sexta-feira, novembro 28, 2008
O BAZAR LABIRÍNTICO DA VIZINHA PATRÍCIA
quarta-feira, novembro 26, 2008
RESGATE DE UMA PINTURA DOS ANOS 70

sexta-feira, novembro 21, 2008
TALVEZ UMA DESERTIFICAÇÃO ANUNCIADA

sábado, novembro 08, 2008
O DESTINO OU O QUEBRA-NOZES ESQUECIDO
domingo, outubro 26, 2008
A REINVENÇÃO DA LENDA DAS AMENDOEIRAS
terça-feira, outubro 21, 2008
RESTOS DE UMA CERTA LITURGIA DA MORTE
Está aí alguém? A quem pertencem estes objectos? O silêncio em redor parece uma leve e lenta cantata dedicada ao homem, à mulher ou à criança que já passaram vivos nesta catedral a céu aberto, feita de terra revolvida por algum vandalismo nunca identificado. Vidro fosco, vaso de barro, o oleiro quando? E as fotografias? E os retratos desfocados difusamente, outrora naquela redoma?
texto e fotos do autor deste blog
quarta-feira, outubro 15, 2008
NOTÍCIA DO SANGUE ROUBADO, PRAÇA MAIOR
domingo, outubro 12, 2008
ALUCINAÇÃO: COR, METAMORFOSE E MEDO
quinta-feira, setembro 25, 2008
MEMÓRIA DOS MORTOS INSEPULTOS NA CHINA
quinta-feira, setembro 18, 2008
MEMÓRIA DAS FÁBRICAS CORTIÇEIRAS: FOGOS
Soavam gritos nasais ou roucos,
gritos sujos, loucos,
afinal previsíveis e terminais,
graves também,
cada vez menos audíveis
na distância de todas as fugas,
gente partindo ao contrário do medo.
Ficavam as janelas desdentadas.
Sobravam grandes nuvens de fumo
sem rumo,
puxadas pelas velas do vento.
Vidros partidos ou espelhos
na inconstância das folhas rasgadas
sobre alcatrão e pedras fracturadas,
os pássaros longe,
os barcos vazios, à espera,
paredes de lata,
velhos de pano sacudindo as feridas
das roupas desfibradas,
quase invisíveis, já perdidas.
Uma janela horizontal,
morta,
vitimada outrora
na fábrica ardida antes da hora.
Rocha de Sousa
terça-feira, setembro 16, 2008
AS APARÊNCIAS DO REAL OU DA PINTURA
segunda-feira, setembro 01, 2008
MUTAÇÃO: UMA FOTOGRAFIA E DUAS TINTAS

DO MAR AO AQUÁRIO CORREDOR DA MORTE
sexta-feira, agosto 29, 2008
O SOPRO DA BRISA E A MORTE DAS ÁRVORES
Liso, seco, translúcido,
o tecido sobre a janela ainda se deixa atravessar
assim,
entre a luz e a palavra cujo sentido
nomeia a cortina, no balanço breve da brisa
a descer sobre o tapete copiado dos persas
aqui,
no lugar procurado pelo cão,
passos leves encobertos, dispersos,
cão que vem dormir vagos sonhos
no chão feito de flores e fios diversos.
Dorme, cão, respira devagar como as plantas,
sonha que é natural e verdadeira a relva desse tapete
e deixa que o teu pêlo se pareça com a lã do chão,
mal reflectindo a luz amarelada que desce da janela,
ou das cortinas e dos panos laterais,
ou do teu próprio sonho,
dessa lassidão lateral, de cão,
as pernas estendidas e a cabeça de orelhas caídas,
tombada e já sonhando novas saídas.
Nem tu sabes, cão, quantas vezes estive assim,
dormindo pela tarde fora, fingindo o real,
mal acordado depois pela cortina contra a cal,
outros panos laterais, igualmente teatrais,
pesados do sol a queimar e dos anos mais.
Morte anunciada, a deles,
dos troncos seculares, sem canais,
gigantescos e abandonados pelos pardais,
seiva seca, ramos quebrados,
jardim de bairro, recantos abafados,
dois patos, lentos e sós,
e um lago breve onde eles deslizavam, perto de nós.
Olhares divagando, doridos,
enquanto as serras cortavam os troncos feridos.
Troncos mortos antes de feridos.
Pardais mortos antes de perdidos
quarta-feira, agosto 27, 2008
APRENDER AS HORAS COM O RELÓGIO DA AVÓ
sexta-feira, agosto 15, 2008
PENSADOS DE ONTEM, CONSUMIDOS HOJE
quinta-feira, agosto 14, 2008
SILVES: FEIRA MEDIEVAL OU A ILUSÃO CÉNICA
A Feira Medieval de Silves é uma tradição recente. Uma cenografia mágica, com espelhos milagrosos e milhares de bugigangas que não servem para nada mas que, na sua anarquia de multidão, se espetam nos nossos olhos e tornam-se estranhos sucedâneos dos nossos desejos. A população, sobretudo jovem, veste os trajes da época, por vezes cortejando as almas do clima, circulando em marchas dançantes, acompanhado a célebre dança do ventre, olhando de longe as lutas dos cavaleiros,--combates de lança e a cavalo, combates rancorosos a pé, com grandes espadas cerimoniais. A rainha não sei donde vem ao largo das memórias poéticas e navega brevemente no rio engalanado. Este ano imaginou-se o tempo do domínio árabe e a conquista da cidade por D. Sancho I, apoiado numa armada de Cruzados. Mas tudo se reduz ao mesmo do ano passado, a Idade Média são fantasmas de várias épocas, enquanto nas barracas sem idade e luzes bruxeliantes, instalam-se marroquinos, ciganos, espanhóis e até lordes ingleses, louros, com mulheres e filhos, estilo baile de máscaras, a vender candeias de lata e colares de vidrinhos. É uma boa brincadeira, cercada de grandes espaços toscos, onde se comem leitões e as mais esquisitas iguarias Essas sim, lembram mais de perto a Idade Média. Sem querer ser desmancha prazeres, acho que era mais honesto chamar ao ecento apenas Feira de Outros Tempos. Ficava tudo mais integrado, sem medo dos erros históricos e sem as joalharias de lata e vidro em barracas de lona vanguardista. Em paralelo podia fazer-se história, lembrar acções dos séculos XI, ou XIII, ou mesmo XIV.
terça-feira, agosto 12, 2008
A LENTA SUBMERSÃO DOS HOMENS | A CASA
terça-feira, julho 29, 2008
VELHAS PORTAS, A BELEZA DO APODRECER
Pela tardinha, num dia nada próprio do verão, divaguei por estes sítios e mais uma vez convencido da beleza difícil destas imagens, coisas, memórias, rostos velhos escondendo buracos negros ou vazios de armazéns outrora floridos, cheirando a frutos secos, amêndoa, coberturas retorcidas do milho. Por vezes quase me sentava no chão, entre os carros estacionados e a porta a enquadrar no ponto escolhido.
fotografias de Rocha de Sousa