sábado, janeiro 27, 2007
PINTURA DE RAIZ DIGITAL
Estas pinturas vivem em natural
semelhança com outras obras
que produzi, na linha do discurso
contemporâneo, mas distinguem-se
tecnologicamente pela raiz
digital, trabalhada
com uma simples box paint
do computador, no Windows
Claro que há muitas formações,
plásticas e digitais, mas apoiadas em
próteses sofisticadas.
Estas, contudo, distinguem-se das habituais
porque se formulam contornando o meio
e conservando a natureza do discurso
do autor através de meios tradicionais.
Peças de pequeno formato
concluídas e impressas em A4.
As variações delas, embora concordando
com a linguagem já referida,
escrita e plástica, que me é própria,
emergem por agora da mera
experimentalidade-
experimentação de Rocha de Sousa
terça-feira, janeiro 23, 2007
quarta-feira, janeiro 17, 2007
INTENCIONALMENTE DE NOVO, RESTOS

Esperando a benção sobre o que vigiam, as mulheres apertadas num nicho de nenhuma igreja parecem vigiar, num imenso espaço a seus pés, o que resta do mundo, destroços, ferros, grades, ossadas humanas, cabeças em adiantado estado de putrefacção -- e pela nossa parte, como uma vulgar estampilha, a síntese emblemática do apocalipse
DE SÚBITO, A PINTURA A PRETO E RANCO



terça-feira, janeiro 16, 2007
DOIS FRAGMENTOS SOBRE A DOR ANUNCIADA

segunda-feira, janeiro 15, 2007
domingo, janeiro 14, 2007
VISITAÇÃO DA BRUMA
MUSEU ENCOBERTO

Por estranho que pareça, este belo edifício revestido a tijolo era uma central termo eléctrica e tive oportunidade de a visitar há largos anos todo o seu interior quanto todos os seus fornos, tubos e máquinas se encontravam ao abandono, formando um cenário quase irreal, para qualquer desses filmes de ficção científica transversal ao presente e ao início do século XX. Ocorreu-me, na altura, que todos os elementos contidos naquele espaço deveriam ser conservados, tudo limpo e pintado nas poucas cores previsíveis, formando-se assim um museu da electricidade quase exclusivamente com tal património. Ao escrever sobre aquele objecto, no contexto de análises sobre arte, atribuí-lhe á designação de museu encoberto. Alguns anos mais tarde, na linha de séries para a televisão escritas por mim e realizadas por José Elyseu, tentámos rodar um filme sobre aquele edíficio, no exterior e principalmente no interior, metáfora sobre a pintura, numa obra em vídeo com o nome que cada mais se sedimentava em mim: Museu Encoberto. A filme foi produzido, embora destacado da série, e hoje está de facto transformado em museu da ciência e da electricidade, polivalente, já não encoberto mas reinventado para diferentes iniciativas artísticas além do seu uso habitual sancionado naquela trabalhosa edíção cienamtográfica.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
OS MUROS DO NOSSO CONSTRANGIMENTO
fotos de Rocha de SousaNas traseiras do bairro onde eu vivo, há recantos de velhas casas e velhos quintais de muros rasurados, a cal perdida, musgos crescendo, recantos e lugares mortos assim, com lixo, onde a alegria das crianças pobres se expressa em paradoxo, sem entraves.


Os velhos bairros das velhas e grandes cidades, chamados núcleos históricos, refazem-se como podem e deixam-se envolver por quintais sujos, muros e musgo. Depois, muito mais tarde, outros bairros surgem, dirigidos segundo os pontos cardeais: como as «avenidas novas», talvez, habitadas por diferentes estratos sociais, incluindo certa burguesia derivada de aristocracias decadentes. Mais tarde ainda, no devir das migrações, os bairros históricos e os outros, carregadinhos de carros e acácias, deixam-se envolver por alojamentos desordenados, cinturas urbanas imensas, mal construídas, argamassa falsificada e cheia de humidade, janelinhas suspensas para fingir a área que o interior não apresenta Os muros do nosso constrangimento, assim, ainda mais se repetem pelos acasos das «vilas», estereótipos de outros tempos, onde tudo sobra entre lixos, tascas sem nome, bicicletas ferrugentas, risos de crianças.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
LÍRICA DAS FOLHAS 2007
quarta-feira, dezembro 27, 2006
A GUERRA PERDIDA E O SONHO DE VELUDO
Aqui se retoma um olhar sobre a série dedicada a importantes acontecimentos da época contemporânea, entre a guerra, os excessos e indingências, entre a solidão e o amor. Nestas duas peças o contraste é notório, mas em ambas há resíduos dos desastres principais. A massa de corpos de soldados, mortos, feridos ou esperando a pausa, estão confrontados com o registo fotográfico da morte da inocência. Os momentos do sonho, veludo da noite, achamentos pela manhã, esta é uma visão tecnicamente semelhante mas dedicada ao intimismo e à paisagem das raizes pela manhã. |
terça-feira, dezembro 26, 2006
O TEMPO DAS ÁRVORES
na margem esquerda do rio Arade, nessa geografia antiga concluída pelos primeiros reis de Portugal. Lugar de outras ideias territoriais, lendas e magias, Ibnamar e a sua poesia |
segunda-feira, dezembro 18, 2006
AS VELHAS FOTOGRAFIAS DA MARGEM


fotografias de rocha de sousa
Lembro-me dos combóios a vapor e das imagens, como estas, quando havia paragens em velhas gares. Velhas também são estas fotografias da margem. Velhas porque ainda não atingiram a condição de antigas a que julgo terem direito. São testemunho do velho cais fluvial e ferroviário, conseguidas de um primeiro enquadramento com câmara analógica, tecnologia que só a voragem do comércio e aparente excelência do digital poderão varrer, em termos redutores, do campo das nossa criatividade. |
sábado, dezembro 16, 2006
segunda-feira, dezembro 11, 2006
OS MALES DO MUNDO
o nicho
Estes exemplos da técnica mista usada por mim perdem visibilidade no detalhe matérico deste grau de representação. Mas a perda de côr é escassa, visto que os negros e os cinzas predominam, em atenção também ao fim evocativo dos casos e do fotojornalismo. Toda esta série prende-se muito, na sua verdadeira extenção, com a ideia de requiem, os cânticos e os testemunhos que sobram após as derradeiras batalhas. Ao público convencido de que a arte é um mundo que se parece com as aparências e as reapresenta, devo dizer que, nesse caso, não haveria obras como "Guernica", além de muitas outras. A mistura de meios e representações pode (e deve) ultrapassar a modéstia da nossa percepção e concepção da realidade. Mas essa circunstância abre a obra a um forte sentido polissémico, apróxima-nos das cintilações e incandescência do visível. |























fotos de Rocha de Sousa






