
sábado, março 08, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
RESGATE DE OBRAS GRÁFICO-PICTÓRICAS,70
RESGATE DE OBRAS GRÁFICAS de 60 | 70
Esta recuperação publicada refere-se a obras realizadas nos anos 60 70 e corresponde ao critério da procura sem cronologia ou base histórica, revolvendo papéis e velhas telas, balanço entre a produção a montante, depois pela retoma do caminho a jusante. Idas e vindas em todo o blog, permitindo uma relação dialéctica entre diferentes descobertas no espaço e no tempo.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
PARAISO INFECTADO POR VIS ARMADILHAS
As cores não servem apenas para dar vida às mais variadas coisas, fazendo parte da realidade que concretiza todas as envolvências do nosso ser. As cores, projectadas de resto pelas diferentes matérias, em função da luz que incide sobre elas, qualificam também muitos dos nossos apelos sensíveis, entre a dinâmica das percepções e a pessoal quaflidade do gosto. Entram assim na determinação dos actos expressivos, ordena diversas escritas, caracteriza a eventual natureza das intencionalidades aí inscritas. Aqui, a fotografia inical reproduz uma pintura conotada com os fatos camuflados dos soldados um pouco por toda a parte. O obra, construída por simbiose de tintas e colagens, aparece em cima, em primeiro ligar ou ponto de partida, sem optar pela representação modelada de corpos, nem pela explicação visual do que pode ser um campo cirúrgico, a intricada mistura de instrumentos e vasos sanguíneos, instante do qual, pelas mãos humanas, depende a vida ou a morte de algum paciente. Ferido, anestesiado ou comático, da massa de corpos emerge este sopro de respiração, esta indicação do obscuro sentido das coisas em estado limite. Em baixo, numa transformação metafórica, o lado profundo do subconsciente é sugerido como uma espécie de outra dimensão, no sono, no sonho ou no espaço da morte.
Ao realizar este exercício plástico, porventura indiciador de leituras contraditórias ou inter-relacionadas, estive sempre a lembrar-me dos últimos acontecimentos verificados em Timor, outros tempos desse território, as mortes e a repressão provocadas pela ocupação indonésia, as esperanças quase perdidas na distância paradisíaca das montanhas. Quando estive em Angola, no início da guerra, um familiar meu foi mobilizado para Timor, trabalhando como médico militar e enquadrado no escasso destacamento que Portugal se viu na contingência de enviar para aquelas paragens. Anos depois, no conforto das nossas casas, lembrando melancólicamente paisagens e pessoas de tais lugares, o meu cunhado falava devagar, como se tudo estivesse gravado em câmara lenta na sua memória, sobre aquela terra de uma beleza inenarrável, sobre aquela gente que dedicava aos portugueses uma amizade instintiva, que se prolongava no espaço e no tempo. Era uma gente tão portuguesa como timorense, sabia distinguir e juntar essas condições, irmanava-se no modo generoso de ser. Mas em 75 o elo partiu-se, apesar das forças portuguesas contornarem o problema, abrindo espaço a irmãos de súbito desavindos, criando vazios onde o poder se dissolveu e certas diferenças (obscuras) provocaram mortes absurdas, não por lutas anticoloniais, onde nem sequer a colonização teve rosto digno desse nome, mas por um domínio cuja natureza sempre negou a verdadeira natureza do território.
Todos sabemos o resto da história, a história oficial, até à sangrenta intervenção da Indonésia, o massacre de Dili, a resistência fragilizada, o despoletamento de situações que vieram apelar à ajuda internacional e à independência da antiga colónia portuguesa. O paraiso parecia recuperado, apesar de todas as dificuldades, e o manejo dos golpes vis, indeterminados, fez desabar a verdadeira paz, a solidez das instituições.
Há dias, o Presidente da República Timorense, a par do Primeiro Ministro, foram alvos de um golpe armado, sem marca, sem programa, sem alma, do qual resultaram mortos e ferimentos quase fatais em Ramos Horta. Depois de se juntar tudo isto e muito do que foi sendo a história desde a guerra civil, o domínio da Indonésia, os dissidentes pós independência, foi possível mobilizar a intervenção apoiada na ONU, por australianos e portuguses, entre outros. Apesar disso, os acontecimentos perderam dia a dia visibilidade, consistência, o rascunho de um nome. As armadilhas, ao chegaram a este ponto, têm raizes que não são apenas de natureza social, nem mesmo de natureza político-militar. A falta de prontidão das tropas, os consentimentos relativamente a grupos aqui e além, a falta de uma limpeza estratégica e moralizante, tudo isso, afinal, a que se deve? Talvez nunca se saiba a verdade sobre os monstros que contaminam a realidade daquele país emergente e a Austrália é suficentemente grande e forte para não desejar facilitar a criação ali, para si, de um reserva cuja ancestral cultura deveria ser preservada de tantas fomes predadoras, dos neo-colonialismos de língua inglesa, astutos mas destituídos de legitimidade. Em Timor, um esforço humanitário e educativo, em fresca liberdade e segundo direitos antropológicos, os estudiosos poderiam trabalhar em profundidade, sem tigres de metal subindo os areais e cosmopolitizando os distúrbios.
domingo, fevereiro 03, 2008
UMA IMAGEM DE MIL MEMÓRIAS
Sinto um profundo sulco na alma ao olhar para esta fotografia, imagem perdida no fim do tempo. Era o 12º plano de um filme rodado com meios escassos, na viagem breve pelo meu corpo. Foi feita à margem da câmara apontada, a de filmar, um registo pensado em função de outras viagens no futuro, em silêncio. Depois já não sei o que aconteceu. Fui ver os filmes da época, estas mãos reapareciam, a cores, numa metáfora sobre as rotinas do mundo, mas não, nunca, num plano assim, imóvel, repousado, pensativo, como quem espera, na paisagem entre muros cheios de crateras, a eventualidade das cinzas se removerem daí a pouco ou nos próximos dias. Mãos ainda frescas, mas adultas, vitimadas por uma nostalgia incerta, a meio da tarde, suponho, sobrepostas na espera das vozes, das ordens, da ternura. Quantos anos têm hoje estas mãos, estes dedos delicados e simultaneamente senhores de uma determinação indiciada? Em boa verdade, não sei, e espero que sejam as que conheci. Imagem perdida, achada, misteriosamente ferida por uma dobragem, por uma cicatriz, mal suposto do que sinto na alma, acaso, mágoa, ou marca transversal do rasgão ou do suicídio que não terá acontecido. Porque os filmes, posteriores, o dizem, e é difícil que as mãos suaves desses filmes não sejam estas mesmas, como folhas secas, mutiladas de fora, esquecidas enfim no espaço impossível entre as páginas do livro «A Origem da Tragédia»
quinta-feira, janeiro 17, 2008
ENSAIOS CONCORDANTES COM OS SEGUINTES
terça-feira, janeiro 15, 2008
MEMÓRIA DE ANTIGAS EXPERIÊNCIAS
Ver é compreender. Trata-se de uma viagem aparentemente maquinal, suportada pelo olhar, mas é uma viagem transcendente que começa de facto na percepção comum, a cada instante determinada por graus de interacção neuronal, projectando sinais daí resultantes e entrosados na densa cadeia das nossas memórias. É uma luz também, realidade incomparável que nos impele a aceder ao visível na imensa variedade das suas aparências, das suas proximidades e das suas distâncias, das suas expressões e da sua constante metamorfose. E assim se determina a nossa própria identidade, novelo de mil evoluções, da qual fazem parte importantes valores complementares de natureza artística, quer através de muitos apoios sensoriais, um pulsar no suporte cognitivo ao nível da mente e da consciência alargada, quer, por outro lado, no próprio mundo dos sonhos, enlace de forças que vêm ancorar na muralha do nosso retrato, entre comportamentos psicológicos, escolhas da inteligência, o fio do imaginário pujante pairando acima de todas as coisas. Afirmamo-nos, de longe ou de perto, através de um sistema capaz de constantes superações da aparência do real, apesar da sua frágil efabulação, entre os mais diversos apelos, da mentira à verdade.
Laboriosamente (ou de imediato) poderíamos aplicar estes dados, consoante o método, às duas pinturas digitais aqui propostas. Começando pelos elementos estruturais do campo, as medianas e as diagonais. Em ambos os casos tais traçados ordenadores se manifestam, conduzindo (em cima) uma espécie de dialéctica que ensaia a descodificação do espectáculo, revelando como ele se sustenta num suporte geométrico estático, de linhas verticais, agitando-se na parte superor da composição por linhas oblíquas relevadas do sentido das diagonais. Esta dicotomia «divide» a pintura em dois tipos de pulsação -- lento e estável em baixo, convulsivo em cima. Prosseguindo a ideia de um mero exercício antigo (a despeito das matérias e das formas), vemos na pintura de baixo a aplicação, tão geometrizada como explosiva, do princípio das diagonais. A primeira leitura aponta-nos para uma expansão em leque. Poderíamos apliacar-lhe o nome de Vórtice e desdobrar o nosso entendimeno deste espaço. Não é plausível que a mobilidade destes elementos rectilíneos se faça de trás do campo para a frente, numa intensa dinâmica apontada a um ponto indeterminado ao fundo?
por reflexos cósmicos
quinta-feira, janeiro 03, 2008
O AMANHECER DE ANA WENCROFT
Esta rapariga, de origem holandesa, frequentou a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, ao abrigo do programa Erasmos, e acabou por ficar em Portugal. Estas imagens pertencem a um filme realizado pelo autor desTe blogue em torno de uma manhã de trabalho da artista numa grande sala de aulas cheia de cavaletes desocupados. Uma prova sensível da relação poética e expressiva entre linguagens. Esta pequena homenagem ao trabalho da pintora Ana Wencroft, se despojada de referências directas à pintura, a que faremos oportunamente referência, decorre da natureza da peça vídeo e do seu tipo de montagem. Apesar disso, a notícia envolve uma expressão pessoal e a fotogenia de Ana é a que cuidadosamente se captou do filme
do filme
O AMANHECER DE ANA WENCROFT
quarta-feira, janeiro 02, 2008
LÍRICA DO DESASSOSSEGO

fotogramas do filme
LÍRICA DO DESASSOSSEGO
Uma rapariga entra na cave de uma velha casa de província, lugar assoalhado e sobrecarregado de coisas antigas, montes de fotografias, memória e memórias de família, entre restos sem rosto, cheirando a pó. Ela manipula todo aquele património, revendo porventura retratos dos avôs, tios e primos, além de pormenores das maquinarias do mundo. Nesse enlevo delicado e lento, a rapariga é assombrada pela brusca emergência de uma grossa corda, suspense cinematográfico, algo que sobe e se desdobra, sinuosamente se multiplica, arrastando um pedaço de renda e contornando a personagem. Daí em diante, tudo acontece como um ataque visceral daquela «serpente» acastanhada à moça loura que se deixa arrastar pelo chão, procurando num paroxismo orgíaco, libertar-se dos sucessivos enrolamentos, as próprias mãos submersas num enleio de cordas mais estreitas, tudo absorvente, catártico e terminal.

fotogramas do filme rocha de sousa
Os problemas levantados por este género de cinematografia podem reflectir-se na fotografia, nas artes plásticas, embora decorram, muitas vezes, do cruzamento de memórias urbanas, de imagens características do surrealismo ou do fantástico, beneficiando, com o factor suspense, a entrega do espectador. O instante em que a corda emerge de um buraco negro, subitamente aberto entre as fotografias familiares e outras, aponta para os temores que nos acompanham desde a infância, o medo dos aparecimentos repentinos, o salto de um réptil das rachas no chão, a conexão desse «assalto» com a aproximação da violêmcia orgânica, terrores da sexualidade distorcida, sequelas de uma vida mal iniciada no prazer de coisas ainda estranhas, bichos, homens, animais das histórias, a fantasias.
terça-feira, janeiro 01, 2008
PERSONAGENS INOMINÁVEIS
ENQUANTO OS CONCEITOS SE APURAVAM
de uma obra actual comportando
sinais do léxico desta produção em geral
saída e entrada na composição: o centro como tema
concentrado e desconcentração
a explosão da nudez
Há momentos ou tempos de sequência em que o espírito se fragmenta e a capacidade de decidir sofre diversas oscilações no rumo criativo até aí seguido. Enquanto a organização acima do texto se define na concepção das estruturas, modelação por justaposição de formas ou cores, em baixo, nas peças cuja semelhança acontece apenas no interior de um certo fazer, os problemas, já enfrentados, estão ainda fora do conceito aglutinador, vivem dispersando-se para fora do espaço, ou quase, apontam por vezes o movimento de retorno, espreitando ou entrado para o interior do quadro.
cesta em queda
PASSOS INICIAIS: COISAS ESCOLARES

Se não houver uma aproximação analítica, técnica e crítica, por comparação com obras recentes do autor, será difícil perceber que o manejo dos instrumentos e das tintas (a despeito de uma considerável objectividade da representação) têm marcas bem semelhantes a algumas peças recentes já mostradas: um modelado que se fracciona, que se funcionaliza em ordem à cintilação das manchas, essa remota semelhança com a fractura, com a dobra, com a construção que subentende a própria desconstrução. Por mais estranho que pareça, deste trabalho, dedicado às favelas do Rio e à peça Gimba, de Maria Dela Costa, sairam muitas das semi-abstracções e tratamento de recorte ou quebra surgidas nos anos 80.
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