além das guerras e de outras mortes,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;outros corpos apodrecendo então&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;por todos os declives de encostas fortes&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;até ao apagamento de todo o chão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Silêncios rasgados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rumores pressentidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ainda corpos descarnados em velhos jardins, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;talvez nos sítios encobertos onde floriam giestas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ou mesmo nos poços plausíveis das florestas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;entre o zumbido dos insectos carnívoros&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que sempre ali haviam permanecido, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;além de todos os males do homem afinal vencido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gárgulas sangrando, desertos e gargantas,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;caules mastigáveis, suco escasso de plantas,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tantas,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;todas, quebradas, quase secas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O destino destes povos, de quase todos os povos em volta,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;decide que sejam soterrados, sem revolta,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;o mar por cima, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;a terra também, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;como as cidades estilhaçadas&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;e os caminhos e os animais,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;esgotados,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;apagados, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;vivos nunca mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/THfCmol9GpI/AAAAAAAAHmw/IRDipTVTsm0/s1600/IMG_0319.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 170px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510086282298338226" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/THfCR7IlK7I/AAAAAAAAHmo/viJ0RY58lj8/s400/1020.JPG" /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;fotografia de rocha de sousa&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7153088562006142032?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7153088562006142032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7153088562006142032' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7153088562006142032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7153088562006142032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/08/do-diluvio-as-lamas-assassinas-e.html' title='DO DILÚVIO ÀS LAMAS ASSASSINAS E ETERNAS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/THfDDYyno7I/AAAAAAAAHnA/0k6E-rcIsx8/s72-c/IMG_0320.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4158179564935766701</id><published>2010-08-15T11:42:00.000+01:00</published><updated>2010-08-16T16:20:07.258+01:00</updated><title type='text'>OS INTESTINOS DO IMPERADOR  E O FUTURO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGfGuOPnsSI/AAAAAAAAHlo/0rGCiBrnreI/s1600/PINT.10.05.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505587566883615010" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGfGuOPnsSI/AAAAAAAAHlo/0rGCiBrnreI/s400/PINT.10.05.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Deslavado, obtuso, os olhos fixos no vazio, este «trinca espinhas» era o rei mais novo dos povos ditos cristãos, ainda mal integrados na orla sul da nação, gente de roubos amnistiados, filhos de um recrutamento selvagem e com belas promessas relativas a essa terra, uma terra luminosa e branca, com praias onde o oceano vinha derramar-se, devagar, em pequenas ondas que rolavam murmúrios sobre a areia longamente salpicada de pedras redondas, afeiçoadas, grande variedade de conchas, detritos de cascas rudes, outras brilhantes, prata ou lilás, espólio de milhares de vidas ali acabadas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;O rei sempre ouvira falar na dilatação da fé e do império. Reuniu os nobres e disse-lhes que queria atravessar os males do sul e continuar o reino além-mar. Os nobres, assombrados, discutiram durante três dias e três noites se deviam ajudar o rei. Acabaram por aceitar a aventura, se este tivesse maior número de recursos humanos. O rei tinha estado sempre calado, e havia dormido as noites da duração da conferência. Ao cabo de três meses, o rei assim se fez acompanhar, metido na sua carruagem almofadada, cavaleiros à frente e atrás, ladrões agenddados como mercenários, a fingir de peões da irregular infantaria, dias e dias a pé, enquanto as provisões vinham na rectaguarda, animais de porte, gente em massa, amassada, embebida no pó e nas ordens dianteiras dos capitães, lacaios de fidalgos, uma frente luxuosa, areada de véspera, hirta, carregada de adereços ou bonitos arreios. As outras coisas, talvez as mais secretas, seguiam numa viagem paralela por mar, a costa à vista, barcos vários, também de gente vária, vinda dos pactos como outrora, senhores de guerras santas, de muitos genocídios e pesados saques, fortaleza a fortaleza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Em terra, já acantonados para além das praias, os exércitos do rei esperavam por sinais: e toda a gente viu, um dia, uma longa faixa de gente vestia de branco, cobrindo por completo a orografia acidentada do horizonte. Os cavaleiros tentaram dissuadir o rei do que poderia ser um verdadeiro suicídio. O rei, de pequenos olhos meio fechados disse apenas: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;«Há fé. Há o império». E, por estranho que pareça, partiu à desfilada, na cega decisão de enfrentar aquela gente ao &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;longe, infiel, desamada de Cristo. As hostes do rei não tiveram outro remédio senão partir, enquanto viam o inimigo abrir-se em grandes tenazes por onde detriam que entrar. O impacto foi clamoroso, seguido pelos mercenários que metiam coisas ao bolso e abriam crâneos às cenetnas. Os frecheiros procuraram cobrir a cavalaria, acossando os adversários, com tiros em arco, na sua rectaguarda. O rei cavalgava ao longe, cada vez mais absorvido de muçulmanos, e era ferido de raspão, aqui e ali, gritando que o Império seu seria seu, em nome de Cristo. Numa colina lateral um homem trajando ao mesmo tempo de civil e de sacerdote, erguia-se em nome de Alá, pregador e Komeney, talvez imperador, sim, teocrático e como que vindo do futuro. Mas ele mesmo não resistiu a uma lançada cometida por um pigmeu ensandecido, golpe que o fez cair de joelhos e derramar para o chão a massa borbulhante dos seus intestinos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;É inenarrável o resultado desta trágica batalha, o rei desaparecido, a cavalaria destroçada, muitos nobres prisioneiros, um mar de corpos e de sangue, bandos de mercenários fugindo em direcção às praias. O espólio caberia aos vencedores. Entre os mortos com cruzes ao peito, jóias, arreios faustosos, números em madeira, quase sempre o algarismo 3, porventura código de algum dos batalhões. Os intestinos do falso Imperador, aliás o próprio corpo, foram acomodados na sinagoga de pano. E muito pano rosa por dentro, bordado a rosa, estandartes das duas partes, vermelhos e pretos, decorados a ouro. Fatos de guerra, armaduras, luvas, armas estilhaçadas, cabeças ainda ricas de pedras raras, e sempre o número 3, talvez escrito por Deus quando fazia as contas sobre as consequências desta batalha, do sentido da derrota (num relâmpago) daí a mil anos ou mais: porque os seus anjos haviam descoberto, entre lanças e espadas, pistolas metralhadoras, canhões sem recuo, rádios e muitas fotografias do que parecia ter sido uma batalha longa, talvez acontecida já no terceiro milénio, do Irão até ao Egipto. Seria este o famoso efeito de borboleta? As coisas estavam ali e não podiam estar ali: a Sua omnisciência dava-lhe conta, nos cortes do tempo, de mortes e ressurreições inesperadas. Deus procurou enviar emissários para certas zonas problemáticas, a fim de compreender se os exércitos haviam sido expurgados de armamento ligeiro, do fim do século XX. Sentia-se fragilizado e acabou por perder os seus correios, mortos como espiões ao serviço de potências estrangeiras. Alarmado, o próprio Deus terá telefonado para a ONU, donde ninguém respondeu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505585880731162258" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGfFME1jFpI/AAAAAAAAHlY/y8mTfhDDB-M/s400/PINT.10.04.png" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;em&gt;pictogramas digitais de Rocha de Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4158179564935766701?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4158179564935766701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4158179564935766701' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4158179564935766701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4158179564935766701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/08/igualdade-e-os-intestinos-do-imperador.html' title='OS INTESTINOS DO IMPERADOR  E O FUTURO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGfGuOPnsSI/AAAAAAAAHlo/0rGCiBrnreI/s72-c/PINT.10.05.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5463192797642286148</id><published>2010-08-14T18:04:00.000+01:00</published><updated>2010-08-14T19:06:55.680+01:00</updated><title type='text'>BICHOS, GENTE E A VOZ DO POETA PASTOR</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGbQe9M-pII/AAAAAAAAHlI/8m8jZJiyiWE/s1600/267.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 251px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505316824750662786" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGbQe9M-pII/AAAAAAAAHlI/8m8jZJiyiWE/s400/267.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt; &lt;em&gt;foto de rocha de sousa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Sinto a boca seca de tanto gritar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;no imenso vazio das palavras todas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Por cada silêncio devagar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;presumo que escuto o murmúrio das larvas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;ou talvez o rilhar incerto das cabras,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;essa maquinal mastigação do pasto já duro e pobre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Sou pastor, penso então, desde o amanhecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Ou talvez a partir de ontem, na terra, sem nada de mim,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;durante a hora pesada e lenta e nobre do entardecer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Agora, descortinando o lado donde vim,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;sobressaltado com a paz estafada a meus pés,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;olho para o lado inverso, de pedra, para ver onde calha o fim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;O sul, outrora brando, era devorado por chamas altíssimas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Balindo, pateando, tão gente como a gente que foge,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;as cabras correm na sinuosa tontura do medo aquém&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;e eu grito de novo, quase rouco, aos bichos e a essa gente além.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Desdigo o caminho para o lugar da morte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;e aponto um outro lugar, provável salvação da vida,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;muralha ou ladeira de todas as veredas, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;a norte,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;saída mítica para gente como eu, folhas de vento na ida,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;palavras soltas, velhos e crianças, a travessia de um deserto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;na fuga ao inferno empurrado do sul,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;chamas no horizonte aberto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;onde se calou a sorte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;e nos aponta a norte, contrário à lenda, largos céus de azul&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;impensavelmente penetráveis pelas chamas e pelo fumo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;ainda longe atrás dos nossos passos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;nuvens aqui e além, descompassadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Julgava ser escritor, campos e serras para sustentar alguém,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;afinal eu mudado em pastor de cabras e desta gente desacontecida,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;pastor de acaso, pensante, partindo da coisa lida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;porventura em nome do desatino feito destino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Destinado serei eu quando julgo ser de uma regra só?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Não assim: porque o destino não acontece, inventa-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5463192797642286148?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5463192797642286148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5463192797642286148' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5463192797642286148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5463192797642286148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/08/bichos-e-gente-salvos-pelo-poeta-pastor.html' title='BICHOS, GENTE E A VOZ DO POETA PASTOR'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TGbQe9M-pII/AAAAAAAAHlI/8m8jZJiyiWE/s72-c/267.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5122368735289867651</id><published>2010-06-28T15:51:00.000+01:00</published><updated>2010-06-28T16:15:14.986+01:00</updated><title type='text'>PELA MANHÃ DO MEU INQUIETO ACONTECER</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCi4tVhDVqI/AAAAAAAAHig/_3Wl3YhGQi4/s1600/IMG_0145.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487839234960348834" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCi4tVhDVqI/AAAAAAAAHig/_3Wl3YhGQi4/s400/IMG_0145.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCi4nMCQoXI/AAAAAAAAHiY/proiro8KWEM/s1600/IMG_0146.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 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perdi a mão direita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ao passar um dos braços restantes pela cara&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;não há nada para sentir e um horror espreita&lt;br /&gt;dentro de mim, morro de forma rara&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;por fora e por dentro, sem cabels nem pernas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;como aqueles corpos cobertos de flores ternas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;e cada vez menos visíveis, sepultados sem dor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;queimados, enfim, por um lume em torpor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;sem dor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;claramente sem amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Eu também, depois de me ter desaparecido o torso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;embora o coração ainda bata&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;e este olho tombado na cadeira de lata&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;esteja quase a desprender-se do cérebro e sem esforço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Agora morri.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Não sei quem escreve por mim e devagar sorri.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;_______________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;em&gt;excerto de «Talvez Imagens e Gente num Inquieto Acontecer»&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;livro de Rocha de  Sousa, em preparação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5122368735289867651?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5122368735289867651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5122368735289867651' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5122368735289867651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5122368735289867651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/06/pela-manha-do-meu-inquieto-acontecer.html' title='PELA MANHÃ DO MEU INQUIETO ACONTECER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCi4tVhDVqI/AAAAAAAAHig/_3Wl3YhGQi4/s72-c/IMG_0145.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5559160917131470570</id><published>2010-06-23T11:26:00.000+01:00</published><updated>2010-06-23T12:00:31.024+01:00</updated><title type='text'>AS LETRAS E AS ARTES, PRÁTICA E EDIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCHhs-rjkzI/AAAAAAAAHho/rvwA6mNUb58/s1600/IMG_0063.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 306px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485913983970153266" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCHhs-rjkzI/AAAAAAAAHho/rvwA6mNUb58/s400/IMG_0063.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;tácnica mista  rocha de sousa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Esta espécie de ilustração foi trabalhada em pintura, fotografia digital, colagem e fecho. Irá recobrir uma boa parte da capa de um livro. Trata-se de uma edição de Maria João Duarte, a partir da sua tese de doutoramento. Este livro será apresentado como qualquer outro, mas não deixa de apresentar conteúdos ainda hoje bem pertinentes: &lt;em&gt;a oposição à ditadura, em Silves e no Algarve todo. &lt;/em&gt;O núcleo físico onde «decorre a acção» é a cidade de Silves, muito traumatizada pela PIDE e em face (nos anos 50/60) dos núcleos políticos emergentes na indústria da cortiça, ali onde  se concentrava o maior centro produtivo do mundo, na transformação e exportação. Fui testemunho desse esplendor e dessas tensões, quando o governo passou a exportar a cortiça em prancha, logo que tirada das árvores, ofercendo ao estrangeiro uma riqueza em bruto para manejo bem lucrativo. Os donos das terras de sobreiro enriqueceram ainda mais, os trabalhadores ficaram mais ou menos ao &lt;em&gt;Deus dará. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O livro chama-se «Silves e o Algarve, uma história da oposição à ditadura». Esta imagem, partindo de muitos dados visuais de Silves, nos seus diferentes aspectos, multiplicados e reassociados, entrecruzando-se numa atmosfera de quase ruína, tarde vazia, gente recolhida, monumentalidade de restos das fábrica -- e, sobre tudo isso, contra o céu, uma insólita visão que absorve a metáfora sobre o lado monstruoso e vigilante de  algo que nos amordaçava, prendia, e por vezes fazia desaparecer. Hoje o sonho é claro, e as ruas não têm este clima terroso dos anos 50. A autarquia tem dotado a cidade de uma panóplia de bens e serviços aceitáveis. A memória dos patrimónios antigos convive com a arquitectura da zona histórica e da baixa em termos urbanos e lúdicos, junto ao rio.                                                                                                                    Obviamente, já não há as grandes fábricas de cortiça, nem os 6.000 trabalhadores daquele tempo, nem sequer a Câmara pôde segurar o excelente museu da indústria cortiçeira, obra museológica de importante sentido divulgador e pedagógico, premiada internacionalmente. Esta cidade, aliás, padece de coisas ainda sinistras: reconstruiu um teatro dos anos 20, há cerca de um ano fechado; adaptou uma edificação de marcas arabizantes como Institudo Superior de Estudos Árabes: faz algumas exposições e está às moscas, apesar da sua beleza e do seu aprazimento. As modificações da margem do rio Arade funcionam, como as psicinas e as instalações para feiras industriais, comercias, ou da agricultura.                                                                                                  Ninguém pode imaginar verdadeiramente a que degradação chegou esta importante cidade da memória árabe e do sorriso que conquistou, entre omissões, nestes últimos anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5559160917131470570?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5559160917131470570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5559160917131470570' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5559160917131470570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5559160917131470570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/06/as-letras-e-as-artes-pratica-e-edicao.html' title='AS LETRAS E AS ARTES, PRÁTICA E EDIÇÃO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TCHhs-rjkzI/AAAAAAAAHho/rvwA6mNUb58/s72-c/IMG_0063.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4317740030681937666</id><published>2010-06-16T16:17:00.000+01:00</published><updated>2010-06-17T11:39:30.710+01:00</updated><title type='text'>AS IMAGENS QUE MORAM NO CAMINHO DA FÉ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TBjrjRQfexI/AAAAAAAAHhA/l9T1Z7wXhuk/s1600/IMG_9716.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 298px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483391537484102418" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TBjrjRQfexI/AAAAAAAAHhA/l9T1Z7wXhuk/s320/IMG_9716.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TBjrSPjqzAI/AAAAAAAAHg4/Q3JNqB5QNMo/s1600/IMG_0005.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483391244969888770" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TBjrSPjqzAI/AAAAAAAAHg4/Q3JNqB5QNMo/s320/IMG_0005.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;A velha senhora estava a rezar o terço no filme que secretamente fiz desse gesto. O segredo da arte, no vídeo ou no espaço do medo, é semelhante ao que se passa com o mistério da fé. A senhora dizia palavras para dentro de si, nomes e verbos cujo vago sentido se projectava no interior da cabeça. Aqueles dedos, envelhecidos mas estranhamente decididos, permaneciam imóveis, só se moviam, invisíveis, quando a oração levava à escolha de outra rigidez redonda. Nesses instantes, a memória já guardada abria-se em imagens curtas, superfícies lisas, convexas, brandas, entre outros registos, talvez contrários, a dois milímetros do lado côncavo, milenário, de um fragmento de crâneo. Ou isto ou algo de semelhante, vagamente a cores. As memórias assim, feitas de presenças ininteligíveis, ou quase, serão restos da memória toda, lixo também, cortes neuronais sem princípio nem fim? Essa realidade virtual, certamente absurda, pode servir para fins que desconhecemos, como os pingos de tinta, sobrepostos, a que conferimos autenticidade estética, porventura plástica, sem os limpar do universo da pintura em redor. Essa escolha parece por vezes maquinal, um acaso sublimatório. A arte acolhe e coisifica cada instante assim, procurando dar ao visível meios de decifração do inominável. É a curta entrada de ar nos pulmões quando sofremos uma paragem cardíaca logo superada pelo fio da electricidade restante. Então podemos voltar ao lado sólido e redondo do real, dedos a contar mais uma Avé Maria, por exemplo, no encobrimento das emoções, a razão como que suspensa, motor parado, o sangue a correr sem se sentir, impulso aparentemente arbitrário que enche toda a rede vascular dos corpos. Nas veias que serpenteiam só o manto cutâneo daquela pele enrugada, tocada pelas pétalas sépia das margaridas. Na Avé Maria que não passa de um pretexto para ordenar a simulação sisifiana do destino humano, paragens e andamentos fortuitos, cansaços e imagens sem nome, duas avé marias no corredor da garganta, imagens atrás dos olhos, olhos fechados ou abertos, tanto faz, eles voltam-se ao contrário para receber as mensagens do cérebro. Mãos postas. Um rosário faiscando. O filme. E entretanto, num espaço milimétrico, outra imagem, diferente, sem referências, caída para o lado da retina numa cintilação deslavada e abstracta. Um &lt;em&gt;frame &lt;/em&gt;do ser? Um pingo da alma? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Aqui fica, para quem me ler ou ouvir, a importância transcendente das pequenas e inúteis &lt;em&gt;deixas &lt;/em&gt;do ser, partículas do invisível, o lado inconcebível da vida como segredo que se desvenda na retoma da aspiração do ar, suicídio interrompido, talvez princípio da fé contada em avé marias e da arte em restos de tinta volátil. Ou o mais remoto instante que parece legitimar a infinitude de cada percepção atrás do limite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4317740030681937666?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4317740030681937666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4317740030681937666' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4317740030681937666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4317740030681937666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/06/as-imagens-que-moram-no-caminho-da-fe.html' title='AS IMAGENS QUE MORAM NO CAMINHO DA FÉ'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/TBjrjRQfexI/AAAAAAAAHhA/l9T1Z7wXhuk/s72-c/IMG_9716.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-3091524993440685919</id><published>2010-05-11T15:39:00.000+01:00</published><updated>2010-05-11T17:26:04.831+01:00</updated><title type='text'>O PAPA BENTO XVI E OS MENINOS LADINOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S-ls8MQXOeI/AAAAAAAAHfA/lg1dZXmTUOM/s1600/IMG_9835.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 202px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470023003755985378" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S-ls8MQXOeI/AAAAAAAAHfA/lg1dZXmTUOM/s400/IMG_9835.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Papa. Do Papamóvel. Com as suas insígnias no avião em que voa e em que chega. Nas visitas. Portugal deve ter aumentado a dívida. Mas os meninos ladinos, portugueses em geral, mesmo laicos e um pouco estouvados, estão a correr para o Terreiro do Paço. Paço engalanado e uma missa para 200.000 pessoas. É uma grande honra a gente poder gastar assim quando o Iva vai para 22%, valha-nos o Santo Padre João Paulo II. Muita gente lamenta aquela deliberação, em 1537, no papado de Gregório VII, sobre a obrigatoriedade do celibato para todo o clero. De acordo com a lei canónica, e desde então, o voto de celibato considera-se quebrado quando o padre se casa, mas não necessariamente quando este tem relações sexuais ocasionais. Viviam à larga, os senhores da Igreja, Papas, Careais, Arcebisbos, Bispos, toda a grande &lt;em&gt;infantaria &lt;/em&gt;dos padres. Ainda foi muito tempo para os mais precisados casarem ou terem amantes sem poluir o nome de Deus. Ouvi histórias do alto clero, incluindo, pelo menos, um Papa, que me deixaram atónito pelo &lt;em&gt;avanço&lt;/em&gt; dos costumes. Quem é que fez a história dessa época inebriante, entre genealogias esquisitas? Quem descenderá de um papa Alexandre, cuja &lt;em&gt;numeração&lt;/em&gt; esqueci? E havia um estranho gosto pelo incesto, não só na Igreja, está bem de ver, e há filmes ingleses (made in BBC) que tratam sem pudor e com grande galanteria esses comportamentos «desviantes», casais irmãos, luxúria entre brocados e prataria. Os ingleses são sábios, ficaram com a Igreja que resultou do Cisma, mais decoro, mais minimalismo, mais cânticos, e um certo acréscimo de fantasmas, meninos, meninas e velhos enterrados nos jardins frondosos das belas Quintas fortalecidas, cheias de torres e sótãos escabrosos, lindíssimos, para tralha menos usada e encontros romanescos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas deixemos isso. O Papa Bento XVI, em visita a Portugal (neste momento está a descansar), esse sim, é a ele que devemos indagar, questionar, louvar eventuais sorrisos. É tímido, dizem. Gostaria de ter ficado o resto da vida a estudar. Talvez lhe ocorresse rever a tardia atribuição à mulher, pela Igreja Católica, creio que por volta do Conílio de Trento, de uma alma. Dantes, embora pertencesse a uma qualquer burguesia, era de condição biológica e teosófica praticamen-te igual a uma cadela, a uma gata doméstica. E todas estas circunstâncias, na contingência mental de padres e povo crente, foi rebolando pelos séculos e até se instalou, radiosamente, na estrondosa basílica do Vaticano, S. Pedro. Hoje, o luxo é maior, mas o poder menos político, com manchas de sujidade sobre os livros do Vaticano II. Quando se ouviu falar num Papa ainda novo, que tomava banho na piscina daquele pequeno &lt;em&gt;reino &lt;/em&gt;palaciano e dizia que a missa tinha de ser dita de frente para os fiéis, muita gente estremceu de medo; mas a maioria viu ali um homem igual aos outros, com funções difíceis e diferentes, mas capaz de rir e apontar escolhas. Depois envelheceu e julgo que o canonizaram. Não sei se era excepção para tanto. Mas penso, quer nele quer no actual Papa, quando penso no que lhes terá passado pela cabeça ao escreverem encovadas encíclicas, aparentemente sobre problemas humanos profundos. Porque, em verdade, nada daquilo é para o comum dos mortais. Onde está o estudo capaz de tocar nas razões humanas e espirituais que aconselham o fim do celibato? E as mulheres, além de freiras, misseiras e figurantes dos grandes espectáculos perto do Coliseu, em Roma, ou no imenso terreiro de Fátima, onde se acomodou a maior basílica do mundo? Podiam fazer um pouco mais, não é difícil imaginar, conferindo-lhes funções de fundo, de partilha e acompanhamento dos seus irmãos e irmãs.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em pleno século XXI, o que faz com que o homem mais poderoso da Igreja Católica, sobretudo Romana, mantenha, sem pudor nem razão, estas viagens de chefe de Estado, esta pompa descabida na memória das crianças abusadas por padres, moda em curso, além das vestes desenhadas de propósito, cadeiras novas, rcintos espectaculares, liturgias sem nexo, roupas ou paramentos sem austeridade, num teatro imperial, dois dedos em riste? A Igreja possui belos templos, e os países também, todos usáveis por um Papa que viesse de longe, sem farda, nem dourados, um pouco à maneira de Cristo, carismaticamente solto e breve, vestindo tecidos brancos. Não era mais decente, mais avançado, que não se usassem senão os equipamentos que existem? A missa poderia ser nos Jerónimos. Quem não coubesse veria a cerimónia como vão ver aqueles que não couberem no Terreiro do Paço. E um debate na Universidade, sobre o celibato, o papel da mulher, o planeamento familiar, as questões da homosexualidade, como lhe reconheceram direitos iguais a outros, aos heterosexuais, porque razão a liturgia não se simplifica e não dialoga mais em cerimónias lavadas, naturais, despojadas de passos, reversos e anversos? São tudo temas para uma visita rica e pedagógica, com abordagem da pedofilia e de outros maus jeitos da Igreja dos nossos dias. Tantos estudiosos, teólogos, dirigentes de importantes departamentos religiosos, e nenhum rompe com a castrante imobilidade das &lt;em&gt;regras&lt;/em&gt;? As igrejas actuais padecem das maiores distorções e competições bárbaras, umas vivem em luta, misturadas com o poder civil, arrasando povos com a sua feroz leitura da chamada voz de Deus, incapazes de se tornarem reserva da paz, da reflexão, do convívio. E outras ainda praticam o genocídio.  Encher Fátima com um milhão de peregrinos não pensantes, em martírios de promessas fúteis, comoção transitória ou rezas pelo fim da violância doméstica, outro problema a que os verdadeiros encontros deveriam legar ponderadas perguntas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em face da grandeza dos preparativos para mais esta visita do Papa, um velho «sem abrigo» andou uma boa meia hora a fazer a sua declaração de princípio. «O Papa deve empobrecer» &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-3091524993440685919?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/3091524993440685919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=3091524993440685919' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3091524993440685919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/3091524993440685919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/05/visita-do-papa-bento-xvi-e-os-meninos.html' title='O PAPA BENTO XVI E OS MENINOS LADINOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S-ls8MQXOeI/AAAAAAAAHfA/lg1dZXmTUOM/s72-c/IMG_9835.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-6796805547236020333</id><published>2010-04-06T16:21:00.000+01:00</published><updated>2010-04-12T17:14:23.974+01:00</updated><title type='text'>A CONDENAÇÃO DO PASTOR PELO REBANHO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S7tT2ITShsI/AAAAAAAAHdg/DCVDIVwacYY/s1600/IMG_9724.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457047562895918786" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S7tT2ITShsI/AAAAAAAAHdg/DCVDIVwacYY/s400/IMG_9724.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Esta história, que talvez contenha conteúdos de parábola extraídos dos terrores medievais, envolve a via atribulada de dois irmãos atirados de súbito para a orfandade, situação terrível e injusta que só podemos relacionar com os insondáveis desígnios de Deus. Só Ele, porventura, saberá dar sentido a esta trágica solidão das duas crianças, confrontadas com a morte súbita dos pais numa cheia dantesca. Só Ele poderá explicar a razão das escolhas, porque razão, ao mesmo tempo, se salvaram milhares de vidas, algures, do outro lado do Mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Vivia-se uma época aterradora da &lt;em&gt;limpeza moral&lt;/em&gt; intentada pela Santa Inmquisição, e as praças das cidades ou aldeias, com forte assiduidade, eram palco da execução de penas capitais, na morte pelo fogo, de gente condenada segundo códigos algo obscuros, atrás de denúnciais cruéis, muitas vezes presumivelmente falsas, actos de vingança ou perduráveis querelas. Tais condenações visavam criaturas tidas como bruxas, geralmente velhas, e homens ou mulheres acusados de actos impróprios, heresia, insulto aos símbolos sagrados, luxúria, entre outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Num casebre da aldeia de Clov, vivia uma família de camponeses, pai, mão e dois filhos. O mais pequeno não tinha ainda dois anos e o mais velho, sério, concentrado e responsável, rondava os sete anos. Era gente pobre, trabalhadora e honrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Tempo depois da morte dos pais, na casa sombria e húmida, viviam aquelas crianças, e tudo era tratado pelo moço mais velho, naturalmente, com alguns apoios dos vizinhos que moravam mais perto e sentiam compaixão por aquele destino. Não recolheram os miúdos para suas casas porque o mais velho, o José, nunca aceitara sair dali.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Certo dia, pela tardinha, um senhor da Igreja, vestindo de forma comum, que parecia ter grande vontade em ajudar os pobres e por isso escondia a sua origem, aproximou-se da casa das duas crianças orfãs, tendo conversado ternamente com o José e afagando as carnes e os cabelos do menino no seu canto acolhedor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Dias depois, este mesmo senhor da Igreja, disfarçado de homem comum, voltou a visitar a casa das crianças, e chegou carregado de alguma comida e muitos doces. Afeiçoara-se aos orfãos, sobretudo pelo mais pequeno, a quem dispensava carinhos intensos, beijos longos, afagos insólitos, e até colocava o menino ao alto, sobre o seu peito descoberto, reclinando-se depois na cama, com ele, como a mãe fazia. O José, de início, olhava para tudo com grande enlevo, lavando louças e roupas, entre outras tarefas que o senhor por vezes lhe indicava, incluindo saídas para fazer compras longe dali. Foi nessa fase que o José, desconfiado, surpreendeu o homem todo nu, na cama, e com o menino enrolado no interior das suas pernas peludas. Foi posto na rua com um berro, voltando a casa quase ao anoitecer, com prudência, e logo correu ao ouvir o choro do irmão. O irmão encontrava-se meio vestido, sentado no chão, à sua frente um prato de papas entornadas nas roupas, apresentando os lábios em ferida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Tempos depois, reposta a tranquilidade na sua casa e na vida do irmão, José deixou o menino na casa de uma vizinha, a cinco minutos dali, e foi assistir às matanças da Praça Maior. Queria espreitar e perceber tudo o que lhe diziam outros rapazes. E viu, assombrado, as fogueiras, ouviu os gritos, cheirou a carne queimada. Havia uma agitação contraditória em redor, carros chegando, guarnições militares, um palco com tecto, todo forrado em tom púrpura, e no qual, atrás de uma mesa longa, bispos, oficiais, juízes, todos se afadigando entre papéis, gestos, audições. Juntos, vistos de frente, até pareciam uma representação luxuosa da última ceia de Cristo. Ao olhá-los assim, frontalmente, o José, de repente aterrado, reconheceu num bispo da mesa o homem que lhe visitara a casa e que abusara do irmão. Era uma descoberta grave, o outro sentado no lugar de Cristo, conduzindo os trabalhos e bebendo goles de vinho. O bispo era, sem tirar nem por, o religioso sem farda que os invadira a casa da inocência e praticara as piores heresias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;José, atordoado com os fumos da carniça e aquela gente que já condenara um amigo dos seus pais, correu numa direcção aparentemente errada: queria falar com outro homem bom, mestre escola, que sempre dialogara com os pais e comia muitas vezes lá em casa, parecendo haver uma estranha cumplicidade entre todos. O encontro, depois da fala soluçada, era mais do que uma denúncia, era um acto desesperado de vingança ou de reconquista de uma dignidade ofendida. O professor soube rapidamente quem era aquele «santo» homem, o Bispo, Bispo Coordenador, Encomendador dos Processos em Curso. Foi longa e sombria esta história, pois os membros da Inquisição, quando eram acusados de terríveis delitos, acbavam sempre perdoados e por vezes nem os deslocavam daquele «campo de operações». Desta vez, houve uma diferença. Um dia, no final de horas de condenações e mortes na fogueira, apareceu um Cardeal, com pomposa comitiva, mostrando estranhar certas coisas e acabando por exigir a consulta de todos os documentos relativos aos processos. Perante uma tensão dos outros, ele puxou pela espada, colocou-a diante da face, e mostrou as insígnias que lhe conferiam aquela autoridade. Andava a mando do rei, como hoje andam alguns inspectores, pelas indústrias e comércios. Nunca se soube como, mas a verdade é que ele depressa descobriu o comportamento do bispo e as suas recentes luxúrias com uma criança de menos de dois anos. Houve uma reunião do «Senado» daquela divisão, onde se fez pública forma do acto enfim conhecido, e mais se propôs que a Igreja começasse a dar o exemplo: o juiz leu a decisão dos seus pares, condenando o bispo à morte pelo fogo, naquela mesma tarde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;O feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Hoje nãoo acontecem tais cometimentos, até porque, desde o século XX, que todos os casos descobertos nas fileiras da Igreja andaram longos anos encobertos e a justiça demorava uma década para resolvar um simples caso de homicídio. Por vezes, alguns padres foram suspensos, convidados a sair, votados a penas de solidão, mais do que o Chefe religioso maior, Pai de todos, aquele que bondosamente costuma apresentar desculpas aos povos e sociedades lesadas por remotos crimes, entre famílias acabrunhadas, entre a fé e o horror. Há outras e muitas desculpas a apresentar, mesmo a título póstumo, está bem de ver, considerando civilizações arrasadas em nome de Cristo, as terríveis Cruzadas e de novo, de melhor forma, a própria Inquisição, ou os bloqueios grosseiros perante a ciência, de que Galileu é um exemplo da maior referência. Tudo isso,  em boa verdade, serve de pouco. Mas os símbolos marcam muitos os actos desde bastante cedo. Convocar o espírito da Civilização e o próprio Deus para estes litúrgicos pedidos de desculpa talvez viesse iluminar um pouco a época, apesar dos segredos que vão sobrando nos subterrâneos da História.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 395px; DISPLAY: block; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457046552352653746" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S7tS7TvAAbI/AAAAAAAAHdY/IYuRAEThHis/s400/IMG_9721.JPG" /&gt; &lt;span style="color:#ff9966;"&gt;O rebanho, nos nossos dias, não se basta com a fé do pastor e as&lt;br /&gt;ovelhas são mais o símbolo da comunidade e da sobrevivência do&lt;br /&gt;que gente &lt;em&gt;empurrada&lt;/em&gt; para castigos sem explicão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-6796805547236020333?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/6796805547236020333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=6796805547236020333' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6796805547236020333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6796805547236020333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/04/condenacao-do-pastor-pelo-rebanho.html' title='A CONDENAÇÃO DO PASTOR PELO REBANHO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S7tT2ITShsI/AAAAAAAAHdg/DCVDIVwacYY/s72-c/IMG_9724.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5600253689851473655</id><published>2010-03-08T10:48:00.000Z</published><updated>2010-03-11T11:08:32.661Z</updated><title type='text'>ATRÁS DO FUMO, UM RETRATO SEM ESPELHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S5TXbO7x6rI/AAAAAAAAHcc/LEQ7IhgO1-8/s1600-h/IMG_9644.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 341px; DISPLAY: block; HEIGHT: 310px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446214712263043762" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S5TXbO7x6rI/AAAAAAAAHcc/LEQ7IhgO1-8/s400/IMG_9644.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;em&gt;começava assim: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Estou amarrado a uma cadeira, amarrado psiquicamente, fumando sem tirar o cigarro da boca. E a cinza cai sobre a roupa, desfaz-se em levíssimos flocos de nada, salpicando dessa forma a cor pardacenta das calças. A minha mão esquerda está pousada aí, por momentos incapaz de se mover: devagar e silenciosamente, coladas à pele, têm surgido, multiplicando-se, muitas &lt;em&gt;margaridas da morte,&lt;/em&gt; essa espécie de sardas irregulares e por vezes assustadoramente grandes -- pétalas assim, de um sépia brando, para o dizer sem tanto alarme, um sinal da velhice que se aproxima de mim, figuras por vezes aguareladas na possível anunciação do colapso ou marcando o momento da vida em que somos mais sábios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Há dois ou três anos, ao contrário da minha ausência nos espelhos, para onde olhava por vezes sem formar a percepção do meu rosto, começei a deter-me nos lugares onde esses misteriosos objectos me fitam, imobilizando a face e os olhos. Queria rodar os olhos e ter consciência visual disso, mas só dava por eles sempre parados, atrasada irremediavelmente a minha percepção de me apropriar, enfim, dessa imagem. Agora, como acontece com a pele das mãos, outros sinais e mudanças vieram alterar a identidade anterior deste rosto que eu espreitava num rápido reconhecimento. De frente para mim, o que vejo, surpreendido, é outra pessoa, é outra face, embora a experiência de dezenas de anos me diga que ninguém pode, neste instante, subtrair o retorno da minha imagem à consciência que consegue ainda reconhecer-me: cabelos escassos e oleosos, a testa cheia de rugas de medo ou de alegrias entretanto perdidas, os olhos infinitamente mais pequenos, rodeados de bolsas de pele e líquido, as pontas assimétricas das sobranelhas empeçadas. Manchas sanguíneas, por outro lado, vieram insinuar-se na face direita, já bochecha, onde cresce (desde a infância) um sinal enfim transformado em protuberância lisa, esférica e quase mole, rodeada de pelos que os instrumetos de rapar a barba mal tocam, deixando-os crescer como nas verrugas das bruxas. Os lábios ficaram finos, irradiando rugas a partir dos cantos, e se abro a boca mal descortino os dentes, recuados, pequenos, conservados com o apoio de coroas e próteses desse tipo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Os desastres principais tanto nos arrasam por dentro e por fora, apagando grandes &lt;em&gt;áreas &lt;/em&gt;da nossa memória, como toda a população deste continente, na faixa central, ao desaparecer, afogando cidades nos oceanos ou eixando velhos a morrer de fome, em Lares atulhados, porque os serviços sociais faliram e só os ricos ainda sobrevivem em jeito de velhos aristocratas fingindo fortunas com a venda das pratas e das jóias, cadeiras de estilo e móveis D. João V. No entanto, quando passeiam pelo jardim público, fidalgos a fingir, aparecem sempre impecavelmente vestidos, penteados, e com alguma corrente do século XIX pendurada entre o colete e a calças.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;O meu irmão é um pouco como esta gente, e é velho exactamente, e finge a agilidade que já não tem. Foi para África há muitos anos, tantos que nem sei quantos, e entretanto, depois da população desse continente, na faixa central, ter desaparecido por completo, emigrando ou morrendo, fico a pensar nele, no irmão teimoso e apaixonado, de quem nunca mais recebi notícias, uma simplas carta, um recado trazido por alguém, como acontecia há muito tempo. Quando a tecnologia soçobrou, telefones, computadores, energia eléctrica, houve esta sensação entre membros da diáspora: uma ausência aterradora de sinais como no silêncio da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Desprendo-me da cadeira, num esforço enorme. E deixo cair no cinzeiro a ponta queimada do cigarro, o filtro molhado de saliva, um cheiro levemente agressivo na ponta do nariz. Espreito para fora, para uma rua despovoada, que poderia perfeitamente acolher a poalha do meu cigarro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;E não vejo de facto ninguém, as pedras da calçada húmidas, o céu compacto e sombrio. Olho para a direita, para um lugar onde me abasteço de tabaco e outra bugigangas, jornais sonolentos ou continuamente intriguistas, simulando a verdade onde até os espelhos lhes mentiriam. A Matilda, dona da tabacaria, do poste de jornais, da venda de lotaria e revistas da TV, entre muitas outras coisasa irrepreensivelmente inúteis, parece estar recolhida, em os taipais fechados. Oxalá não esteja doente. Preciso dela e dos recados da filha, menina fútil mas que me trata como um avô, daqueles antigos que ajudavam a família e contavam histórias de maravilha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Vou para dentro, encosto o vidro da janela e leio, impaciente, algumas linhas do que escrevi ontem:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;em&gt;Portanto a urgência de dizer. Dizer apesar dos limites, contra ou por dentro das convenções. Mesmo quando não se refazem, as convenções podem sobrepor-se ou misturar-se. Fernando Pessoa &lt;/em&gt;dizia &lt;em&gt;imagens com palavras e usava as convenções, inteiras ou distorcidas, adequadas à forma expressiva de cada heterónimo, poetas diferentes que o habitavam, emergindo misteriosamente para a vida.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;A globalidade e os desastres principais apenas nos lançam para um mundo cujo futuro que, parecendo tecnologicamente avançado, afinal se desenha cada vez mais nos termos de  uma perspectiva redutora. Perplexo, rasgo alguns dos meus papéis. Acendo outro cigarro. Olho para a janela e penso: quefará a Matilda a esta hora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 344px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446214572786009826" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S5TXTHV3RuI/AAAAAAAAHcU/WEoJumZ2bvk/s400/IMG_9648.JPG" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;texto e fotos de Rocha de Sousa, autor do blog&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5600253689851473655?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5600253689851473655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5600253689851473655' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5600253689851473655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5600253689851473655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/03/nem-verdade-nem-o-retrato-ao-espelho.html' title='ATRÁS DO FUMO, UM RETRATO SEM ESPELHO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S5TXbO7x6rI/AAAAAAAAHcc/LEQ7IhgO1-8/s72-c/IMG_9644.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-109933407348865365</id><published>2010-02-16T17:00:00.000Z</published><updated>2010-02-17T11:28:51.777Z</updated><title type='text'>IMPOSITIVA IDENTIDADE DO FAZER PICTÓRICO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S3rP1CPNfOI/AAAAAAAAHbs/OPGzcFTQP9o/s1600-h/IMG_9559.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 340px; DISPLAY: block; HEIGHT: 282px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438888010043981026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S3rP1CPNfOI/AAAAAAAAHbs/OPGzcFTQP9o/s400/IMG_9559.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt; &lt;em&gt;oração póstuma&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Tomei agora conhecimento de uma série de cartas (textos de criação literária) que são actuais e de origem judaica. Imaginemos a edição de um livro cujos capítulos correspondem à urgência do homem se entender, de forma enfim consistente, com as divindades dos diversos polos religosos. Um dos capítulos integra uma carta dirigida por alguém sem identidade e que se dirige a Deus, com endereço em Jerusalém. Os outros capítulos são igalmente dirigidos a divindades de religiões activas e vastas na actualidade. Cada carta, dirigindo-se à divindade, abre-se a uma relação clara, explica-se com humildade e grandeza, mostrando-se depositária de importantes estruturas formais, supremas no seu valor literário. O texto, ou fala, ou prece, percorre o sentido da condição humana interligada ao perfil, poder e natureza da divindade. O humano que escreve mostra-se inquieto com o mundo em que vive, com a origem desse mundo e dele mesmo, ser falante, tendo por certos os propósitos superiores, inimagináveis, que terão sido encarados pela divindade como suportes da Sua obra, todo o Universo, as suas imagens e seres, os seus movimentos e massas animadas por milhares de forças, começando pelas gravitacionais, implicitamente aquelas que surgiram da enorme energia libertada no espaço, entre biliões de partículas, em choque e multiplicação, até às imensas concentrações de astros (explícitos) e outros corpos (invisíveis ou implícitos) cuja trajectória e formação de vida se encontram por toda uma infinidade de dimensões, sempre a fazer-se, a desdobrar-se, povoando-se de realidades biológicas, como a humana, nas quais a consciência se partilha com a razão, as emoções, a inteligência e a memória, sem limites &lt;em&gt;palpáveis. &lt;/em&gt;Quem escreve vai colocando questões sobre a marcha da humanidade, dos seus ramos e crenças, em vastas manchas civilizacionais cuja história se afirma marcada por acontecimentos extraordinários, por obras eternizáveis, por tratados sobre a vida e a morte, entre guerras de difícil relato, ou genocídios, ou crimes e abatimentos os mais diversos. Quanto mais a carta se humaniza (objectiva) e trata do lugar dos homens e do seu apagamento depois da morte, cada texto torna-se comovente, como que feito de folhas meio secas que sobram pelo chão, imagem de qualidades iventadas pelo ser humano, talvez em partilha inominável com os poderes igualmente indizíveis de alguma consciência inserida no próprio universo. A utilidade disso inquieta as frases, a passagem e o vazio também, os cemitérios e grandes monumentos necrológicos relevando de todas as solidões no mundo, gente que migra, sobrevive, &lt;span style="color:#ff6666;"&gt;consolida&lt;/span&gt; família logo destinada à perda, ausências de sempre, presenças mitigadas e absurdas. Que farão os outros, amanhã, que destinos estão prometidos e são verdadeiros, para que servem, enfim, as partículas invisíveis em que se transformará, na morte local, o Sol, a Terra, o simples rosto desfocado de uma criança atravessada pela tempestade?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quando passava na ponte sobre o rio, Senhor, toda a margem que os meus pés pisaram estava juncada de mortos, uma inteira paisagem de cadáveres, gente de todas as origens e raças, incluindo militares e sacerdotes, fragmentos de fragmentos, rios de sangue enchendo algumas clareiras ensombradas. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Este braço que vem junto das minhas coisas parece ter pertencido a algum irmão do Norte de África, só é observável do ombro ao pulso, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;visto que a mão lhe foi decepada. Não sei se é devido e se o meu pensamento tem préstimo para quem me ouça, mas recomendei ao Senhor a minha prece de compaixão por este homem infinitamente sem nome nem corpo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-109933407348865365?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/109933407348865365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=109933407348865365' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/109933407348865365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/109933407348865365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/02/impositiva-identidade-do-fazer.html' title='IMPOSITIVA IDENTIDADE DO FAZER PICTÓRICO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S3rP1CPNfOI/AAAAAAAAHbs/OPGzcFTQP9o/s72-c/IMG_9559.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-1424851723080915990</id><published>2010-02-01T09:52:00.000Z</published><updated>2010-02-16T15:13:36.637Z</updated><title type='text'>OS SINAIS DE DEUS NO DESERTO ALENTEJANO</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alsbaCr1I/AAAAAAAAHac/Gh2mxhQeCTA/s1600-h/IMG_9474.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 398px; FLOAT: left; HEIGHT: 270px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433212183158894418" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alsbaCr1I/AAAAAAAAHac/Gh2mxhQeCTA/s320/IMG_9474.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div 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style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;2009&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;abandono&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aqui acolho, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pelas analogias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de escolha estética,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fotografias registadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;no Alentejo &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por um jovem arquitecto,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;TIAGO DAMASCENO,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;cujo olhar me&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;parece peculiar &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;amadurecidamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alhMkyVmI/AAAAAAAAHaU/GAxEVAdNzkM/s1600-h/IMG_9472.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433211990198867554" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alhMkyVmI/AAAAAAAAHaU/GAxEVAdNzkM/s320/IMG_9472.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;natureza morta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Primeiro porque se tratam&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de fotos de um jovem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;arquitecto por estes temas se faz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;acompanhar de um talento &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;indesmentível,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sabendo como representar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o que vê.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alZ6QAXII/AAAAAAAAHaM/e_pgMVA6q2M/s1600-h/IMG_9476.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433211865020783746" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alZ6QAXII/AAAAAAAAHaM/e_pgMVA6q2M/s320/IMG_9476.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alhMkyVmI/AAAAAAAAHaU/GAxEVAdNzkM/s1600-h/IMG_9472.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;berço&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A mensagem &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;é comunicar a linha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de escolhas criteriosas na base de&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;temas sobre a vida e a morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de gente cujo património fica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;assim reduzido a estranhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sinais de perda, abandono,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sinais de um destino sem sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alP567QzI/AAAAAAAAHaE/KhnODfVcOSU/s1600-h/IMG_9475.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 217px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433211693133677362" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alP567QzI/AAAAAAAAHaE/KhnODfVcOSU/s320/IMG_9475.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;lareira&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fiz, não há muito tempo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;um&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;exercício semelhante a este,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;numa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;aldeia em ruinas na serra do Algarve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desta vez, Tiago, que vive e trabalha&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;na África do Sul,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;meteu-se por veredas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;alentejanos, numa das suas partes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;mais desérticas e abandonadas,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;tendo encontrado esta casa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;arruinada. Tema de que logo se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;apropriou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;como se o mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;tivesse acabado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alP567QzI/AAAAAAAAHaE/KhnODfVcOSU/s1600-h/IMG_9475.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alDDjG5DI/AAAAAAAAHZ8/tmT3yKguYQU/s1600-h/IMG_9477.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433211472379831346" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alDDjG5DI/AAAAAAAAHZ8/tmT3yKguYQU/s320/IMG_9477.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;escombros&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como no livro «A CULPA DE DEUS»,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;dir-se-ia que Tiago julga ser aqui, após a morte e os&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e os testemunhos de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;uma vida, um lugar apropriado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para procurar os obscuros sinais de Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Perguntei-lhe se rinha encontrado&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;alguma manifestação assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E ele disse: eu não, mas estude as&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;fotografias,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pode ser que não seja em vão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E não foi, de facto, em vão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Porque os sinais do homem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;superam os esquecimentos habituais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;nestes casos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-1424851723080915990?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/1424851723080915990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=1424851723080915990' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1424851723080915990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1424851723080915990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2010/02/os-sinais-de-deus-no-deserto-alentejano.html' title='OS SINAIS DE DEUS NO DESERTO ALENTEJANO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/S2alsbaCr1I/AAAAAAAAHac/Gh2mxhQeCTA/s72-c/IMG_9474.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7632596276612841170</id><published>2009-12-23T10:52:00.000Z</published><updated>2009-12-23T15:50:49.712Z</updated><title type='text'>PINTURA ARRANCADA AOS LIXOS URBANOS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SzH3YaU2r1I/AAAAAAAAHYM/4fCS1Ptq7us/s1600-h/IMG_9395.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418383825459130194" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SzH3YaU2r1I/AAAAAAAAHYM/4fCS1Ptq7us/s400/IMG_9395.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;pinturas de rocha de Sousa (2009)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;desenho digital, seguido de técnica mista&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SzH3EVhtIMI/AAAAAAAAHYE/vF5tMisuHKI/s1600-h/IMG_9397.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; DISPLAY: block; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418383480573468866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SzH3EVhtIMI/AAAAAAAAHYE/vF5tMisuHKI/s320/IMG_9397.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Voltemos transitoriamente à pintura, aquela que se faz com matrizes digitais e se transforma, por diferentes meios directos e indirectos, em obra plástica mista sobre papel. As configurações podem não ter relevo estético muito apelativo e obrigar a leituras decifrantes, intermitentes, sem verdadeiro &lt;em&gt;feed back. &lt;/em&gt;É um risco de todos os processos de comunicação pela imagem, mas é também uma conquista no campo expressivo, pluralmente liderada, segundo uma infinidade de projectos, de despojamentos, de apagamentos e recomeços. No meu entendimento, todo o ruído do experimentalismo ao longo do século XX, deixou marcas, sequelas, suicídios consumados. Nenhuma batalha se faz sem feridos ou mortos. Por este caminho demoradamente em catarse, os gritos e os silêncios haveriam de deixar impressivos efeitos sobre a evolução dos modos de formar ou os segredos dos grandes mestres da Renascença, para não citar outros, de outros tempos, de civilizações mais recuadas. A arte foi submetida, pela vontade sensível e pelos fenómenos do registo mecânico, a uma reflexão sobre a sua verdadeira natureza, possível autonomia, se estava ou não largamente infectada pelas indumentárias, riquezas de habitat, projecção de ornamentos, efabulações do ver e do delírio. Pelas conclusões das análises intensas e radicais, depressa se argumentaram os caminhos da simplificação, despojamento, limpeza do acessório. O princípio parecia legítimo. Mas não absoluto. E, com efeito, mal se chegou ao minimalismo da linha solitária sobre a tela ou do corte desesperado, num só golpe, ao centro da própria tela, acto liminar de Fontana, logo a moda subverteu o modo. Mas o homem não é simples, nem por fora nem por dentro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Ele cumulou em si mesmo milhares de finas orientações, desejos e sonhos, todo um corpo, hipoteticamente belo, que  se deformou com o seu destino perecível, interrogado por pincéis perversos ou lúcidos como os de Bacon, Goya, Soutine, Munch, entre muitos outros e até aos exorcistas que se serviram das máscaras africanas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Quando a última depuração esvaziou a tela, sugerindo um ponto final de difícil inversão de marcha, o &lt;em&gt;milagre&lt;/em&gt; aconteceu, os homens reivindicaram a &lt;em&gt;riqueza&lt;/em&gt; do seu elemento cultural: e, embora não recuperassem os panejamentos do barroco, as distorções do expressionismo, utilizaram de novo os pincéis e os pigmentos, sem perder de vista novas ferramentos, como a fotografia e a informática. O Hiperrealismo, disseram alguns, foi um episódio sem importância nem verdadeira profundidade ou questionação. Mas, como sempre se tem verificado, não é bem assim: os hiperrealistas colocaram-se à frente e atrás dos realismos de cunho expressionista, e o gosto pela pintura &lt;em&gt;em si&lt;/em&gt;, de novo &lt;em&gt;comprometida,&lt;/em&gt; foi reaparecendo um pouco por toda a parte, a retomar caminhos já trilhados: pintar exigia outra vez uma paixão avassaladora, cujos impulsos se carregavam do sentido do &lt;em&gt;métier&lt;/em&gt;, em certos instantes convocando as &lt;em&gt;escritas da inocência&lt;/em&gt; ou da &lt;em&gt;infância.&lt;/em&gt; O acto de representar, mais ou menos artilhado com novas próteses, voltou a inundar os espaços onde a pintura se pensa, expõe e se manifesta. E a verdade,  apesar de algumas excepções alucinantes, as técnicas, apoiadas ou não, mostram agora o prazer de todos os recomeços. E as formas ressuscitaram para esse domínio pujante com o seu carregamento de garatujas e olhares de Rembrant. As duas coisas passaram a poder coexistir no mesmo espaço. O nosso desejo de visitação de todas essas manifestações permite-nos vereficar a mutação das figuras, justamente porque, entre o dom reconquistado da escrita primitiva, cada vez mais as telas estão povoadas de muitas coisas vindas do real ou da infância, óbvias, enigmáticas, ou anunciadoras do futuro. Podemos assinalar, num caso, «esta figura corresponde ao número 3». Depois não sei: «talvez certos círculos me lembrem os bonecos do meu filho, quando era muito menino. E ali, à direita, reconheço um bicho rastejante&lt;em&gt;, visto de cima&lt;/em&gt;, e certamente uma velha casa, de madeira, meio arruinada. Então poderei deduzir vários tipos de lixo, talvez voando, à esquerda, uns após os outros, como fotogramas de um filme amador em Nova Orleães.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7632596276612841170?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7632596276612841170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7632596276612841170' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7632596276612841170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7632596276612841170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/12/pintura-arrancada-aos-lixos-urbanos.html' title='PINTURA ARRANCADA AOS LIXOS URBANOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SzH3YaU2r1I/AAAAAAAAHYM/4fCS1Ptq7us/s72-c/IMG_9395.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7212543276457975067</id><published>2009-12-15T16:49:00.000Z</published><updated>2009-12-15T18:07:16.152Z</updated><title type='text'>TRANSPARÊNCIAS DE UM AMOR SEM NOME</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 137px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415506760622106226" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sye-tMmbZnI/AAAAAAAAHW0/ZzamwOlgVis/s200/img_9370.jpg" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 178px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415506625346261794" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sye-lUqJ0yI/AAAAAAAAHWs/8bTboBr6syI/s200/IMG_9371.JPG" /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415506485261822770" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sye-dKza6zI/AAAAAAAAHWk/WxbXP4YAiiw/s200/IMG_9372.JPG" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;cartilagens transparentes na oficina desarrumada&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;Rocha de Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;As coisas aparecem assim, como nas casas dos espíritos, um pouco sem nexo, mas batendo certo no chão de cimento, conforme o alfabeto. Quer dizer o seu nome marcando primeiro letra a letra? Uma pancada sim, duas pancadas não. (Ouve-se uma pancada.) É sim. Vamos: A, B, C, D, E, F, pancada. Vamos confirmar para F. Uma pancada sim. (pausa. Ouve-se uma pancada.) A primeira letra do nome é um F. Alguém se lembra de um familiar ou amigo com um nome começado pela letra F? (Digo eu, então) Fui, durante muitos anos, amigo e cliente de uma pessoa cujo nome começava por F. (Pausa) Quer dizer o nome? Frederico. Pensamos que a pessoa que nos visita é o Frederico. Vou usar os meios: Se o seu nome é Frederico, use apenas uma pancada. Se for apenas uma pancada, estaremos na presença do senhor Frederico. Concentremo-nos. Uma pancada para confirmar a presença do senhor Frederico. Ouve-se uma pancada forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;em&gt;Era ele, num dia sombrio mas sem chuva. Chegara pelas oito horas e ficara, como sempre, a descansar um pouco, dormitando sobre o volante do carro, já estacionado muito perto da oficina. Por volta das nove horas, quando era mais provável entrarem os primeiros mecânicos, dois deles estranharam a oficina ainda não estar aberta. Trocaram impressões sobre o facto, e um dos rapazes achou que o Frederico estava atrasado, nada mais, por isso deviam abrir a oficina e retomar a rotina. Um hora mais tarde, o Frederico não aparcera. De casa, para onde telefonaram, a mulher confirmou que o marido saira como habitualmente, cerca de vinte minutos antes das oito. Os homens entreolharam-se, foram até à porta, e poucos instantes depois descobriram o carro, quase à esquina, reparando que o Frederico estava aconchegado ao volante, como fazia habitualmente, para descansar um pouco antes de fazer a abertura. Foram lá, bateram no vidro, para acordar o patrão, mas ele continuou na mesma posição. Abanaram o carro, uma, duas, mais vezes e já atormentados. Nessa última tentativa, o corpo do senhor Frederico escorregou para a esquerda e eles viram e sentiram claramente como a cabeça do patrão e amigo tombara para a esquerda, batendo no vidro. Não estava a dormir. Foram buscar a chave de reserva e abriram a viatura, procurando agarrar logo o corpo do amigo, corpo lasso, rosto pálido e frio, corpo logo nas mãos dos homens e um grito para telefonarem para o 112. Estava morto e os meios de apoio à vida limitaram-se a confirmar esse facto e a guardarem o corpo numa lona apropriada. O que mais espantou a rapaziada e os vizinhos foi a decisão dos serviços de auxílio abandonarem o corpo ali, dizendo que não devia ser removido por ninguém antes da chegada do delegado de saúde. Por ali se conversou, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;lembranças comovidas de um homem ainda novo, honesto, trabalhador, que geria a oficina como uma cooperativa bem fraternal. Grande conheceor das mecânicas de vários tipos de carro, os seus diagnósticos eram infalíveis. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Quando, dias depois, entrei na oficina, conheci a filha do Frederico, dinâmica, pronta, já a gerir o negócio tanto quanto possível segundo o critério do pai. Das imagens que trouxe para aqui, só uma é pintura de pequeno formado, feita a guacho no interior da oficina, apontamento sem força nem brilho, embora capaz de sugerir a atmosfera daquela cave. Andei por lá, fascinado como nunca, a tirar fotografias de certos pontos ou postos de trabalho, tudo numa tontura de coisas sobrepostas, ainda por arrumar, roldanas, elevadores, vidros foscos entre faixas para operações mais delicadas, um batimento ao fundo, imagens trémulas, uma fotografia sobre a anterior na primeira máquina que tivera, comprada em Angola, e cuja passagem manual do filme, parando com um estalido, permitia enganar as normais funções da cadeia de janelas, fotografando assim, coisas sobre coisas, sombras, luz artificial de mistura com a que vinha do portão e das janelas altas - e assim o voltei a fazer anos mais tarde, a sério, em nome da arte e do ausente/presente Frederico. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Frederico, lemras-te do meu primeiro carro, um austim 850? Deixaram-te abandonado na rua e ali estiveste à espera de uma palavra da nossa parte, capaz de explicar o que o tempo faz às coisas e às pessoas. O tempo não apaga as imagens, nem os afectos, nem os actos solidários. Só a morte apaga tudo isso, todas as nossas horas, a nossa arte, os nossos amores. Impunemente e sem a menor utilidade.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7212543276457975067?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7212543276457975067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7212543276457975067' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7212543276457975067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7212543276457975067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/12/transparencias-de-um-amor-sem-nome.html' title='TRANSPARÊNCIAS DE UM AMOR SEM NOME'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sye-tMmbZnI/AAAAAAAAHW0/ZzamwOlgVis/s72-c/img_9370.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8951385888041928537</id><published>2009-11-24T13:06:00.000Z</published><updated>2009-11-24T16:16:20.863Z</updated><title type='text'>FEIRAS DE ARTE E BRINQUEDOS NÓMADOS</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SwvdqO6aDMI/AAAAAAAAHTo/cnmf8968-rU/s1600/IMG_8079.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407659495215729858" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SwvdqO6aDMI/AAAAAAAAHTo/cnmf8968-rU/s400/IMG_8079.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;fotografias de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Ontem fiz referência a um texto de Hugo Canoilas sobre a exposição «Atravessando Fronteiras», dedicada aos anos &lt;em&gt;setenta&lt;/em&gt; e promovida pelo Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Hoje, ainda perante um outro texto do mesmo autor («Vem aí a Feira») passo para este espaço, acompanhado de imagens de vários feirantes que registei num grande evento no Algarve. Vou assim citar amplamente Hugo Canoilas, a bem de uma importante&lt;em&gt; causa &lt;/em&gt;que envolve a arte actual portuguesa e a submete de forma tosca a mimetismos de olhos desvairados vindos da Alemanha ou de Espanha, visitantes de consumadas feiras de arte, a primeira das quais sucedeu em 1970, Colónia, vítima de grande contestação por artistas como Wostell ou Joseph Beuys. Segundo o articulista aqui evocado, aqueles e outros autores sentiam que a «feira» era um &lt;em&gt;caso&lt;/em&gt; de «constrangimento criativo e de práticas de exclusão injustas». Tal sentimento parecia, diziam eles, «trazido por esta moda», apesar dessa espécie &lt;em&gt;de bolsa das artes&lt;/em&gt; revelar a abertura de maior número de galerias na Alemanha. Apesar dos «poços de ar» verificados noutras circunstâncias, esta febre afinal mercantilista fez alargar imenso o número de galerias entre os anos 60 e os meados dos anos 70: &lt;em&gt;apenas &lt;/em&gt;400 espaços, grande variedade de produtos como é próprio de qualquer feira que se preze. Haverá nesta realidade um factor socializante em termos de &lt;em&gt;distribuição&lt;/em&gt;, o que, na altura, se ligava a algumas propostas mais conservadoras e, naturalmente, a um grande aumento dos valores de mercado. Hugo Canoilas acentua, a propósito da&lt;em&gt; natureza&lt;/em&gt; de certas tipologias de algumas vertentes artísticas, o curioso facto de autores como Blinky Palermo e Gerhard Richter «serem absolutamente pró mercado em reacção às práticas conceptuais vigentes (quando a arte conceptual era no início não mercantilizável)». Vivia-se entretanto a ideia envolvente (que alguém espreitava da margem da história) de que estes eventos talvez permitissem manusear trabalhos, &lt;em&gt;negociar &lt;/em&gt;com com artistas e &lt;em&gt;marchands&lt;/em&gt;, tendo em conta igualmente a conhecida sensibilidade dos clientes e o seu modo de comprar. Agitando produtos e lugares, ainda se pensou que a feira poderia alcançar um importante significado para os homens do ofício (artistas e vendedores a retalho).&lt;span style="color:#000000;"&gt; &lt;/span&gt;Perante a actual Feira de Lisboa, Hugo pergunta-se com pertinência: &lt;em&gt;Será que, em Portugal, ainda não se aperceberam que este modelo de feira é um «nado morto»? &lt;/em&gt;É, com efeito, problemático este alinhamento (pobre) por exemplos exteriores que já mudaram de figurino, apelando à inscrição da cultura e contra a menoridade dos objectos. Se as galerias investem muito dinheiro na apresentação da feira, o certo é que o nível da visibilidade alcançada não escapa ao ruído envolvente, aos equívocos de &lt;em&gt;bem parecer&lt;/em&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; à cedência ao público arreigado e aos imperativos dos habituais ou duros  coleccionadores. De resto, procurando estratégias «adequadas» para este tipo de acontecimento, ao certo quase nada interdisciplinar, os galeristas ensombram a desejada «celebração da arte contemporânea», o que deveria convocar ambientes festivos, o gosto pelo debate sobre o papel da arte no mundo de hoje, inclusivé envolvendo todos os agentes (artistas, galeristas, coleccionadores e público) numa frutuosa troca de ideias, entre saudáveis polémicas e possíveis consensos. Com leituras também, a relação do livro, da sua linguagem perante outras de suportes e factores integrantes diferentes. E como o verdadeiro cinema faz falta nestes casos, mesmo que para tanto as barracas tivessem que fechar os varandins, deixando ao relento os dados físicos de algum &lt;em&gt;marketing.&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Hugo Canoilas diz ter verificado que a feira de Amsterdão, ao comemorar os seus 25 anos, solicitou a todas as galerias a apresentação de exposições individuais, facto que aconteceu e conferiu um novo interesse às acções correntes. «Foi de facto - diz ele - uma das melhores feiras que vi»; em experiências assim ganha a vontade de participar e os termos de legibilidade. Há outros exemplos de outras soluções, como em Viena e o convite a autores de Leste cuja produção, espectro de dados inovadores, grangeou um entusiástico interesse do público. Viena vai mais longe, convida curadores de prestígio, uma classe que parece seguir o antigo caminho da crítica - o de se substituir aos próprios artistas, gerindo mediatizações e deploráveis ostracismos. Um dia, estou certo disso, este poder institucional, protegido nas respectivas instâncias, terá de ser melhor enquadrado e trabalhar com outro espírito. A arte, esquiva a dogmas e decisões absolutistas, ela sim, ela é que faz a sua verdadeira história.&lt;/span&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407659329527412994" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SwvdglrO-QI/AAAAAAAAHTg/aFgOjb5BHgQ/s320/IMG_8076.JPG" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Cito de novo, ao correr das palavras, um trecho de Hugo Canoilas (e ele que me perdoe trazer para aqui vários &lt;em&gt;inserts&lt;/em&gt; da minha visão deste assunto, melhor: deste tema por debater: &lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;«&lt;/span&gt;Existe também um divórcio entre as instituições portuguesas e a feira. O que torna tudo mais amador e de menor qualidade.» As galerias e aquelas entidades acolhem entre si as incertezas e a responsabilidade pela débil proliferação da arte portuguesa na sociedade. «Não se compram espaços nas revistas, patrocinando mas também divulgando actividades e transformações neste domínio. Não existe aliás qualquer tipo de estratégia para colocar definitivamente os termos Arte Conteporânea na própria língua portuguesa, como tem acontecido com o Design e a Moda. A arte praticamente não chega à televisão; ou, quando chega, aparece &lt;em&gt;mediada.&lt;/em&gt; Chega sempre em segunda mão.» A verdade, digo eu, é que a lógica mercantil das televisões atingiu proporções verdadeiramente absurdas, acentuadas, aliás, pela manipulação do público através de formas de espectáculo indescritíveis, todos os canais vestidos de igual à mesma hora. De quando em quando, anos talvez, lá vem uma espécie de «curador» curar de um artista já assado e condimentado. Excepções só no erudito «Câmara Clara» (bem longo) e no «debate» futebolístico (bem mais longo). Há quem diga que é melhor assim, pois uma acção em terreno movediço sai fora dos padrões de audiêncicai e vai cair nos mesmos, sem risco nem contraditório. E no entanto era perfeitamente exeqível (competitivo, como dizem) um programa sobre várias artes, cada bloco de 50 minutos proposto por um agente cultural de interesse reconhecido por uma comissão prévia. Augusto França pode seguir-se a Leonel Moura, Paula Rego tratada por Rui Mário Gonçalves, Nuno Portas dissecando a obra em geral de Siza Vieira. Nada disto tinha de ser curado por curadores. Temos muita gente bem apetrechada para dirigir e orientar projectos assim. Vai sendo tempo de pensar a alma do país e a moodernidade que nele se gerou para além das chamadas «imagens convenientes». Os artistas que ganham o primeiro galão (mesmo só como alferes) tendem a ligar-se a diferentes tutores, tribos, lobbies, garantindo a sua colher de sucesso nacional e internacional. As encomendas que venham, eles não as procuram. Por isso abominam associar-se, criar organismos representativos deles: isso dá trabalho e obriga a compromissos rapidamente queimáveis pela inveja latente no burgo. Talvez por isso é que eu fui obrigado a ouvir o membro de um governo provisório, quando se instituía a Faculdade de Belas Artes da U.L., que a nossa pretensão era fútil e sem fundamento: «o país não precisa de artistas», disse o homem, um pé institucional sobre a onteria do 25 de Abril. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Na feira que visitei, colocando-a ao lado de de Lisboa, os brinquedos de madeira fecham uma sala. E não posso deixar de me lembrar que um artista português usou, nos anos 70, este brinquedo do pássaro com rodas e cabo em grande quantidade de uma amável e repousante instalação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 308px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407659134966911026" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SwvdVQ4ZUDI/AAAAAAAAHTY/Urdj2jNu8hc/s400/IMG_8083.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;os velhos brinquedos de uma geração ainda não perdida&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-8951385888041928537?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/8951385888041928537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=8951385888041928537' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8951385888041928537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8951385888041928537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/11/das-feiras-da-arte-aos-brinquedos.html' title='FEIRAS DE ARTE E BRINQUEDOS NÓMADOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SwvdqO6aDMI/AAAAAAAAHTo/cnmf8968-rU/s72-c/IMG_8079.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7386406439972692589</id><published>2009-11-10T15:36:00.000Z</published><updated>2009-11-10T15:48:36.253Z</updated><title type='text'>TRANSPARÊNCIA  E  UM RELÓGIO DE HORAS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SvmJf7t_CDI/AAAAAAAAHSY/9AAvFg_xJjA/s1600-h/img_9175.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SvmJf7t_CDI/AAAAAAAAHSY/9AAvFg_xJjA/s320/img_9175.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402500409707137074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SvmJTAFTpII/AAAAAAAAHSQ/9LAw_kJJzBk/s1600-h/IMG_9177.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 118px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SvmJTAFTpII/AAAAAAAAHSQ/9LAw_kJJzBk/s200/IMG_9177.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402500187540399234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;Água verde mas límpida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;Translúcido espelho amarrado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;ao muro de pedra já ferida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;Velho espelho em casa da avó,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;tão velho como o relógio centenário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;preso à parede, rachado e só,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;sempre a bater as horas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;sobre um obtuso relicário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;no qual se eflectia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;o arrastado ranger da corda,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;essa espécie de coração &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;cujo rumor de concavidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;se faz sentir no quarto exíguo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;pelo frio de pedra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;ou pelo circular rigor do tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7386406439972692589?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7386406439972692589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7386406439972692589' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7386406439972692589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7386406439972692589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/11/transparencia-e-um-relogio-de-horas.html' title='TRANSPARÊNCIA  E  UM RELÓGIO DE HORAS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SvmJf7t_CDI/AAAAAAAAHSY/9AAvFg_xJjA/s72-c/img_9175.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-104841571193275051</id><published>2009-10-31T16:05:00.000Z</published><updated>2009-10-31T19:29:56.110Z</updated><title type='text'>PRESENÇA E APARÊNCIA NA FORMA DO VISÍVEL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SuxhLvhAgiI/AAAAAAAAHRY/Ftxvlpe8DkU/s1600-h/IMG_9135.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 273px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SuxhLvhAgiI/AAAAAAAAHRY/Ftxvlpe8DkU/s400/IMG_9135.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398796907671749154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pintura | técnica híbrida | rocha de sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Achei aquela frase num simples livro de Educação Visual. Acharia outro, se tivesse vontade para procurar, entre as imagens quotidianas da metamorfose do mundo: gente e coisas, o lixo disfarçado no desvão dos cafés ou das vielas irreparáveis. O livro era pequeno, pouco ilustrado, falando de Kandinsky e Paul Klee, como não podia deixar de ser. Os exercícios de pintura de Paul Klee pareciam lições práticas, sustentadas no olhar, ensinavam entretanto a ver a ordem das formas e das cores no espaço, os valores, os ritmos, a textura de uma simples mancha aguada. Em certo sentido, era quase tudo o que havia para aprender, começando no ponto e na linha e na sua diversa multiplicação. Do visível até à pintura que dele em parte se apropria vai uma grande distância, mesmo quando não parece: quando, por exemplo, os olhos de um retrato realista destilam lágrimas ou alguma viscosidade emergente. Coloquei este pequeno trabalho aqui, sustentado por meios electrónicos, mais como uma espécie de electrocardiograma, folha de registo, linhas e fundos, formas e figuras, desenho  do que me faz pulsar, qual o estado em que se encontra a minha capacidade de ordenar a desordem, de chamar imagem  ao real transformado, a um espaço sobrecarregado, em suma, de sucata inominável. Vou e venho, vejo as marcas consistentes e embrulhadas nesta maneira de ver as coisas. E penso sempre: talvez fosse bom  que uma anunciação deste tipo se fizesse a cru, breve e secamente, aberta em pontos, duas linhas, a mancha do mar ou a imitação esboçada de três pequenas nuvens. Mas eu gosto de adjectivar, não sei porquê. O problema pode estar na própria língua, atrás de semânticas austeras, em textos exemplares e sintéticos. Na pintura as coisas seguem também, por outro lado, o bater do coração, o deslizamento das tintas, riscos reais e virtuais, dores de quem não chega ao ponto exemplar com que sonhava, fechando-se como um bicho de conta, a espreitar milagrosamente a primeira figura do que deveria ser uma multidão, os crentes gemendo passos circulares em Meca, os peregrinos amontoados em Fátima, pés a sangrar, iguais aos de todas as batalhas, e a praça do Vaticano coalhada de cabeças, só cabeças e sobretudo escuras, pontos brancos aqui e além, o marulhar das ondas distorcido à escala tímbrica das rezas e das canções menos ásperas que se ouvem nos grandes espaços do espectáculo de massas. Não era disso que eu queria falar aqui. Queria apenas lembrar, pela suave sabedoria de Klee, que todas as vertentes da sua geometria plástica podem ganhar outra configuração, perdendo a transparência em nome da opacidade fracturada, fósseis aqui e além, ferros, peças sem contexto, armadilha de asas pela frente de uma atmosfera  em azul forte, nenhum realismo na realidade alcançada, porventura legível aqui e além, presumível como resto, espaço onírico, reinventável através da análise ou do sonho, verdadeira porque sim, operática  também, pânica igualmente, algo daquilo que sou em mim e nos outros, vazio às  dez horas da noite. De madrugada a mesma coisa será diferente. E haverá no céu três pequenas nuvens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-104841571193275051?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/104841571193275051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=104841571193275051' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/104841571193275051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/104841571193275051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/10/presenca-e-aparencia-na-forma-do.html' title='PRESENÇA E APARÊNCIA NA FORMA DO VISÍVEL'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SuxhLvhAgiI/AAAAAAAAHRY/Ftxvlpe8DkU/s72-c/IMG_9135.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7123061054422579822</id><published>2009-10-27T18:32:00.000Z</published><updated>2009-10-28T11:33:08.110Z</updated><title type='text'>A DEVASTAÇÃO DO IMOBILIÁRIO QUALIFICADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudDA1tqyDI/AAAAAAAAHQ4/Uo0vHWQkEIg/s1600-h/IMG_8629.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 361px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudDA1tqyDI/AAAAAAAAHQ4/Uo0vHWQkEIg/s400/IMG_8629.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397356360124516402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Aqui ficam para memória futura os primeiros sinais de devastação de um prédio urbano das primeiras décadas do século XX, recoberto de azulejos, cerâmica de muito boa qualidade estética e funcional. Foram longos anos de ataque a esta fachada, zelo para hecatombes sociais, icrementado a partir da altura em que um velho chefe&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de família, rodeado pela mulher, duas filhas e um filho de maior idade, sucumbiu inesperadamente. Vieram outros anos, outros ventos, uma das filhas morreu ao arrepio do destino e a senhora viúva ponderava como gerir a cada vez mais dramática ausência de meios. Havia gente nas águas furtados, creio que um casal jovem e uma avó vigilante, recortada por vezes nas janelinhas alcandoradas, simultaneamente devolvida da sombra pelo seu reflexo num espelho ao fundo. No piso junto à rua, à direita, nunca percebi quem aí habitava: porque, embora as janelas estivessem tratadas e com cortinados de renda, ficavam sempre fechadas. Percebi uma vez que havia lá alguém, porque estava perto e o carteiro bateu para lá e esperou muito tempo. Depois, no vão da escada, foi um murmúrio surdo e uma tosse rápida. De resto, o lado esquerdo esteve quase sempre ocupado por uma loja  de ferragens, à qual se seguiram lojas de artesanato e biscatos em papelão, colagens, animais afectuosos, de cartolina, para meninos da escola.&lt;br /&gt;Em cima, a desertificação começou pelo uso que o filho mais velho da família destroçada foi dando aos quartos, sala e saletas, um quintal que nunca vi, com ramagens de aguarela. O ataque continuava, nenhuma classificação fora conseguida, ou critério de bem público (que o era) e muito menos quando a avó das águas furtadas morreu, dias no quarto, depois um funeral  esquisito, acompanhado por gente jovem, mal vestida, duas moças magras, crianças recentes, de olhares já indiferentes e breves.&lt;br /&gt;Tudo pronto: os homens dos papéis e da ganância lá conseguiram a licença de demolição. Nem uma meia dúzia de azulejos, para amostra, sobrou da insanidade vandalizante. Deitar abaixo é uma coisa. Arrasar a arte e a nobreza dos adereços é outra. Ninguém veio ao  funeral da amável moradia que conheci durante quarenta anos. Vim eu, olhando da minha própria janela.&lt;br /&gt;As duas imagens seguintes, muito belas à sua maneira, corresponem ao fundo da casa, já esburacado até às traseiras da garagem da outra rua. Oiço as miúdas de antigamente e lembro-me do senhor de cabelos brancos e olhos claros mas avermelhados. A menina mais nova, magríssima, a comer um gelado. E o gato. E aquela moça angular, de camisola sem mangas, que aparecia na janelinha direita, assente no telhado. Costumava passar discos dos Ping Floy e cuidava de um cato arrumado no canto do pequeno varandim.&lt;br /&gt;Nunca mais recebi sinais dali, da menina e do rapaz, da mãe dele que acabara por casar com um engenheiro civil, longe daqui. Mas quem sabe da folha de serviços do engenheiro?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudC4cLTKKI/AAAAAAAAHQw/Zv5LZKW2U0s/s1600-h/IMG_9120.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 321px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudC4cLTKKI/AAAAAAAAHQw/Zv5LZKW2U0s/s400/IMG_9120.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397356215830522018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudCxJyw_qI/AAAAAAAAHQo/W8AQKS4V8VY/s1600-h/IMG_9119.JPG"&gt;, &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Máquina trituradora, ficção na sua forma e no seu roncar. Racha tudo, parte, arrasta para a direita e para a esquerda, entulho a sobrar. Quando vem a noite, o braço de ferro tomba. O monstro acomoda-se, silencioso, sobre o entulho. Dorme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudCIv5ZL4I/AAAAAAAAHQg/tDFGOEGS01w/s1600-h/IMG_9063.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 133px; height: 169px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudCIv5ZL4I/AAAAAAAAHQg/tDFGOEGS01w/s200/IMG_9063.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397355396490407810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudBg-EBTQI/AAAAAAAAHQY/uwIWZ9ULJI4/s1600-h/IMG_9064.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 127px; height: 172px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudBg-EBTQI/AAAAAAAAHQY/uwIWZ9ULJI4/s200/IMG_9064.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397354713098308866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudBSuAxr7I/AAAAAAAAHQQ/1C9F0ZldGwI/s1600-h/IMG_9065.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 376px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudBSuAxr7I/AAAAAAAAHQQ/1C9F0ZldGwI/s400/IMG_9065.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397354468271566770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Janelas partidas, vidros estilhaçados, uma geometria suspensa, abanando em melancolia e já no patamar do desaparecimento. Há muitas inexistências entre as novas velhas existências que fazem chão sobre o chão desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudA19-s8NI/AAAAAAAAHQI/JmHn54pKf4c/s1600-h/IMG_9066.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 172px; height: 151px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudA19-s8NI/AAAAAAAAHQI/JmHn54pKf4c/s200/IMG_9066.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397353974341628114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAr1aQLKI/AAAAAAAAHQA/osF3q0GF65w/s1600-h/IMG_9118.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 162px; height: 149px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAr1aQLKI/AAAAAAAAHQA/osF3q0GF65w/s200/IMG_9118.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397353800242572450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAeD11WII/AAAAAAAAHP4/JK5INxQUqSA/s1600-h/IMG_9121.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 252px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAeD11WII/AAAAAAAAHP4/JK5INxQUqSA/s320/IMG_9121.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397353563598182530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAWHqH-5I/AAAAAAAAHPw/nE08zA1NMi0/s1600-h/IMG_9122.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudAWHqH-5I/AAAAAAAAHPw/nE08zA1NMi0/s320/IMG_9122.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397353427183860626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pata da máquina sobre os destroços. Nem o menor sinal da história humana aqui contada. Nem um simples resto de livros, cadernos, uma jarra partida. Madeiramentos soltos, já sem origem e de destino eventualmente incerto. Os homens não sabem como crescer, porventura como olhar cada paisagem devastada, coisas e espaços que podiam ser futuro de outra morte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7123061054422579822?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7123061054422579822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7123061054422579822' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7123061054422579822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7123061054422579822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/10/devastacao-do-imobiliario-qualificado.html' title='A DEVASTAÇÃO DO IMOBILIÁRIO QUALIFICADO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SudDA1tqyDI/AAAAAAAAHQ4/Uo0vHWQkEIg/s72-c/IMG_8629.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-1657701222218303857</id><published>2009-10-12T11:05:00.000+01:00</published><updated>2009-10-12T11:58:30.098+01:00</updated><title type='text'>ORFANDADES E SOLIDÕES, O DESERTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/StMAoFtnYLI/AAAAAAAAHKM/IqcB1DsQyQA/s1600-h/img_8637a.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 304px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/StMAoFtnYLI/AAAAAAAAHKM/IqcB1DsQyQA/s320/img_8637a.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391653867620884658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 255);"&gt;Donde vieste? De longe, da Fragura, é da praça que a gente vive. Vives como, assim, e os teus pais? Já se foram, o pó de pedra deu cabo deles. Mas vives sozinha? Não, nada disso, cuido das minhas irmãs e trato da casa e arranjo a terra. Duas irmãs? Sim, a Esmeralda, que é bem mais, nova do que eu, e a Bendita, fez há pouco dez anos. Vão à escola, as tuas irmãs? E tu? Só a Bandita é que anda na primária, vai de manhã cedo e volta pela tardinha. Ainda nos ajuda um pouco, mas tem de fazer as contas e as letras, adivinhar coisas. E ela tem transporte para a escola? Ainda houve tempo que usámos o burro até meio caminho. Mas no Inverno ainda era pior e o burro, coitado, acabou por morrer. Ela vai assim, a pé, tem umas botas  de borracha, roupa, o chapéu de chuva que era do meu avô. Já se habituou e gosta de professora. São muitos alunos? Já foram, já foram. Agora são onze e por isso não acabaram com a escola, como no Carrascal ou na Azinheira de Baixo. E tu, tu nunca estudaste? Aprendi a ler enquanto o meu avô foi vivo, ele tinha a quarta classe e gostava de ler jornais, mesmo atrasados, e havia um que era da freguesia, todo sobre as sementeiras, o estado das terras, os mortos. E a Esmeralda? Essa não tem nada, não pode, nasceu com pouco tino, com os olhos em bico. Mas é boa menina e sabe limpar, lavar, ajudar na cozinha. Então tu é que fazes o papel de mãe? Papel não, mãe tal e qual. As minhas irmãs precisam de mim. E têm que ser orientadas nas coisas, na rega, no cuidado com o transporte da água, na comida. A Esmeralda sabe os caminhos aqui em volta, os mais próximos, e vai buscar pão ao Forno do senhor Estorninho. Ele é nosso amigo. Por causa dele é que temos galinhas e sabemos de outros amanhos. Que é que tu estás roendo? Não sou rato, isto é oferecido pelo senhor Estorninho, parecem bolachas, pãezinhos, algum chouriço, é um grande amigo. Já levou a minha irmã Bendita ao médico, na Azinheira de Cima. E aonde arranjam dinheiro para o sustento? Pois então, como há-de ser, é das coisas que tiramos da terra e vendemos aqui, os ovos, alguns serviços que nos pedem, e de uma pensão que os senhores da Segurança Social nos mandam. É pouco, mas é o que resta da doença do pó que matou os nossos pais. E afinal tu, não me disseste o teu nome. Eu sou a Esperança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-1657701222218303857?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/1657701222218303857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=1657701222218303857' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1657701222218303857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1657701222218303857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/10/historia-de-orfandades-e-solidoes-o.html' title='ORFANDADES E SOLIDÕES, O DESERTO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/StMAoFtnYLI/AAAAAAAAHKM/IqcB1DsQyQA/s72-c/img_8637a.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-1390559927308819902</id><published>2009-09-29T17:46:00.000+01:00</published><updated>2009-09-29T18:29:41.488+01:00</updated><title type='text'>METAMORFOSES DE UM VELHO MURO LATERAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SsI6iL_tqGI/AAAAAAAAHI8/PZ4pItio9-w/s1600-h/IMG_8986.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 352px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SsI6iL_tqGI/AAAAAAAAHI8/PZ4pItio9-w/s400/IMG_8986.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386932463298521186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;foto montagem com colagem de rocha de sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tu já viveste menino na calha de pedra onde subsiste este muro. Um branco sujo, cal outrora, encobria ruínas de edifícios obscuros, sem rosto nem fim. Esse branco, através do qual muitos ossos pareciam emergir fantasmas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;, enquanto a chuva descarnava areias, tornava visíveis veladas figuras de meninos e meninas, velhos encolhidos, ferros ou próteses oxidadas pela intemporal carga das argamassas. Armaduras de Ucello, pareciam e talvez fossem, guernicas depois, recortes de patas de cavalo e urros durante a morte, apesar da lâmpada suspensa do tecto do mundo, porventura o céu iluminado pelos últimos gritos, o olhar dos mortos. Tu vias essas coisas como? E fotografavas o quê, além das rugas e fracturas da superfície do muro? Eu sei: foi no tempo em que repintaram aquela longa empena de vermelho saguíneo, visão de todas as batalhas, borbulhas submersas nas novas toalhas deslavando-se, coisa de tanta areia imprópria, em breve feridas explodindo sem que ninguém reparasse na hora. Sim, claro que podes redizer: surgiam também órbitas como buracos escuros pelos quais se podia espreitar a suspeita presença, no fundo, de ossos, tíbias, mãos de alumínio, uma espécie de revelação do enterro de guerreiros biomecânicos, sem origem nem vitória visível, mesmo quando tudo não passasse, em sonho, de ortopedia superior, articulações ligadas a hipotéticos nervos e músculos de cetra gente, talvez vagos indícios de seres impossíveis ou míticos, esmagados no impiedoso emparedamento. Nada disso pode ser real, tu bem sabes, nem o próprio Universo, nem o fim nem o princípio dele. Alguém, em todo o caso, tinha medo de que se desnudasse o manto que encobria origens difusas e memórias insustentáveis: o muro voltou a receber baldes de tinta vermelha, menos definida, mas nenhuma sombra sobrou. Não se ouviu nenhum grito, nada de nada maculava a tinta ainda fresca. Todos os cavaleiros de Ucello haviam desaparecido sob aquela lisura afinal quente, não restavam sinais de ossos ou cabeças escondidas em elmos tapados de ferrugem. O muro imenso, cada vez mais tosco e anos depois abrindo outras fendas, é apenas visitado, nas tardes de verão, por pardais que ali fazem curtas escalas em direcção às árvores, ninho da noite. Hoje só podes fotografar esta última ambiguidade, brancos e argamassas enfim emergindo definitivamente por sua conta, cinzentos inexplicáveis, polpa orgânica fingida e meio apodrecida, natureza morta assim, inteira, sem vestígios além do que parece velho ou de configuração abstracta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;É outra escrita, mas igualmente uma escrita indecifrável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-1390559927308819902?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/1390559927308819902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=1390559927308819902' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1390559927308819902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/1390559927308819902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/09/as-metamorfoses-de-um-velho-muro.html' title='METAMORFOSES DE UM VELHO MURO LATERAL'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SsI6iL_tqGI/AAAAAAAAHI8/PZ4pItio9-w/s72-c/IMG_8986.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-920745183239247295</id><published>2009-09-23T13:58:00.001+01:00</published><updated>2009-10-03T17:58:21.187+01:00</updated><title type='text'>MEMÓRIA REVIVIDA DE UM TANGO PERDIDO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SrpBZ2dE83I/AAAAAAAAHI0/84Z_G6gIPPg/s1600-h/IMG_8995.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 269px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SrpBZ2dE83I/AAAAAAAAHI0/84Z_G6gIPPg/s400/IMG_8995.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384688216844858226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SrpBS33y24I/AAAAAAAAHIs/qSvQEQUunos/s1600-h/IMG_8997.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 226px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SrpBS33y24I/AAAAAAAAHIs/qSvQEQUunos/s400/IMG_8997.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384688096966269826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 204, 204);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 153, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;f0tos obtidas da internet&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;A esquina, o canto, o ângulo recto de um chão enviesado, o vermelho e o negro, como  em Stendhal,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; talvez a pena de ferro fino crispada sobre &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="color: rgb(255, 102, 102);" src="file:///G:/DCIM/189CANON/IMG_8997.JPG" alt="" /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;o papel poroso, todo o ruído num só fio rasurado - e a dança procurada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt; dos dedos invisíveis, apenas o aparo em jeito de lança antiga, preto, branco e vermelho, memória revivida de um tango perdido, aqui encoberto pelos fragmentos minimalistas das suas cores emblemáticas, românticas, a prumo ou na horizontal, a escrita cursiva, itálica, bordando aluns limites escuros, lisos ou texturados, e ainda os panos dos teatrinhos de zarzuela, flamengo em Granada, as praças de Buenos Aires, desertas sob a bota militar, gente desaparecida, assassinada, corpos cinzentos atirados para as valas comuns que só há pouco as mães dilaceradas desobriram, impossibilitadas de encontrar nas fardas e nos ossos, o rosto forte  dos seus filhos. Praças amplas como as de Chirico, atravessadas por sombras negras, oblíquas, ameaça visual que uma menina, inocente, não conhece, fazendo rolar o arco sob os contrastes da luz branca, solar, e a sombra côncava debaixo das arcadas, como acontece na Lua que já sabemos como é, nem plácida nem escura: os poetas cantavam-na, em tabernas e espaços nocturnos, ouvindo os sapatos das mulheres, vendo as blusas vermelhas, os seus folhos negros, uma coxa avançando, branca, e logo se escondendo, enquanto as botas dos homens, pretas e luzidias, traçavam o espaço e batiam no chão, num rodopio do sonho e do desejo, e em tudo isso afinal, uma geometria secreta como a que se expõe e se oculta nestes planos negros, nestas faixas vermelhas, no brilho branco das camisas, equilíbrio ternário que  submete o nosso olhar à vertigem das curvas, à doce violência de um enlace pela dinâmica, corpos em contra-luz, negro partilhado com o vermelho, branco com o apagamento do gesto petrificado. Também nestas telas o mundo se petrifica e as diagonais sugerem a ordem pelo absoluto, são igualmente absurdas na inutilidade do seu espectáculo mínimo, só elas fingindo uma rasura textural em certas arestas, espaço do silêncio entretanto, a completa imobilidade, o completo esquecimento das grandes bandeiras totalitárias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;Se Chirico ressuscitasse e viessa visitar estes espaços, na dureza de quase nada, haveria de desenhar uma menina que ele criou e ali costumava passar, o aro de metal barulhando devagar no empedrado de outrora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;____________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;texto de Rocha de Sousa, partilhado com duas pinturas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;d&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;e Miguel Baganha na exposição  em Setembro, galeria Prova de Artista, e uma  sessão  de Tango, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 102);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;2009&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-920745183239247295?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/920745183239247295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=920745183239247295' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/920745183239247295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/920745183239247295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/09/memoria-revivida-de-um-tango-perdido.html' title='MEMÓRIA REVIVIDA DE UM TANGO PERDIDO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SrpBZ2dE83I/AAAAAAAAHI0/84Z_G6gIPPg/s72-c/IMG_8995.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-9146330093886186480</id><published>2009-09-10T14:13:00.000+01:00</published><updated>2009-09-10T15:12:47.228+01:00</updated><title type='text'>UMA VIDA ESCASSA PARA TANTA MELANCOLIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sqj9dLQWpYI/AAAAAAAAHEk/LuoUWMcHAYk/s1600-h/IMG_8839.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 330px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sqj9dLQWpYI/AAAAAAAAHEk/LuoUWMcHAYk/s400/IMG_8839.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379828432573474178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Já não tenho fotografias tuas na velha casa do sul, a não ser esta em que pareces muito novo. Era o teu rosto na altura em que casaste com a mãe. Sempre me disseram isso, desde os meus primeiros passos pela escola. Que fizeram das tuas fotografias, aquelas de corpo inteiro, com uma bengalinha a fingir e polainas de camurça nos sapatos envernizados? Não vi nada dessa época, ao vivo, só achei para meu consolo as fotografias de família, belíssimas, aquela rapariga ao mesmo tempo singela e notável, meias  de lã, sapatos de fivela lateral, um vestido muito fino, de cintura descaída, em cores esplendorosamente diluídas. E tu, mais tarde, com ela já mudada para senhora, um inverno cinzento por cima das cabeças, um chapéu de fita em ti, uma gola de pele nos ombros dela. Havia, cobrindo as vossas silhuetas, uma ligeiríssima velatura sépia, jeito do fotógrafo assaz famoso ou sinal da passagem do tempo que tem essa propriedade mágica e branda de queimar os ingredientes da representação assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Muitos anos depois, lembras-te?, a tua fabriqueta de rolhas ficou a viver das sobras, entre farmácias leais que produziam alguns remédios e a protecção daquele homem silencioso, trabalhador sem mácula, que se chamava Juiz, José Juiz, e tinha de facto uma surpreendente noção dos valores da amizade, da partilha, da beleza dos caminhos campestres, embora não soubesse ler nem escrever. Foi uma época triste mas votada à esperança pela poética lírica dos teus versos. Era, na humilhação da perda, a possível sobrevivência do espírito, os passos pisando veredas junto ao rio, papéis escritos e guardados na albibeira do casaco, um chapéu mais moderno e mais feio na cabeça, com a tal fita no tom próprio apesar de indevidamente baça, cinzenta como os altos muros das velhas fábricas corticeiras, mortas pelo fogo que a crise financeira espalhava pelo país, sombra, aliás, da política e exportação da cortiça em prancha, portanto sem a manufactura portuguesa, ao acaso de quem herdara milhares de sobreiros, assim enriquecendo mais depressa, delfins prosaicos, caçadores arrogante a fingir nobreza genealógica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Agora posso ver-te daqui, através da derradeira imagem, sentado nos muros baixos a montante da lagoa que o rio nos emprestava em certas épocas do ano para um repouso tardio, as lágrimas dos chorões quase tocando o espelho móvel da maré baixa. O sol batia no teu rosto, enchendo-o de luz, olhavas em frente, na direcção da foz ou daquele horizonte que recebia a queda do balão redondo e luminoso, alaranjado, ao ritmo da temperatura lenta do começo e do fim de cada Verão. Toda a paisagem vista nessa atitude contemplativa, descomplicada como a voz de um poeta guardador de rebanhos, Alberto Caeiro, ou como a de um outro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;artista de ninguém&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt; que dizia sentir a sua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;alma voando de mundo em mundo e o coração preso à terra, bem lá no fundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;José Juiz tinha um cão que o acompanhava pela cidade. O homem levava as encomendas ao correio e o cão deslocava-se a seu lado, numa agitação das pernas em frente, para acompanhar a grandeza plácida do seu senhor, passos maiores. E num desses dias, já imprevistos, José Juiz, grave, aproximou-se de mim, tratou-me por menino, como sempre, e disse apenas: «menino, olhe bem para o seu pai».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Foi só desta maneira, nada antes, nem com os sonhos premonitórios da mãe. Não me fora apresentada uma sentença, parecia um aviso apropriado, e logo a cabeça do José a baixar, a mão acenando pendida, o corpo a enfiar-se na viela a que chamavam rua Nova. Então olhei para ti, pai. De manhã cedo, estavas a sair da casa de banho, com uma toalha em volta do pescoço, e disseste «olá, tão cedo» e eu percebi o teu sorriso, esbocei um «bom dia,pai», enquanto tu fixavas os olhos nos meus, boca entreaberta de haver falado, boca tão pouco enviesada mas enviesada no canto esquerdo, expressão de súbito tímida, de desconforto ou pudor -- «menino, olhe bem para o seu pai». Foi o dia em que soube que ias morrer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sqj75inw6UI/AAAAAAAAHEc/6kJwzoCIc5A/s1600-h/IMG_8652+%282%29.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 297px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sqj75inw6UI/AAAAAAAAHEc/6kJwzoCIc5A/s400/IMG_8652+%282%29.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379826720858761538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;eu sei, era com este objecto que tu espreitavas as rimas&lt;br /&gt;dos teus versos, as facturas de pequenas encomendas e&lt;br /&gt;a pureza das rolhas, quando a sua matéria se dizia sexta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="text-decoration: underline; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-9146330093886186480?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/9146330093886186480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=9146330093886186480' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9146330093886186480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/9146330093886186480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/09/uma-vida-escassa-para-tanta-melancolia.html' title='UMA VIDA ESCASSA PARA TANTA MELANCOLIA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sqj9dLQWpYI/AAAAAAAAHEk/LuoUWMcHAYk/s72-c/IMG_8839.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2512364091655706052</id><published>2009-08-26T17:51:00.000+01:00</published><updated>2009-08-27T11:04:03.483+01:00</updated><title type='text'>HORA DE SOMBRAS OU MADRUGADA DE MORTE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVqL83mnyI/AAAAAAAAHC8/9XWndt-zwBY/s1600-h/IMG_8362.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVqL83mnyI/AAAAAAAAHC8/9XWndt-zwBY/s400/IMG_8362.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374318483887005474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVqCrFd7-I/AAAAAAAAHC0/puTT-M3QcBI/s1600-h/IMG_8352.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVqCrFd7-I/AAAAAAAAHC0/puTT-M3QcBI/s400/IMG_8352.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374318324494495714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fotografias de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi no tempo do Melícias, estás ou não estás lembrado? Tu andavas aluado por causa da maluca da moça do Entradas, a Vergina, mas os homens vieram correndo, a apitar, pendurados das carrinhas, dos carros, das mulas, e gritavam para a gente se chegar de lado que vinha aí mais  pessoal. Então já se ouvira dizer que os cães haviam ladrado, outros uivado, ficando em silêncio durante mais de uma hora. Não se ouvira nada de nada nessa hora comprida. Tu tens que estar lembrado, homem, eu bem sei o que digo. Antes de tudo acontecer os cães ladravam de hora em hora, mas no intervalo não havia grilos, nem ruídos de outros bichos,  nem deslizes no restolho de pássaros atrevidos com o medo, nenhum deles saía das tocas. E havia aquela luz coada, uma coisa entre a  noite e a madrugada, um peso no respirar.  Foi por aí que se ouviu um  terrível sopro, grandioso, vindo além do cerro, e a terra começou logo a bater pedras, mais pedras, rolou muita grés da parte seca, perto do mato&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, e daí a nada abriram-se fendas fundas, negras como a noite. Os telhados da Mariazinha cairam num instante, então sim, as galinhas quase voavam a cacarejar, e a moça também, a correr, a correr, os cabelos pretos como gavinhas abanando estouvadamente,  cadelas e cães, até ratos. Toda a gente veio para a rua, ali na praça,  e houve quem mijasse ao ver o alcatrão a quebrar, de longe as sirenes, de longe o roncar das camionetas, os bombeiros, a malta da cortiça, não havia ordem, a terra parecia ferver salpicando bolas das entranhas, umas pedrinhas meio quentes, e depois chegou a guarda para evitar a malandragem de se aproveitar de tudo, das portas abertas, dos vidos partidos, das galinhasa correr, Vergina  a chamar por ti, perdera a vergonha, dizia palavrões, malvada, malandros, quem é que reza agora, senhora?, agora é só fugir, fugir para os descampados, porra, lá desgraçam os barros do meu pai, barros, sim, muitos barros já feitos e pintados e cozidos, prontos para a merda da feira. Era um circo do mal, um circo do inferno, cinco minutos de cagaço e horas e horas aí por esse mato fora, pelos casebres, a salvar gente, a levantar vigas, a escorar tectos e paredes, e tudo acabava por cair, esmigalhando as mesas, candeeiros, cadeiras, sacrários, gatos e cães. Vai lá enganar outros, com essa do não foi bem assim. Dessa maneira, nada de nada de como a gente vê e diz. Vai perguntar à Vergina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="color: rgb(153, 153, 153);" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpszGfNiI/AAAAAAAAHCk/2YB3rhm9t78/s1600-h/IMG_8357.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpszGfNiI/AAAAAAAAHCk/2YB3rhm9t78/s320/IMG_8357.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374317948689135138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpkPyMMxI/AAAAAAAAHCc/ruWByCjA7ag/s1600-h/IMG_8358.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 243px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpkPyMMxI/AAAAAAAAHCc/ruWByCjA7ag/s320/IMG_8358.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374317801769808658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Olha, olha, então eu não vi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpZT5jj2I/AAAAAAAAHCU/uddCEebaou4/s1600-h/IMG_8359.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpZT5jj2I/AAAAAAAAHCU/uddCEebaou4/s320/IMG_8359.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374317613895880546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Nada de nada, nunca. Vai perguntar à Vergina. Até se mijavam, agarrados&lt;br /&gt;uns aos &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;outros, mesmo junto ao café do Almerindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpMZ74nFI/AAAAAAAAHCM/mJIQSJ0TD_0/s1600-h/IMG_8360.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVpMZ74nFI/AAAAAAAAHCM/mJIQSJ0TD_0/s320/IMG_8360.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374317392177962066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Quando amanheceu, devagar, ninguém arredava pé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Espreitavam os que podiam e cortavam a garganta de tanto gritar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVouaSCH-I/AAAAAAAAHB8/aIalSp02eFI/s1600-h/IMG_8364.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVouaSCH-I/AAAAAAAAHB8/aIalSp02eFI/s400/IMG_8364.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374316876874784738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Deus? Deus estava a dormir, nunca dá por nada. Nada de nada&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2512364091655706052?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2512364091655706052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2512364091655706052' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2512364091655706052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2512364091655706052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/08/hora-de-sombras-ou-madrugada-de-morte.html' title='HORA DE SOMBRAS OU MADRUGADA DE MORTE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpVqL83mnyI/AAAAAAAAHC8/9XWndt-zwBY/s72-c/IMG_8362.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2555980963860586236</id><published>2009-08-26T14:05:00.000+01:00</published><updated>2009-08-26T15:35:52.335+01:00</updated><title type='text'>MARIANNE E O DRAMA DO PINTOR FRENHOFER</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUz_gwo52I/AAAAAAAAHB0/ixlELUPLoM8/s1600-h/IMG_8776.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUz_gwo52I/AAAAAAAAHB0/ixlELUPLoM8/s400/IMG_8776.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374258896555272034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUz2ja0jkI/AAAAAAAAHBs/4BJIxfZysDg/s1600-h/IMG_8616.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 218px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUz2ja0jkI/AAAAAAAAHBs/4BJIxfZysDg/s320/IMG_8616.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374258742650244674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(153, 255, 153);"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tu vens em nome da Odette ou és a Marianne? «Começei por ser Marianne. Contracenava com o actor Picolli no filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bela Impertinente&lt;/span&gt;, de Rivette. Mas de si obtive o nome de Odette, com que fiquei durante toda a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;memória &lt;/span&gt;do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Belas-Artes e Segredos Conventuais.» &lt;/span&gt;E agora? «Agora fiquei de novo ligada a si, porque me evocou no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obra de Ninguém, &lt;/span&gt;nos capítulos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; onde são abordados vários filmes em concordância com a problemática do ver e do representar. Aquelas suas sessões marcaram-me profundamente, quer como personagem, quer como pessoa forçada a atravessar décadas com o mesmo rosto e o mesmo corpo: veja a fotografia que tem aqui e pode confirmar que os meus olhos o olham como dantes. Em todo o caso eles vieram de um laboratório que terá existido por volta de 1900. Esta face, perdida nos sonhos de Frenhofer, pintor em decadência e na evocação, cuja mágoa viveu através de mim,  um amor meio longínquo,  um retrato talvez acabado, talvez desaparecido, algo que tinha para ele ainda a substância carnal da pessoa, da pintura e da própria representação.» Foste muito condescendente com a violência de Frenhofer, a maneira como ele disputava o teu corpo, numa espécie de mistura do desejo e da rejeição. «Estas profissões são assim, irreversíveis em cada caso. Preferi sofrer com a exigência de Franhofer do que aturar assédios patéticos, perante uma obra que não se faz nem se desfaz. Aí prefiro perder o meu dinheiro e partir. De resto, a minha vontade era a de participar num outro filme, onde os caminhos estreitos, as cenas esfumadas e a sombra inquietante do bosque condicionariam tudo. Nesse caso, o problema da representação, que também se insere na linguagem fílmica, seja qual for o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estilo&lt;/span&gt;,  vinha do visível igualmente a perder sustentabilidade realista. E todo o material que entretanto se recolheu fez-me emergir da profundidade sombria, quase fantástica, de um belo jardim a fingir de bosque, ali ao sul, numa cidadezinha do interior. Essa parte do bosque tinha apenas, além de espessos arbustos, dezenas de troncos pertencentes apenas a quatro ou cinco árvores. A uma certa hora do dia, sobretudo ao entardecer, não era preciso operar com adereços de luz, as coisas saíam limpas, condução inerente à própria deriva dos entes sem nome da não-história. Mas havia também um tratamento por filtro das flores decadentes que surgia entre ruínas, sobre arbustos estranhos e um chão que teria pertencido a uma antiga casa de habitação, toda ela removida a favor de outra construção que não chegou a fazer-se. O tempo empurrou plantas do quintal, ao fundo, para dentro da área das antiga casa, algo que nos dava a impressão, espreitando pela óptica, de estar diante de um plano de Tarkovski, os verdes secos, os amarelados acinzentados, a luz difusa, a morte anunciada em certas raízes que não tinham conseguido furar a tijoleira e assim haviam produzido ramos sem esperança de vida, alimentados no inverno, após as chuvas e os pequenos lagos lamacentos sobrando na cerâmica rachada. Depois disso, as paredes fracturadas, os altos muros crivados de pregos, de aberturas irregulares, como relâmpagos em negativo, tudo servia para certas panorâmicas lentas, as quais teriam futura ligação com dois personagens, um homem velho e uma rapariga, ambos atentos, perturbados, escutando a água correr donde em onde, sem avistar senão aldeias devastadas por si mesmas ou pelo abandono. E de súbito, a madrugadaca vinha contradizer tudo, iluminando em especial o rosto da rapariga (Marianne ou Odette, não sei qual) e estilhaçando em difusão o caminho da  última cena . Toda a luz branca crescia à medida que a câmara avançava em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;travelling, &lt;/span&gt;na convergência das linhas até um muro avermelhado a travar uma hipotética saída. Quando a objectiva chegava a esse ponto o foco era apurado sobre a parede: o campo enchia-se de nova sombra, a do muro já menos quente e mais sujo, irregular na textura e nas finas fendas que o percorriam de alto a baixo. Mas isso era traduzido a cerca de dois metros, entre o nosso olhar, o olhar focado da câmara, longo plano fixo que lentamente dava lugar a um escuro opressivo e ainda tocado pela sangrenta materialidade de um submerso tom siena.»&lt;br /&gt;Fico a olhar para ela e não sei o que dizer. Não sei quem devo procurar, Marianne já se afundou na história da vida e dos filmes em que participou. E Odette era absolutamente igual à rapariga que nos servia de modelo nas aulas das Belas Artes, comendo a sua maçã ao intervalo e lendo, rosto sereno, um livro de Éluard. A minha também vai chegar, com a sua carga de memórias e os seus sucessivos apagamentos, apesar destes belos fantasmas e das imagens retiradas das gavetas e pouco depois retornadas a essa sombra apagante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="color: rgb(153, 255, 153);" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUzmr6RLzI/AAAAAAAAHBk/B3a6lgCj5UM/s1600-h/IMG_8775.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 218px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUzmr6RLzI/AAAAAAAAHBk/B3a6lgCj5UM/s320/IMG_8775.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374258470051721010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUzc8KwU-I/AAAAAAAAHBc/duuD1RGHjbs/s1600-h/IMG_8774.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 156px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUzc8KwU-I/AAAAAAAAHBc/duuD1RGHjbs/s320/IMG_8774.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374258302617146338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 255, 153);"&gt;a luz esfumava as imagens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 255, 153);"&gt;de um caminho estreito, obtido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 255, 153);"&gt;num velho e simples jardim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2555980963860586236?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2555980963860586236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2555980963860586236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2555980963860586236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2555980963860586236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/08/marianne-e-o-drama-do-pintor-frenhofer.html' title='MARIANNE E O DRAMA DO PINTOR FRENHOFER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpUz_gwo52I/AAAAAAAAHB0/ixlELUPLoM8/s72-c/IMG_8776.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2373091323020092022</id><published>2009-08-23T16:49:00.000+01:00</published><updated>2009-08-24T14:17:15.200+01:00</updated><title type='text'>A BELA IMPERTINENTE E A DOR DE FRENHOFER</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpFlin84zgI/AAAAAAAAG_0/Eak6nwT_RSQ/s1600-h/IMG_8614.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 94px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpFlin84zgI/AAAAAAAAG_0/Eak6nwT_RSQ/s400/IMG_8614.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373187475944033794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fotomontagem de rocha de sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(153, 153, 255);"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Ainda bem que te revejo, Marianne. Fazias parte de outro filme meu, colada à imagem de Odette e aos sonhos brevíssimos de Alice. Adolescentes ainda, vasculhámos as teses de Antonioni em «Blow-Up», Brian de Palma depois, em «Blow-Out», e assim por diante. Em «Viagem Breve pelo meu Corpo» era um  desafio a Rivette (calcula!) e ao trabalho de «A Bela Impertinente». É preferível viver assim, folheando o futuro, do que beber de uma só vez a purga do tempo. Lembras-te da Lourdes? Que belo rosto, no cinema sobretudo, ou mesmo perdido num cemitério de automóveis do «Encontro no Século XXI». Entretanto foi sofrer para a grécia, tentando libertar-se de muitas feridas do corpo e da alma: voltou salva mas irremediavelmente envelhecida. Estivemos uma tarde a ver «O Contrato», de Greenaway. Deixei de a ver entretanto. Ainda bem que encontraste o livro. O outro chama-se «Obra de Ninguém» e é um livro quase impossível de escrever, porque metade dele procura dar a ver grandes pinturas não assinadas, que viajam incógnitas pelo mundo, com passagem atribulada por Maputo e Lisboa. Pois é, tens razão, podes dar uma vista de olhos a esses capítulos. Concordo com o que dizes: também escrever é dar a ver, irrecusavelmente pela leitura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold; color: rgb(153, 153, 255);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpFlagApbJI/AAAAAAAAG_s/cM9flzZuYDw/s1600-h/IMG_8615.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpFlagApbJI/AAAAAAAAG_s/cM9flzZuYDw/s400/IMG_8615.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373187336373365906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«Esta reflexão sobre a pintura passa pelo acto de representar, em sucessivas conquistas gráficas e pictóricas apoiados no real. Como nas antigas Academias, o pintor Frenhofer parece ter saído de uma pausa indeterminada, em nada parecida com as famosas férias sabáticas. O seu retorno ao desenho é um patamar de presumível animação na pintura. É algo a que ele aplica a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;projecto&lt;/span&gt;, um repetido percurso, na sua essência e nos seus vazios; semelhante ao de Sísifo, considerando o modo como as rochas se desprendiam daquelas mãos doridas - quadros sempre incompletos - e rolavam pela encosta mítica numa espécie de fatalidade incomportável para a vida dos homens e dos próprios deuses. Não é por acaso que este artista, talvez de meia idade, e cujos gestos e olhares escorre alguma lassidão, ainda convoque um modelo vivo, essa jovem mulher gratificante mas de gestos sem grande iniciativa, bem capaz, em todo o caso, de servir a novos passos iniciais, passagens, referências, treino também de hipotéticos diálogos com o espírito de muitas formas perdidas. Frenhofer quer reencontrar-se com a memória de Liz, um afecto longínquo e contudo bem nítido nas rasuras da sua pele, porventura da sua arte anterior, horas de sucesso e entregas, prémios mediáticos e ilusórios da vida, enquanto nos mantem empreendedores no sentido impressivo dos riscos, de cada escolha e de cada deus, indiferentes aos breves avisos das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;margaridas da morte &lt;/span&gt;que se espalham como sardas insidiosas, por vezes cedo, pelas costas das mãos. Mas este homem parece, por outro lado, ter consciência de aue &lt;span style="font-style: italic;"&gt;está condenado ao impossível&lt;/span&gt;, como afirmava Picasso, embora lhe reste, após uma incerta depressão, o sopro susceptível de conferir à vontade o sentido de algum derradeiro encontro - a descoberta, enfim, da forma de realizar um quadro adiado sobre as pétalas caídas no quarto de Liz. Se alguém lhe pergunta, a propósito do trabalho que já fez ou do que está começando a fazer, se tudo tem corrido bem, se aquela busca é difícil, ele respondo no tom apropriado a fim de referir um miterioso esforço: «Sim, é difícil»&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O Professor calou-se, não levantou os olhos, passava entre os dedos as quatro ou cinco das fichas em que se apoiara. Então sim, ofereceu um olhar evasivo à turma queo fitava sem ameaças de desprendimento.&lt;br /&gt;_____________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Excerto do livro, a sair em 2010, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obra de ninguém, &lt;/span&gt;de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2373091323020092022?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2373091323020092022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2373091323020092022' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2373091323020092022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2373091323020092022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/08/bela-impertinente-e-dor-de-frenhofer.html' title='A BELA IMPERTINENTE E A DOR DE FRENHOFER'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SpFlin84zgI/AAAAAAAAG_0/Eak6nwT_RSQ/s72-c/IMG_8614.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2523194683094504654</id><published>2009-08-19T13:19:00.000+01:00</published><updated>2009-08-19T14:38:27.359+01:00</updated><title type='text'>SÍSIFO, A PEDRA OU  A  CONDIÇÃO  HUMANA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sovv0Mii4qI/AAAAAAAAG98/939p33SKYII/s1600-h/IMG_8739.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sovv0Mii4qI/AAAAAAAAG98/939p33SKYII/s400/IMG_8739.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371650660567802530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Sísifo, todos os calvários do mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SovvsWNgnGI/AAAAAAAAG90/vkbvymcmcRY/s1600-h/IMG_8742.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SovvsWNgnGI/AAAAAAAAG90/vkbvymcmcRY/s400/IMG_8742.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371650525724974178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mobilidade visual, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;no espaço da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aparência e da representação, &lt;/span&gt;não é propriamente uma teoria; no fundo, é mais uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;praxis, &lt;/span&gt;mostra-nos a inevitabilidade, e mesmo a urgência, em nos deslocarmos no plano real, a par de apropriadas convocações da memória. Os pontos de vista têm de se multiplicar cada vez mais, consoante o intuito da nossa aproximação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;As grandes estátuas da Ilha da Páscoa, que sempre olharam de frente, a defender ou a vigiar não se sabe o quê, sairam das mãos de uma gente que imaginou porventuta tais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;deuses&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;, sem olhos e portanto sem o dom da visão. É que a visão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;de si &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;que esse povo teria quanto ao destino  fixava-se na produção &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;daquele bem&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;, algo que o sinalizava e o protegia. Era um longo conjunto de actos que não parecia decorrer de uma experiência perceptiva aproximada de tais formas, inexistentes no contexto da ilha, antes deveria nascer de um outro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;modo de ver &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;e da própria natureza do meio, do procedimento instrumental, de uma prioridade assim, lúdica e assaz permanente. Dir-se-ia que este povo misterioso concebera a infinitude no finito, retirava daí o seu conforto, como que superiormente destinado áquele lugar, cego para a expansão, preso para o crescimento, alheio à ideia de partir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;O homem sempre se dedicou, tanto para se guardar como para se condenar, à idealização dos seus deuses e heróis. A mitologia, num sentido lato, pairou longamente sobre as civilizações de eras distantes. Conhecemos todos esses casos e as suas ressonâncias simbólicas, uma teologia obscura. Herói mítico, deus à sua medida, Sísifo, que Camus interpretou de forma soberba, tornou-se conhecido por aquele trabalho a que fora condenado, rotineiro e dilacerante. Tratava-se de um castigo para lhe mostrar que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade da escolha. Essa é uma das suas superiores afirmações, integrando ideologias e a esperança. Mas o  mundo que gerou o castigo de Sísifo concebia que a escolha obrigava à concentração nos afazeres da vida quotidiana, vida só assim vivida em plenitude, tornando-se criativa na repetição e na própria monotonia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Esta questão é essencial. Curiosamente, Sísifo morreu de velhice e foi considerado um grande rebelde, juntamente com Prometeu. O trajecto dos homens, sendo estruturalmente idêntico ao de Sísifo, desviou-se muito cedo daquela relação entre liberdade e escolha. A escolha implica uma responsabilidade decisiva, ligada aos efeitos sobre os outros e o mundo. Inclui o devastador direito de renúncia. O homem quer sempre ulgtrapassar os seus limites, abrir-se a mais território, por exemplo, num fio indeterminado de novas apropriações. Constrói e destrói, como na parábola da pedra. Mas procura contornar tal condenação e descobrir maiores benefícios para além da rotina, crescendo, amontoando informação, virando as quantidades de tudo e dos próprios benefícios contra si. A abastança em dese&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;quilíbrio contraria a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;simetria  &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;doUniverso e pode provocar a implosão ou o caos absoluto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Já não vemos nem representamos o que vemos. Com razão à partida, porque ver não é contemplar: é sair ao encontro das coisas, é recriar a dinâmica do transpoite da pedra, esboçando atalhos. Mas de nada serve erguer e  multiplicar aleatoriamente mais montanhas, juntas, sobrepostas, cada vez maiores. A arte não nos pede o excesso incomportável nem o deserto de todo e qualquer sentido. A grande  dependência das construções em vias de implosão pode ultrapassar a crise da Natureza, em parte gerada pelo homem, mas redes sistémicas de uma civilização baseada no dinheiro e no crescimento sem retorno, também podem pulverizar-se com a renúncia de Sísifo. Nem todos pensam em falência na &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;repetição &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;sisifiana: mas a verdade é que ele não tem o poder dos deuses e um dia o mundo acabará encurralado como os conformados habitantes da Ilha da Páscoa, outrora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Não foi por acaso, a seu tempo, que Albert Camus começou o livro «O Mito de Sísifo» com esta frase: «Só há um único problema filosófico: é o suicídio».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;Extracto do livro de Rocha de Sousa «Obra de Ninguém»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sovvj_KjTeI/AAAAAAAAG9s/tfTWhA7v4uU/s1600-h/IMG_8741.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 169px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sovvj_KjTeI/AAAAAAAAG9s/tfTWhA7v4uU/s400/IMG_8741.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371650382099598818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a renúncia de Sísifo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SovvTzCmJWI/AAAAAAAAG9k/Vy_xAQTSXu4/s1600-h/IMG_8743.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 149px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SovvTzCmJWI/AAAAAAAAG9k/Vy_xAQTSXu4/s400/IMG_8743.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371650103967098210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sísifo: condenação ou condição&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2523194683094504654?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2523194683094504654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2523194683094504654' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2523194683094504654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2523194683094504654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/08/sisifo-pedra-ou-condicao-humana.html' title='SÍSIFO, A PEDRA OU  A  CONDIÇÃO  HUMANA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sovv0Mii4qI/AAAAAAAAG98/939p33SKYII/s72-c/IMG_8739.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-2149799255294778605</id><published>2009-08-06T16:05:00.001+01:00</published><updated>2009-08-06T16:57:08.703+01:00</updated><title type='text'>CEMITÉRIO E MORGUE DOS NAVIOS MORTOS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Snr9BtRgrcI/AAAAAAAAG8k/F3eiTHvcUTU/s1600-h/IMG_8635.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 276px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Snr9BtRgrcI/AAAAAAAAG8k/F3eiTHvcUTU/s400/IMG_8635.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366880111740104130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Snrx-872azI/AAAAAAAAG8c/WKyQXrR1b8c/s1600-h/IMG_8636.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 276px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Snrx-872azI/AAAAAAAAG8c/WKyQXrR1b8c/s400/IMG_8636.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366867969776708402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fotos de Rocha de Sousa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Seixal, tempo anterior. Lugar de abandonos e novas presenças, grandes restos de máquinas em ferro, silhuetas enganadoras de carros de combate, feridos por fora e rasgados por dentro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;, vazios num torpor de sonoridades chegadas da estrada marginal. Há um bater de ferros e latas por ali, para lá do pântano, coisas soltas em parte mergulhadas nas matérias esverdeadas e lodosas. De longe, na estrada em curva, os carros passam e há pessoas ensaiando a vida nos seus passos de domingo. Mas aqui, mais passos em frente ou em volta, ainda se descortinam pedaços de casas desconstruídas, cadeiras velhas, lavatórios, ferrugem até nas pedras. E os carros de combate? E aquele buraco em ferro onde os rumores do trânsito pareciam convocar arrastadas memórias da guerra? Ali não, afinal, nem mais além, onde as empenas de metal corroído não passam de restos de grandes navios, serrados de cima a baixo várias vezes, desmontados, despintados, examinados assim na morgue que lhes preparam um lugar transitório no cemitério dos mares. E é verdade, caso a caso, montes de ferros, hastes dobradas, janelas de comando, metal amolgado e ainda com parafusos presos, ao lado de buracos redondos, pequenos, de outros parafusos que os batimentos manuais suprimiram. Nem tanques nem barcos, nem mesmo navios. São monstros marinhos depositados como monumentos escultóricos, de vontade e de acaco, formando memórias da arquitectura das navegações, agora peças meio soltas, por vezes mito altas e gemendo ao vento, máquinas navegantes e mutiladas, entretanto meio imersas na superfície lododosa, entre cheiros a maresia e gritos de gaivotas girando por todo aquele espaço a picar algum bicho de consistência apropriada para voar até ao ninho e filhos dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Vieram os homens, os que trabalham na apanha de bivalves entre fedores inconsequentes e os que pertencem à desmontagem dos ferros, como quem derruba árvores para exportar madeira. Máquinas vivas avançam por meio de  lagartas de aço, elevam guindastes com garras suspensas da ponta. E há vozes de comando. Vozes longe e perto. Martelos batendo carcaças já rasgadas e semi-desfeitas, corcovas de ferro oxidado, e a grua roda, deixa pender um grande disco com garras abertas, roda, roda, pára, espera, e de súbito deixa cair as mandíbulos sobre um monte de sucata de belo efeito. O ruído dos dentes a fechar-se e dos ferros semelhantas a latas de brincar, mais e mais, vai firmar-se num uivo de sucção, o disco subindo e levando consigo várias toneladas e metais meio configurados que já desempenharam funções leves e pesadas numa grande unidade de carga ou eventual petroleiro. Espalhados pelo cemitário, já ninguém lhes recohece nome, matrícula, origem, décadas de história. As serras operam entretanto de alto a baixo, cortando fatias e fatias de muros espessos, agora rangentes e porventura, de longe, semelhantes a latas que qualquer tesoura rasgaria quase em silêncio. Senhores, vejam isto uma vez na vida, vale bem qualquer doca de Nova Iorque. É um cemitério lindo, uma instalação interestelar, os restos de grandes naves que tombaram sobre a terra, talvez anunciando vida semelhante à nossa em pontos invisíveis a cerca de dois milhões de anos luz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-2149799255294778605?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/2149799255294778605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=2149799255294778605' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2149799255294778605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/2149799255294778605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/08/cemiterio-e-morgue-dos-navios-mortos.html' title='CEMITÉRIO E MORGUE DOS NAVIOS MORTOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Snr9BtRgrcI/AAAAAAAAG8k/F3eiTHvcUTU/s72-c/IMG_8635.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-6568513365163302067</id><published>2009-07-28T15:11:00.000+01:00</published><updated>2009-07-28T18:31:02.634+01:00</updated><title type='text'>ENTRE GUERREIROS E POMBAS, APENAS SONHOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sm8I-DOO4oI/AAAAAAAAG78/qIZJFXeX5G8/s1600-h/IMG_8660.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 303px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sm8I-DOO4oI/AAAAAAAAG78/qIZJFXeX5G8/s400/IMG_8660.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363515543331463810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;desenho digital do autor do blog&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sm8Ij6WfzBI/AAAAAAAAG70/subMyz7wVo0/s1600-h/IMG_8660.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 1px; height: 1px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sm8Ij6WfzBI/AAAAAAAAG70/subMyz7wVo0/s200/IMG_8660.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363515094273608722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Coitado de mim, aqui à porta, sem jeito para nada, coisas esquecidas de alguns moinhos de papel numa Primavera agreste. Já se acabaram as ovelhas, os amigos do fundo do vale, afinal a aldeia é só de mim e da minha velha mãe. Aqui estamos, vamos a ver, há duas galinhas, um piriquito  por companhia, e por vezes o vizinho  de cima vem pedir para cuidar ou guardar algum  animal  até à noitinha, em certos casos mais tempo, é  gente pouca de Vinhais de Cima. Vale tudo uns tostões mas por vezes pagam-nos em alimentos, enchidos, pão, bocados de carne assada, uma garrafa de água. Eu faço uma parte da lida da casa e a mãe lamenta-se de eu estar aqui por causa dela, sem emprego nem estudos. «Já tens quase dezoito anos, moço. Tens de sair daqui». Fiquei a pensar que não sabia sair dali, nem do cerro, nem do vale, se já não guardava ovelhas, guardava galinhas. O senhor Artur tem um galo e já o deixou aqui umas poucas de vezes. Mas ainda  não vi os ovos. Se a coisa pegar vou ter trabalho com os pintainhos. O filho do senhor Artur, que está muito longe, em Aveiro, vai ser doutor mas já disse ao pai que virá ao lugar ajudar na pecuária. Talvez nessa altura eu já tenha uma catrefa de pintos, dos pintos guardam-se os machos e de galinha em galinha as coisas podem dar bem. Eu sou daqui, coitado de mim, rezo aos montes, foi a mãe que me ensinou, pedindo  dias melhores. Digo aos montes que é preciso haver muitos pintos. Agora nem dormir posso, estão sempre a passar no escuro guerreiros a pé, com cajados e barretes e máscaras, vem um morcego branco por cima deles, estremece a terra com tantos passos, todos  os dias assim. Mas estas doidices só podem ter sido contadas quando eu era menino, porque os sonhos que gostava de sonhar são aqueles com as ovelhas a parirem, um ou outro cão esganado, as árvores inclinadas pelo vento, sempre aquele uivar pelas serras e o choro das folhas embrulhadas no raio do tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;Mas isso eu sei ver e até gosto. A velhota diz que não há morcegos brancos, só pombas dos castelos. E também já não é tempo de guerreiros, as terras estão conquistadas e afeitas, nem a família do Artur atravessa uma serra para espavorir o sono entaremelado de moços como eu. Mas posso estar a fazer o mundo outra fez, em sonhos. Não me dizem que o mar é assim como uma parede azulada, ao longe, sem fim? Daí pode aparecer um sonho, barcos desses que andavam pelo rio, carregando coisas. Agora, escangalhado, não há cabras, nem ovelhas, só duas galinhas e um galo emprestado. Mas como é que posso mudar o sonho só com a lembrança destas poucas coisas&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 255);"&gt;? O sonho somos nós. Tudo o que vejo nos sonhos é mais meu do que as histórias de lobos, medos, passos nas casas, essas coisas todas que o senhor Artur conta, escarninho e sempre a beber, babado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-6568513365163302067?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/6568513365163302067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=6568513365163302067' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6568513365163302067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6568513365163302067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/07/entre-guerreiros-e-pombas-apenas-sonhos_28.html' title='ENTRE GUERREIROS E POMBAS, APENAS SONHOS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sm8I-DOO4oI/AAAAAAAAG78/qIZJFXeX5G8/s72-c/IMG_8660.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7045226939343433389</id><published>2009-07-21T11:32:00.000+01:00</published><updated>2009-07-21T12:03:34.461+01:00</updated><title type='text'>MENINA CIGANA E O VÉRTICE DO SEU OLHAR</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SmWZnNlnL6I/AAAAAAAAG6U/Aw55Q82x4Wk/s1600-h/IMG_8634.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360859830395809698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 277px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SmWZnNlnL6I/AAAAAAAAG6U/Aw55Q82x4Wk/s400/IMG_8634.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#c0c0c0;"&gt;foto do autor do bloga&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Olha para mim, pequena, os meus olhos estão atrás desta máquina. Olha bem para este vidro, o teu rosto está dentro dele, a olhar também para ti. Assim, ficas esperta e com o medo do teu estrabismo. Vieste à praça? Vieste com a tua família? Vives além no cerro, aquele do moinho em ruínas? Agora podes conversar comigo, já consegui meter aqui dentro o teu retrato. Queres ver? Espreita para esta janelinha. Aquela menina és tu. Claro que sim. Não, fica tranquila, eu só copiei a imagem da tua cabeça. Pronto, eu sei, nunca vista a cabeça dentro da máquina. É verdade. Esta engenhoca é diferente, mas não rouba o rosto ou o corpo de ninguém. Passo a mão pelos teus cabelos encrespados, não sentes? Não desapareceste do teu lugar, estás inteira, aceitas o meu abraço, queres olhar outra vez para o vidro. Aí estás tu de novo. Abana a cabeça, isso, de um lado para o outro, e lá no vidro é como num espelho. Quando sais do espelho a tua cara não permanece dentro dele. Além de não ser máquina, não tem mais nada para registar. Agora, este vidro redondo, que se chama lente e pode reflectir imagens, está a funcionar mais ou menos como espelho, perto de ti, e tu não voltas para dentro da máquina porque eu não toquei nestes botões. Espreita a janela, cá atrás. Não está nenhuma menina como a outra de há pouco. É tudo a fingir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ela riu-se, desviando o corpo, limpando as mãos suadas ao tecido da saia. Olhava-me de lado, começava a afastar-se. Tinha pena, queria saber mais, mas o pai, cigano do cerro, estava na tenda, além, meio deitado numa cadeira de lona. Ele quer sempre os filhos por perto e de resto há pouca gente na feira, mais na praça, os gritos de oferta e chamamento perdem-se no ar, voam com os pombos para as frestras abaixo das telhas de vidro. Fogem, os gritos, logo acompanhados por outros, entre as hortaliças e a bancada do peixe. A menina cigana ainda me olhou de longe, o dedo na boca. Talvez tivesse percebido que eu não sou um caçador de cabeças. Registo, com doçura, imagens sempre bonitas de rostos sempre vivos, olhos nos olhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7045226939343433389?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7045226939343433389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7045226939343433389' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7045226939343433389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7045226939343433389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/07/menina-cigana-e-o-vertice-do-se-olhar.html' title='MENINA CIGANA E O VÉRTICE DO SEU OLHAR'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SmWZnNlnL6I/AAAAAAAAG6U/Aw55Q82x4Wk/s72-c/IMG_8634.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8995459550346157788</id><published>2009-07-13T14:41:00.001+01:00</published><updated>2009-07-13T16:39:45.335+01:00</updated><title type='text'>A PASSAGEM DAS HORAS SOB A TEMPESTADE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sls6j5xEOUI/AAAAAAAAG5M/IsHjJ1bM2k0/s1600-h/IMG_8604.JPG"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357940570163788098" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sls6j5xEOUI/AAAAAAAAG5M/IsHjJ1bM2k0/s400/IMG_8604.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt; &lt;em&gt;grafismo digital de rocha de sousa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Estás só e curvas a cabeça, como sempre, a esta tempestade tropical que se aproxima. Cada vez é mais assídua mas ainda é vulgar, quase branda. Virá um dia a sacudir a mítica temperança do clima peninsular, varrendo estas terras que já perderam a relação regular das estações do ano. Isso sim, será inquietante. Tem cuidado, não mintas a ti mesmo: desde menino, desde o ciclone, que ficaste refém desse trauma devido à Natureza em violência. Não, não estou a exagerar, e tu sabes perfeitamente que só levantaste os olhos às verdadeiras tempestades tropicais quando estiveste em Angola, ao acaso de todos os casos. Esperavas por elas, com outros companheiros, no limite do morro, um abismo de floresta à tua frente, a cortina de água apagando horizontes, uns após os outros, branco cinza compacto cujo interior se iluminava sem desenho e muitos segundos depois chegava a ti o ruído de enormes pedras rolando sobre estradas de zinco. Podias fazer as contas, trabalhando com a velocidade da luz e a velocidade do som: a verdade dessa operação matemática estava aberta diante de ti e dos outros. Deus brincava com os sinais da sua Omnipresença e já sabia a data em que sairias dali, daquele soturno universo de florestas e covas sem fim. Então começavas, num olhar de minúcia, a observar o avanço (metro a metro) da torrente de chuva: ao longe, o verde-verde sombrio das copas das árvores, coladas entre si, desaparecia sob essa água tumultuante, entre salpicos em bruma, num lamento rouco, que mal se ouvia. Tudo começara a acontecer cerca de uma hora atrás. De súbito, sem aviso, um risco torto, divino, acendeu-se num traçado tortuoso, brutal, imenso, tal e qual como Deus escreve nas linhas direitas, acompanhado (numa fracção de segundos) pelo rasgamento simultâmeo de mil árvores colossais, imagem sonora dos troncos tombando, rolando, bramando em cavernas de montanha, ronco cavo, pedaços de som esfarelando-se num lugar qualquer, inacessível. As vossas pernas nuas recuavam um pouco, avançavam depois, e toda a gente começava a ver uma parede como a do Niagara rompendo caminho, engolindo metros e metros de fdolhagem, agora produzindo um ruído tão intenso como o som intermédio das descargas eléctricas, mas sem quebras de altura, primeiro ainda tolerável, quase brando, e pouco depois, a cem metros do vosso abismo, imperioso, contínuo, abafando as próprias vozes que te ladeavam. A dez metros ainda podias ver a tromba de água, ciclorama apocalíptico. Ninguém se ouvia mais, os primeiros pingos de água alagavam tudo, e tu correste como um coelho acossado, entrando em queda na casa de zinco, enorme, em que habitavas com os sargentos e oficiais. Toda a gente se encolheu nas camas, tapando os ouvidos num desespero, porque aquela carga a desabar sem intervalo sobre o zinco parecia mesmo a cólera do Deus impossível do Primeiro Testamento. Nunca viras nem ouviras uma coisa tamanha. Nada de nada parecida com o sopro ciclónico da jua meninice, aquele que levantou telhados e arrastou árvores inteitras pelo espaço adiante. Pouca coisa,  mas o medo é próprio dos homens. A tempestade tropical, assim, vista de longe e bem de perto,  é outra coisa, em particular sob o zinco amplificador, o mundo em poedaços. Afastava-se depois, neia hora depois, majestática e cada vez mais «mansa», apesar da artilharia que arrastava consigo e tornava todos os bichos invisíveis, mesmo que não tivessem ouvidos. Lembras-te quando tiraste os dedos dos ouvidos? Chovia longe, ouvia-se o pingar das goteiras, pequenas goteiras das folhas de zinco, uma impressão estranha de fogo na distância devida a uma luz já alaranjada que entrava pelas frinchas, aliás juntando-se a outra, talvez insinuada pelo  som  dos  pingos de água ouvidos a desfazer-se  na terra molhada. A medo, mas fascinado, foste até à porta. Havia gritos de grandes aves que se preparavam para levantar voo. E a chuva longe. E os relâmpagos vermelhos, amarelos, brancos, empurrando o som em largos círculos que já precisavam de cinco segundos para chegar ao vosso território. Em volta das casas e casinhas, zinco, madeira e lona, troncos e ramos de árvores, viaturas militares em verde azeitona, brilhando como nunca, espalhavam-se impensáveis brilhos de lagos abertos na terra, coroas de lama pegando-se umas às outras, o céu já vermelho e roxo, projectado nos espelhos horizontais, nos reflexos mamutianos da lama. E uma simples bota que lá entrasse, porque nada parecia tão grande como realmente era, afundava-se naquela carne mole. Era terrível retirá-la de lá e sobretudo transportá-la no pé com cinco quilos de barro, pelo menos, agarrado a ela. A paz era então anunciada pelos últimos arcos-íris que enfeitavam o resto violeta suave do vosso céu, para leste, cruzando-se entre si ou arrancando de pontos que podias tocar, erguendo logo os olhos a fim de perceberes qual era a extensão desse arco multicolor, uma curva da mais sublime geometria, desfazendo-se, ao contrário de outras, além ao funco, entre nuvens baixas que pareciam pássaros silenciosos deslizando no fio horizontal da brisa.                                                   &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#66ff99;"&gt;Queres dizer alguma coisa?                                                                                                                        Claro que sim. Sabias perfeitamente que eu tenho esse espectáculo, inteiro, na memória.               Não, não sabia inteiramente. Calculava. Mas tu estavas dobrado, riscando por nada.                    Por nada, dizes bem: não era medo de tempestade nenhuma, era apenas medo de não conseguir apagar (ou esconder) a fotografia terrível que imprimira neste papel. Sobrou em cima, à direita, o rosto de uma rapariga&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#66ff99;"&gt;pacífica, mas não sei o que fazer com ela.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#66ff99;"&gt; Deve ser o anjo que tu nunca soubeste ser para mim. Desculpa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-8995459550346157788?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/8995459550346157788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=8995459550346157788' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8995459550346157788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/8995459550346157788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/07/passagem-das-horas-sob-tempestade.html' title='A PASSAGEM DAS HORAS SOB A TEMPESTADE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sls6j5xEOUI/AAAAAAAAG5M/IsHjJ1bM2k0/s72-c/IMG_8604.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5965027612472560233</id><published>2009-07-08T10:06:00.000+01:00</published><updated>2009-07-09T17:00:09.053+01:00</updated><title type='text'>DESCONSTRUÇÃO ANALÍTICA DE UM QUADRO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRk290FYxI/AAAAAAAAG3Y/I7OYUXE7mYk/s1600-h/IMG_8568.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 395px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356016752319095570" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRk290FYxI/AAAAAAAAG3Y/I7OYUXE7mYk/s400/IMG_8568.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Quadro em técnica mista Rocha de Sousa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Lasso, perplexo, passei uma tarde quase inteira procurando catálogos das minhas exposições, fotografias, textos, &lt;em&gt;restos de mim&lt;/em&gt;, consciente de que esses materiais estão sempre num certo lugar da estante à direita, hoje impossível de arrumar com a respectiva reordenação das muitas publicações. Há coisas, sonbretudo livros, que parecem simplesmente desaparecer. Raramente os reencontro: é como se o meu &lt;em&gt;habitat &lt;/em&gt;e eu mesmo nos estivéssemos a afastar no espaço e no tempo, lixo da galáxia mais tarde ou mais cedo absorvido pelo mais próximo buraco negro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Lá me socorri deste quadro, de uma série de técnica mista&lt;em&gt; &lt;/em&gt;que apresentei na galeria 111, por volta de 80. Trata-se de uma peça pluridimensional, com base em fotografias, reproduções através de &lt;em&gt;scaner&lt;/em&gt;, entre colagens, coisas redesenhadas, tudo numa viagem pelo tempo e pelas nossas vidas sempre salpicadas de momentos genealógicos, as tias &lt;em&gt;santas e tuberculosas&lt;/em&gt; da época própria, prontas a subir ao céu levadas por figuras diáfanas e deixando entre nós, enviesados, registos precisos dos artista do tempo. Aqui se pode viajar de cima para baixo ou ao contrário, e também da esquerda para a direita, nos diversos patamares onde a história começa a atingir os prolongamentos próximos de uma família dividida por diversos lugares e até continentes. O quadro não explica nada disto, não é sequer a sua função principal, mas se a arte emudecer de vez, incapaz de enriquecer a sua autonomia com reflexões expressivas acerca das nossas vidas, memórias, afectos, sinais de sonhos que só a morte pode vir a esconder, então a civilização a que pertencemos terá sucumbido. Uma arte que só se contempla a si própria e ignora as realidades da condição humana, não é quase nada, fará parte das estradas poeirentas dos museus fechados do futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 197px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356016616532326994" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRkvD9_ulI/AAAAAAAAG3Q/m0DZdv69j2A/s320/IMG_8561.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Destaco uma parte, contendo, sobreposta, a última tia, presumo que seja ela, professora primária na serra do Espinhaço de Cão e a ganhar dezanove escudos por mês, tendo casa, haveres quotidianos, mas privada, ali tão longe, de abastecer a sua subsistência alimentar. Talvez as figuras angelicais sobre quem ela se recorta, um pouco torta para se perceber que a moldura era verdadeira, ajudem também a minimizar o desentendimento fácil com a estrutura das medianas do campo. Cena ao alto, na metade superior da composição, isso implica a provável dignificação da prática, da entrega, da ascese, entre fotografias em pose e uma cabeça cheia de rostos jovens serranos, escuros, ouvindo a história dos reis de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRkidCXj2I/AAAAAAAAG3I/N7EiksaXA8E/s1600-h/IMG_8558.JPG"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 278px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356016399923253090" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRkidCXj2I/AAAAAAAAG3I/N7EiksaXA8E/s320/IMG_8558.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;As viagens horizontais encontram-se com muitas coisas que parecem emergir da realidade menos controversa, ou compostos de afirmação, numa deriva pelos destroços que ficaram agarrados às paredes e que espalham a sua doença às tintas fragilizadas, bocados de continentes, a beleza misteriosa, ao luar, que se assemelha por vezes com a fonte fria dessa mítica inspiração poética. Temos a impressão que a fortuna e o &lt;em&gt;charme&lt;/em&gt; de outros tempos se nivelam nos recantos encobertos, os pobres dormindo na rua, ou mortos apenas, vítimas dos actuais dilúvios.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRkYCEQcxI/AAAAAAAAG3A/traFSiO0hjI/s1600-h/img_8559.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 190px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356016220884726546" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRkYCEQcxI/AAAAAAAAG3A/traFSiO0hjI/s320/img_8559.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O outro lado dessa pesquisa nómada é reforçado, embora menos ilustrativo, com estes negativos onde a luz parece alargar, por sua conta, o nosso imaginário.  O sentido mais profundo perdura, mas há transparências e abstrações que parecem citar, apenas citar, alguns truque da modernidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRjnuVHBwI/AAAAAAAAG24/oq29rE5j8Uw/s1600-h/img_8559.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 190px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356015390952982274" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRjnuVHBwI/AAAAAAAAG24/oq29rE5j8Uw/s320/img_8559.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Aqui nos encontramos do lado da percepção visual, soletrando aquele preciso ensinamento de Paul Klee: «a arte não reproduz a realidade, torna-a visível». É muito e é ainda pouco: porque a transferência de um meio de expressão para outro encontra sempre muitos escolhos intransponíveis. Como seria esta imagem, já de si complexa pelos indícios que comporta, tratada ao nível da escrita, em português? Não há jazigos apropriados para tais trasladações, discursos em papel, &lt;em&gt;equivalências reelaboradas pelo sonho&lt;/em&gt;, mas a arte é feita de partilhas, de entregas, de desdobramentos quase perenes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 206px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356015212403567378" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRjdVLnKxI/AAAAAAAAG2w/ykQAbt0cuQE/s320/IMG_8563.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Depois chegam os mais novos, a rapariga que não está bem feliz nem infeliz: acabou porventura de visitar algum espaço de memórias, confrontando-se com os amores mortos e as fotografias felizes espalhadas pelo cemitério. Ela repete-se porque se explica pelo tempo, pela viagem, e pela emergência de acontecimentos trágicos, a morte de alguém. Mas não é necessariamente assim que tem de ser e o rosto dela anuncia, na sua leve inclinação, o sentido das velas, o destino da navegação.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 173px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356015003079759170" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRjRJY7VUI/AAAAAAAAG2o/LoHwZ125e6w/s320/img_8562.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Esta imagem, parte do quadro que temos vindo a visitar, confirma a anterior e, entre as diversas colagens significantes, reelabora outro espectro meio submerso, não em referência aos mortos dormindo de há pouco, mas ao enlace de dois corpos, talvez um acto de amor, talvez, ao contrário, a luta de várias falências quotidianas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 303px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356014844667220722" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRjH7Qb0vI/AAAAAAAAG2g/HjCG_xUMISs/s320/img_8564.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Há sempre alguma coisa que apodrece em todos os lugares do mundo, um excesso, uma acomodação de imagens degradadas, antes das guerras, depois das guerras. Ou as malhas rendadas que amortalham a mesma vida de todos os dias, escurecendo em teia a mesma personagem de há pouco, um fim de tarde, a iconografia melancólica da juventude quando divaga e sonha e pensa pessoas de todos os tempos, entre jardins escondidos e murmúrios de espera.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5965027612472560233?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5965027612472560233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5965027612472560233' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5965027612472560233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5965027612472560233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/07/desconstrucao-analitica-de-um-quadro.html' title='DESCONSTRUÇÃO ANALÍTICA DE UM QUADRO'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlRk290FYxI/AAAAAAAAG3Y/I7OYUXE7mYk/s72-c/IMG_8568.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-7488598497324196272</id><published>2009-07-07T13:29:00.000+01:00</published><updated>2009-07-07T15:08:39.913+01:00</updated><title type='text'>ALICE, VENDEDEIRA DE PATAS DE GALINHA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlNAJL7Mm1I/AAAAAAAAG2Y/_x6hg3twOdE/s1600-h/IMG_8280.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 362px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355694908437732178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlNAJL7Mm1I/AAAAAAAAG2Y/_x6hg3twOdE/s400/IMG_8280.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;foto do autor deste blog&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#cccccc;"&gt;Alice, vendedeira de patas e asas de galinha. Miúdos ou noelas, não sei. Alguma alface, alguma cenoura. Ossos pelo caminho, as chinelas tracejando a lama, feridas de pedras húmidas, ocasionais mas muitas, e ela assim, carregada, sem nunca falar nesta banca de madeira, porventura disfarçada com plástico. Toalha de plástico, lisa, com flores, não sei, não estou a ver. Se calhar, esta Alice nem se lembra de mim. Cresci em Lisboa, a estudar coisas leves, de outros tempos. Vinha pelo Natal. Vinha pela Páscoa e gostava de ver a «procissão das flores», não sei bem porquê. Talvez a pele e a pele das flores. Pétalas. Alice chegou a vender flores. O caminho da Fragura nunca perdera a sua identidade medieval, lama e pó e pedras, conforme as estações do clima. E ela vinha também por ali, ali encalhou um dia no Francisco, fugiu, voltou, desencontrou-se, deixou cair duas galinhas mortas, penas soltas as mãos já nodosas e sujas logo-logo a esconder o desastre. Francisco era um rapaz franzino, ela também mas ainda lavada e branca. Casaram, eu soube, na altura da Páscoa. A ela, só a conheci de facto, de bem perto, e a sentir-lhe o bafo cortado com alho, num dia de festa, não sei qual. Dobrava-me, a escolher as alfaces. Alice ajudou, parecia grávida, um cabelo oleoso começava a roubar-lhe a candura, o que dantes o próprio estrabismo, em paradoxo, ajudava a manter. Não sou capaz de avaliar o tempo que passou entre esse dia e o dia em que voltei a reparar na vendedeira de patas de galinha, vestida de preto, o marido morrera havia dois meses, deixando mulher viúva e filha orfã de pai, que fique a redundância. Depois vieram as galinhas vivas, desusadas, amarrotadas, para serem mortas, inspeccionadas e retalhadas num matadouro de aves, quase igual ao outro, uma espécie de fortaleza moura onde castravam e matavam bois, o sangue a borbulhar em queda, daí a minutos já coalhado em grandes áreas das lajes calcárias. Alice, vi nesse tempo, entregava as galinhas ao tratador, as mãos estendidas e os bichos de pernas atadas com corda de sisal. Pronto, a morte era simples, um corte de cutelo nos pescoços, cabeças saltando e as pernas vivas, num estretor desconfortavelmente longo. O cutelo descia de novo, algumas penas soltavam-se, por vezes muitas, enquanto as mais pequenas voavam, brandas, na brisa que vinha da rua. Alice à espera. Alice tapando os olhos, os ombros em bico, um lenço na cabeça Via-lhe as pernas brancas, nervosas, esguias, metidas nuns sapatos de guardadora de rebanhos. Mas só tratava das galinhas, frescos, patas e asas. A filha adoeceu, deixou de vir à praça, contou-me o senhor Domingos. Hoje ali está, feia, estrábica, irreconhecível pela calcinação do trabalho e pela indelével perda da filha. Talvez as patas das galinhas sejam uma espécie de amuleto, um símbolo bruxo, um pedaço de nada para dar gosto à sopa dos pobres ou dos velhos que desciam outrora a esta zona da cidade, vindos da zona antiga, a fim de escolherem pequenas coisas impensáveis. Alguns desciam do asilo, sem nome nem memória, Auschwitz talvez. Outras mortes, talvez. Caldo de sebo desfeito, cartilagens, ossos. Cada homem um cão. A faca pousada na madeira. Ou no plástico salpicado de flores, salsa, ponto cruz, coentros. Também já vi a Alice, numa idade perto desta, em deriva pelo cemitério, onde tem morada certa, junto do marido e da filha. Molha as flores. Limpa tudo, como se estivesse a tratar de uma casa. Olha para o jazigos. Faz muitas vezes o sinal da cruz. A mim, este cemitério dá-me uma grande paz. Há dias, contudo, depois de cjover, em que os retratos parecem mortos outra vez, sinto uma coisa na garganta, sem Deus, nem Anjos, nem meninos correndo num espaço coberto de folhas amareladas. As patas de galinha, penso, e imagino-as como sustento para um dia, amanhã também, depois outra vez, vezes sem conta pelos dias fora, até à morte. Um adeus. Alice não sabe quem é. Ontem fiquei ali, no torpor das vozes, e ela esteve a olhar para mim, numa desfocagem avassaladora, de miopia, claramente sem reconhecer ninguém. Mas eu insisto em pertencer a esta cidade outrora martirizada&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; vítima de um medo sem fim, durante noites inteiras ou dias sombrios nas cabeças e no céu, a lamparina sempre acesa junto dos santos domésticos sem asas. Da ponte velha, em grés, vejo o caminho que nos liga à Fragura, igual ao do século passado, mas não vejo ninguém a caminhar naquela terra molhada. O rio fica ali parado, entre marés, a apodrecer na base do aluvião.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-7488598497324196272?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/7488598497324196272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=7488598497324196272' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7488598497324196272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/7488598497324196272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/07/alice-vendedeira-de-patas-e-asas.html' title='ALICE, VENDEDEIRA DE PATAS DE GALINHA'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SlNAJL7Mm1I/AAAAAAAAG2Y/_x6hg3twOdE/s72-c/IMG_8280.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-4439016348256353902</id><published>2009-06-03T18:03:00.000+01:00</published><updated>2009-06-04T10:18:36.605+01:00</updated><title type='text'>OS DOIS LADOS DE UMA ALDEIA NA PAISAGEM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiawmRyw7XI/AAAAAAAAGzM/puhpLgcOHd0/s1600-h/IMG_8369.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343152179579514226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiawmRyw7XI/AAAAAAAAGzM/puhpLgcOHd0/s400/IMG_8369.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Amanhece depressa e a luz arrasta uma brisa ainda fria, mansa, que parece descer da serra. Há um quilómetro na estrada, em curva, donde se avistam as casas meio descaiadas de certa aldeia sem nada nas proximidades. Abrando a marcha, faço o carro passear junto à berma, e isso lembra o trote leve de um cão doméstico que só conhece o dono e só a ele obedece. Quando as velhas casas surgem, um pouco à direita, o que vejo corresponde ao que me contaram, as casas e lá para trás, numa longa encosta, milhares e milhares de eucaliptos: a aldeia está silenciosa e aparentemente deserta, enquanto os eucaliptos bebem a água restante nos veios freáticos. Isso tornou-se banal, é um capitalismo fundamentalista e apressado, imenso, que vai dando no que deu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perto da aldeia (velhas construções devidas às &lt;em&gt;dobras&lt;/em&gt; agrícolas) os meus passos desconjuntam-se pelo efeito das pedras, da cevada seca ou coisa assim, a terra a desfazer-se e eu a escorregar no que sobra do derrame, pequenas derrocadas após derrocadas, o estalar das hastes secas, as casas a balouçar lateralmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decido parar, olhar em frente através da máquina de filmar, filmar mesmo. Afasto as pernas, faço o acerto das condições de registo, os brancos entretanto, e disparo a objectiva, longamente e em plano fixo, preso ao quadro daquela paisagem talvez comprometida, belos trechos de argamassas deprimidas, muros sujos ou a cal sem brilho, janelas desfeitas, telhados quebrados (em cunha) assim tombados no interior da primeira casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao terminar este primeiro plano, olhando em profundidade a imagem penosa que parece indiferente à minha aproximação, decido confrontar-me com o lugar. Grito então, com as mãos em volta da boca: «Está alguém aí?» Ninguém responde. «Não está ninguém por aqui?» Uma situação afinal ridícula faz-me ensaiar passos em volta, procurando perceber a natureza e a dimensão do sítio. Agarro a câmara como uma arma de fogo, erguida e perto dos meus olhos ardendo, apontada ao interior de paredes com anverso e já sem reverso, ruínas atrás de ruínas, um rosto fendido, quase plano, sem cabelos nem nuca. Uma volta, depoia outra, tudo não passa de um erro perceptivo, como na história da laranja inteira sobra a mesa, metade da laranja afinal, cuja convexidade estava inteiramente volta para o observador. Alguém comera a outra metade, depois de um corte diametral, e assim deixou a parte que pertencia ao futuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343151977701380370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiawahvRERI/AAAAAAAAGzE/2IiT6ATRBB0/s320/IMG_8340.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não há aldeia nenhuma, a matéria plural dos telhados desandou em parede oblíqua, currais além, um provável celeiro, nada disso é isso ou foi assim. E tudo o que parecia uma composição lógica, pelo jogo dos planos e pelo escondimento de outros, é apenas uma vaga aparência no registo mental, as casas não passam de uma, duas para fins não humanos, madeira e pedra, a encosta coalhada de currais de qualquer exploração pecuária, eucaliptos em volta, pequena reserva suína entretanto perdida, os eucaliptos ali, todos, donos do território, na sua base jazendo grandes vasos baixos, barro da região sanguínea, mãos outrora talhando carne ou moldando argila dúctil. Vejo teias inteiras de telhados caídos após alguma tragédia indeterminada, um chão sulcado de detritos negros, bem secos, panos com rasgões de acaso, cadeiras da tabúa, sem costas ou sem pernas, mais paredes oblíquas, uma delas apontada a nordeste, painel de adobe riscado a branco e a esconder outros usos, porventura mais produções. Talvez não tenha sido senão uma precária arrecadação, deste lado, não daquele. No enfiamento desse sinal inútil surge um forno construído a preceito mas também rachado pelas derrocadas dos alpendres, bem feitorias de que restam indícios empobrecidos, por vezes claros, coisas absurdas no embaraço das peças visíveis, entre madeiras e telhas e cacos de uma cerâmica rude, feita por ali, memória de artesãos da louça e da pedra, porventura das telhas moldadas à mão, aquecidas ao sol para secar, só depois enfornadas a prestações, horas e horas de vida dada a tudo isso, presa em todas as tarefas inerentes, mãos antigas capinteirando várias estruturas, portas feitas, portas fechadas, nenhumas portas por fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343151738423445458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiawMmW9h9I/AAAAAAAAGy8/p6muA8l7ndc/s320/IMG_8343.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mal acabadas as habitações, estábulos, currais, galinheiros, e já um sopro de perda. Já um primeiro bafo da contracção demográfica, a avó morta, os filhos desaparecidos, os pais emigrados no roteiro sinuoso do trabalho, pouco e mal pago, ou também as rotas da fome, fuga ao vazio, ali se come qualquer coisa, além dormindo longe, mais uma sopa em troca do arranjo de uma enxertia de fábula, e o medo em mentes escurecidas, casas ruindo, ruínas rudemente transformadas em aldeias como esta, que não é aldeia nem nada que se pareça mas fez a vida e a esperança de alguém. Tudo parece longe. Longe e diferente, quando se contorna uma fachada ainda branca e a vemos, do outro lado, esventrada, mostrando a implantação de quartos onde se imaginam nascimentos, risos, vozes, ou as velhas gerindo a tecitura das roupas, rezando na própria enxerga patilhada com dois netos, um dia de sinos tocando aflitos na cidade do outro lado do mundo, incêndios sem medida, procissões, relíquias, passos de dança, devagar, meninas com flores, olhos vaidosos de quem acredita nos Santos e na Ressurreição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou levar daqui uma simples pedra trabalhada pelo homem. Quem a achar no meu quarto de moribundo terá certamente mais discernimento para avaliar quantas gerações de bichos e bichos homens estarão atrás dela e a quantas outras ela sobreviverá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As pedras não morrem como nós. Transformam-se durante milhares de anos, em muito longas mutações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343151463161534594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Siav8k7aGII/AAAAAAAAGy0/Oo8CLsAxZpU/s320/IMG_8363.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343151169265188546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiavreFDvsI/AAAAAAAAGys/tV3bI1v4K6U/s320/IMG_8350.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343150916732327266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiavcxUiFWI/AAAAAAAAGyk/OqYthGcPdqE/s320/IMG_8356.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343150689194054834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiavPhrLlLI/AAAAAAAAGyc/Aoo4JgOADl8/s320/IMG_8357.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343150443073329874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 243px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiavBMzbWtI/AAAAAAAAGyU/ogQjt3ZAgG4/s320/IMG_8358.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343150236220237362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Siau1KNzpjI/AAAAAAAAGyM/h10LaRw3wrI/s320/IMG_8355.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;está alguém aí?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343148598710203698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiatV2A_dTI/AAAAAAAAGyE/3m7lQfxc6xo/s400/IMG_8364.JPG" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fotos de Rocha de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-4439016348256353902?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/4439016348256353902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=4439016348256353902' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4439016348256353902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/4439016348256353902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/06/os-dois-lados-de-uma-aldeia-na-paisagem.html' title='OS DOIS LADOS DE UMA ALDEIA NA PAISAGEM'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SiawmRyw7XI/AAAAAAAAGzM/puhpLgcOHd0/s72-c/IMG_8369.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-5367600448002532378</id><published>2009-05-22T14:07:00.000+01:00</published><updated>2009-05-22T17:51:41.758+01:00</updated><title type='text'>RECADO PÓSTUMO OU O MENINO DE SUA MÃE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SharnTSXL3I/AAAAAAAAGxU/8czgV1w0DpA/s1600-h/img_8279.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338643099974840178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 379px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SharnTSXL3I/AAAAAAAAGxU/8czgV1w0DpA/s400/img_8279.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;    Olha, mãe, já me disseram tudo e entregaram-me as tuas coisas, na ideia de as levar para casa. Qual casa, mãe? Já nada tem préstimo, são coisas de circunstância. Algumas servem de recordação, fios, agulhas, as botas de lã que deixaste para os meninos. Não chegaste a fazer as minhas. Deixa lá, se calhar fica para outra ocasião. Descansa, está tudo tratado, vais amanhã connosco para a Ermida. Sabes, ainda estás tão viva como eu. Já vim preparar a partida para baixo e as pessoas não param de telefonar, daqui e de lá. Não, não tens que ficar aborrecida, toda a gente sabe que já não podes responder. Deixa, eu respondo. Sim, sei perfeitamente que estavas a ser bem tratada no hospital, gostavas da tua vizinha de quarto, a tua velha amiga, até parecia que se conheciam desde crianças. A pobre senhora chorou por ti, nunca mais te viu desde que mudaste para os cuidados intensivos. Sempre te mandou beijinhos e mostrava as botas de lã que tu lhe tricotaste. Agora temos que descansar os dois e pensar um pouco no futuro. Claro que estou bem, mas gostaria de continuar a visitar-te. Os primos, lá em baixo, já trataram de tudo o que se relaciona com a tua chegada. O pai deve ter saudades de ti. Como a situação e a lei permitem, e como era tua vontade, ficas junto dele. Dois corpos enlaçados, lembras-te? Desculpa por teres sofrido durante tanto tempo, apesar das semanas em que ficavas boa e fazias botas de lã, para o Inverno, e ajudavas na cozinha, sentada, tratando as batatas e o feijão verde, atitude muito apreciada pelo pessoal do pavilhão. Seja como for, sabes melhor do que eu as dificuldades dos médicos. Chamaram-me, falaram-me de uma semana, duas, foi só esperar, e tu e eu e os teus amigos, todos esperámos com serenidade. Quando não te vi na cama, fiquei ali, numa espera suplementar. A enfermeira veio conversar comigo, quase em murmúrio, e disse o que havia para dizer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amanhã, quando ficares sossegada, pensa no pai, as ossadas dele ficam a teu cargo. Pergunta-lhe como se sente. Dá-lhe um abraço meu. Daqueles que eu lhe dava quando chegava de Lisboa, em férias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-5367600448002532378?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/5367600448002532378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=5367600448002532378' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5367600448002532378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/5367600448002532378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/05/recado-postumo-ou-o-menino-de-sua-mae.html' title='RECADO PÓSTUMO OU O MENINO DE SUA MÃE'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/SharnTSXL3I/AAAAAAAAGxU/8czgV1w0DpA/s72-c/img_8279.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-6768982851968432634</id><published>2009-05-21T17:00:00.000+01:00</published><updated>2009-05-22T11:18:43.211+01:00</updated><title type='text'>«O ESTRANGEIRO», MEMÓRIA DOS LIVROS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShZ7YEvkrmI/AAAAAAAAGxM/fyVOP0TEwKI/s1600-h/IMG_8276.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338590061814656610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShZ7YEvkrmI/AAAAAAAAGxM/fyVOP0TEwKI/s400/IMG_8276.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShWpaoID3zI/AAAAAAAAGxE/K0hxoURYVFk/s1600-h/IMG_8275.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nunca somos quem julgamos ser,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;olhar brevíssimo ao espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca sabemos quem procuramos&lt;br /&gt;na falência dos dias&lt;br /&gt;e no descuido de várias impaciências,&lt;br /&gt;cedo ou tarde quando amanhace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na montra apertada do mundo&lt;br /&gt;as horas não marcam o tempo&lt;br /&gt;e tudo o que depressa arrefece&lt;br /&gt;depressa o sol aquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, na ilusão do espelho,&lt;br /&gt;cada procura ansiosa do ver&lt;br /&gt;se desfoca em suor e nos mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gume ou faca.&lt;br /&gt;Alguém grita sem língua nem boca,&lt;br /&gt;de repente.&lt;br /&gt;Olho suspenso,&lt;br /&gt;agonia dele ao aviso aparente da lâmina,&lt;br /&gt;estridência dos reflexos e do sangue,&lt;br /&gt;tudo se exalta e tudo se recria,&lt;br /&gt;inevitável,&lt;br /&gt;responsavelmente,&lt;br /&gt;Meursault respirando azul&lt;br /&gt;ou um rosto que desconhecemos, baço,&lt;br /&gt;e a cadência dos passos lassos,&lt;br /&gt;surdos e quentes&lt;br /&gt;e um brilho súbito&lt;br /&gt;contra a paisagem&lt;br /&gt;ou a areia incandescente&lt;br /&gt;reflectida no olho suspenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol na lâmina, insuportável,&lt;br /&gt;a faca faísca branca, o sol a pique,&lt;br /&gt;e um tiro maquinal,&lt;br /&gt;breve, seco,&lt;br /&gt;sem alma nem razão,&lt;br /&gt;tão absurdo como a realidade em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vulto branco, tombado, talvez alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espuma dos dias, o mar de Maria.&lt;br /&gt;Um ruído doce de águas, além,&lt;br /&gt;e a espera, a natureza sem nome,&lt;br /&gt;coisas, apenas coisas em volta,&lt;br /&gt;talvez estilhaços do espelho&lt;br /&gt;que nunca reflectiu nada&lt;br /&gt;nem ninguém,&lt;br /&gt;gaivotas voando em volta.&lt;br /&gt;Um vulto tombado.&lt;br /&gt;Um céu azul.&lt;br /&gt;Areia clara.&lt;br /&gt;A espuma do mar.&lt;br /&gt;Quase nada.&lt;br /&gt;Quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338309631035185394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShV8U2rmGPI/AAAAAAAAGw0/735PyLOsVCI/s320/IMG_8270.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338309409419344930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShV8H9GQvCI/AAAAAAAAGws/m4rMJJPYtmw/s320/IMG_8268.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338309240464663922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShV7-HsU5XI/AAAAAAAAGwk/4-AdB5St08k/s320/IMG_8267.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fotos e poema do autor deste blogue&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36076576-6768982851968432634?l=rochasousa02.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rochasousa02.blogspot.com/feeds/6768982851968432634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36076576&amp;postID=6768982851968432634' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6768982851968432634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36076576/posts/default/6768982851968432634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rochasousa02.blogspot.com/2009/05/os-livros-que-lemos-memoria-de-o.html' title='«O ESTRANGEIRO», MEMÓRIA DOS LIVROS'/><author><name>Rocha de Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01147371530547244335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/ShZ7YEvkrmI/AAAAAAAAGxM/fyVOP0TEwKI/s72-c/IMG_8276.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36076576.post-8291830523751453067</id><published>2009-05-16T14:28:00.001+01:00</published><updated>2009-05-18T10:41:02.169+01:00</updated><title type='text'>VISITAÇÃO DA VIDA ENTRE MEMÓRIA E FILME</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg_n5BvwJwI/AAAAAAAAGwc/8GMv34xZA_Q/s1600-h/IMG_8219.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336739050364610306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 241px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg_n5BvwJwI/AAAAAAAAGwc/8GMv34xZA_Q/s400/IMG_8219.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg_l7bK3G8I/AAAAAAAAGwU/1OMpa8sPr5E/s1600-h/IMG_8218.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336466609051700466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 395px; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg7wG2xCjPI/AAAAAAAAGv8/Lt4w4UzMw7M/s400/IMG_8246.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336466101095156418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg7vpSewysI/AAAAAAAAGv0/UMq39zBbWPg/s320/IMG_8218.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336464292824942514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WR_zYiebAkk/Sg7uACJjB7I/AAAAAAAAGvs/rfvKCC01UJc/s320/IMG_8255.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336456688356839378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WR
