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terça-feira, janeiro 15, 2008

MEMÓRIA DE ANTIGAS EXPERIÊNCIAS

dialéctica dos elementos estático-dinâmicos
Ver é compreender. Trata-se de uma viagem aparentemente maquinal, suportada pelo olhar, mas é uma viagem transcendente que começa de facto na percepção comum, a cada instante determinada por graus de interacção neuronal, projectando sinais daí resultantes e entrosados na densa cadeia das nossas memórias. É uma luz também, realidade incomparável que nos impele a aceder ao visível na imensa variedade das suas aparências, das suas proximidades e das suas distâncias, das suas expressões e da sua constante metamorfose. E assim se determina a nossa própria identidade, novelo de mil evoluções, da qual fazem parte importantes valores complementares de natureza artística, quer através de muitos apoios sensoriais, um pulsar no suporte cognitivo ao nível da mente e da consciência alargada, quer, por outro lado, no próprio mundo dos sonhos, enlace de forças que vêm ancorar na muralha do nosso retrato, entre comportamentos psicológicos, escolhas da inteligência, o fio do imaginário pujante pairando acima de todas as coisas. Afirmamo-nos, de longe ou de perto, através de um sistema capaz de constantes superações da aparência do real, apesar da sua frágil efabulação, entre os mais diversos apelos, da mentira à verdade.
Laboriosamente (ou de imediato) poderíamos aplicar estes dados, consoante o método, às duas pinturas digitais aqui propostas. Começando pelos elementos estruturais do campo, as medianas e as diagonais. Em ambos os casos tais traçados ordenadores se manifestam, conduzindo (em cima) uma espécie de dialéctica que ensaia a descodificação do espectáculo, revelando como ele se sustenta num suporte geométrico estático, de linhas verticais, agitando-se na parte superor da composição por linhas oblíquas relevadas do sentido das diagonais. Esta dicotomia «divide» a pintura em dois tipos de pulsação -- lento e estável em baixo, convulsivo em cima. Prosseguindo a ideia de um mero exercício antigo (a despeito das matérias e das formas), vemos na pintura de baixo a aplicação, tão geometrizada como explosiva, do princípio das diagonais. A primeira leitura aponta-nos para uma expansão em leque. Poderíamos apliacar-lhe o nome de Vórtice e desdobrar o nosso entendimeno deste espaço. Não é plausível que a mobilidade destes elementos rectilíneos se faça de trás do campo para a frente, numa intensa dinâmica apontada a um ponto indeterminado ao fundo?

expansão ou afunilamento, imagem do espaço atravessado
por reflexos cósmicos

2 comentários:

jawaa disse...

Ver, pode ser só olhar e não compreender.
Entende-se melhor com as pinceladas de palavras atiradas com a segurança de quem conhece o valor das tintas para iluminar o quadro.

M. disse...

Tenho andado a mirar as pinturas. Fazem-me lembrar o surrealismo em versão ainda mais avançada. E muita luz. Os meus parabéns, captar assim os pontos no espaço é uma Arte que não cabe a todos.